Na hora de descobrir o código redondo da cerveja skol vem a tropa de elite para detonar o alcagüete. Beba, babe nas leis do código de trânsito, morra, mas não me mate, dê cheque mate em si, tem quem queira beber chá mate, mate o leão que dentro de si urge. O choque da tropa é pra checar a elite pensante, jorrar tinta na mídia, engolfar imagens televisivas, atinge a elite patrimonialista. A tropa de elite, eleita pra derramar leite vermelho, estupra a nossa mente, dá choque e achaca nosso intelecto provecto. É o chamamento pra vermos das tripas coração. Algumas garras dos teclados da imprensa versam patrulha ideológica, mas há lucidez que vê o torpor retratado. A grita da imprensa é geral, a grita é na geral que está atrás do alambrado. A imprensa vê Tropa de Elite com atitude crítica negativa ao invés de atitude crítica investigativa. Se bem que não há mais o que investigar: do Esquadrão da Morte ao Crime da Candelária tudo é escandalário, é candelabro na mão do Rio de Janeiro. Tropa de Elite é light se vermos a escrita mordaz do Diário Oficial da União que nega retirar o alambrado da galera. O DOU é o alicate a extorquir a sacola do bolsa-família. A bolsa e a vida. Pra que fidelidade partidária se não há fidelidade ética? Pancada maior que a dos punks paulistas que mataram por quarenta centavos? Por um pedaço de pizza a tropa de elite política aplica o golpe da cpmf e o sangue se ausenta das filas da saúde pública. O Bope do Congresso Nacional é escroto, maroto com seu smoking e o broche da caveira na lapela pra arrebentar com qualquer favela. Reforma política é apertar o gatilho pra si e otário é quem vota como “dever do cidadão”. O narcoestado promoveu uma juíza na Bahia tendo ela envolvimento com um narcotraficante. Não dá pra ser polido, senão seremos engolidos. Cecile se separa do presidente Sarkozi. Será ela picada, digo, clicada pra playboy? Há um novo thriller pornô-político. Cotejaremos Cecile e Mônica. Tem quem queira ver o veludo veloso de Cecile como já vimos o sarkozi de Mônica. Será um choque de elite, um tapa na Caras. Cristina Kirchner mata a cobra e mostra a pauleira que é ganhar na Argentina. Já que los hermanos gostam tanto de ser geridos por mulheres, poderiam então Evitar vexame de sua Seleção. Don’t cry for eles, brazucas, eles ainda são a Europa latina em preto e branco e não dão nem as horas pra gente. O rolex de Hulk rolou na roleta, mão armada, o pé é na bunda. O nada incrível Hulk chorou o roubo em artigo de quinta na Folha frondosa de São Paulo. O choro maior é o tempo que ele assalta da galera na tv com seu programa miligrama cultural. A dúvida é saber quem é o mocinho e quem é o bandido no rolo do objeto de desejo no tecido social. Muita cabeça ainda vai rolex. Se a grana do rolex for pro leite branco das crianças negras, a situação tá preta, pois o leite tá vitaminado com soda cáustica e água oxigenada cooperativamente. Se for pro gererê, então, u-u, a-a, ninguém escapará. Mais uma fraude consumista e não adianta chorar pelo leite derramado. É o leite podre, é a cpmf corrosiva, é o bope pow!, é o rolex provocante, é a bunda na playboy, é... Esse é o roteiro da ratoeira de nossa narrativa social, não é estética de game ficcional. Como país católico a seta indica a saída: a reza, mas a pedofilia arrasa a fé dos fiéis. O fel está no cálice. A segunda via, em expansão, é o fenômeno do fundamentalismo evangélico. Estes, sim, sem meias, sem palavras, sem meias palavras, com palavras vibrantes, usam games que têm Jesus como símbolo do que o ‘irmão’ tem que fazer. O culto é longo, com estrutura de drama. A sacola gira, diz o dízimo que o canal aberto agora é de vinte e quatro horas de notícias no ar, é recorde. O templo da notícia patrocinado pelo povaréu fiel ao bispo que já foi réu e hoje está no céu. A tropa de Elite, a elite econômica, a elite política, a elite do futebol, a elite intelectual, a elite religiosa... Umas eleitas, outras lights, bárbaras, babacas, santificadas, danificadas...
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terça-feira, outubro 30, 2007
segunda-feira, outubro 22, 2007
A blague do blog
Tento ser um camelô de palavras, adoro bugigangas léxicas. Estendo minha barraca na avenida movimentada da geografia globalizada e ao grito de “olha o rapa!” das polícias de academias nacionais de letras, desarrumo meu vocabulário estendido sob a lona, misturando adjetivos, substantivos, artigos, próclises, anacolutos, verbos pretéritos, enfim, essas quinquilharias idiomáticas e corro para o abrigo de uma biblioteca pública para reorganizar-me semanticamente. Nada de cadeado para os diários eletrônicos, tudo encadeado na exibição escancarada, descarada. O nexo da conexão é estarmos em sintonia com o caldeirão dos diabos globalizado. A análise sociológica pop agora é campo encampado não só por acadêmicos e polêmicos, mas também por anêmicos culturalmente. O fator língua não é o valor semântico, o que vale é a montanha, o jorro opinativo. Internet, intranet, externet estão aí como mercado das pulgas culturais, sem culpas guturais. Nada crio, tudo me transforma na fôrma mercadológica lógica e seu reverso. Converso com o teclado online na informalidade chomskiano, saussureano, houaissiano. Minhas veias são vasos comunicantes de palavras derrapantes, discurso sanguineo douto, dou-te a palavra ôca da oca de fios óticos desencapados, chocantes. O que prevalece é a comunicação e não a palavra talhada, coalhada. O rigor acadêmico é o cemitério de elefantes enterrado nos periódicos da universidade a mil km da universalidade da rede blogueana. Sei que o balançar da rede já atinge as ondas acadêmicas também, até a quântica não aprisionar o tesão das teses na submissão das mesas julgadoras jogadas por jogadoras e jogadores de filigranas. Mas não importa, se a porta está aberta para o espaço sideral chipeano, chapliniano. A rede é risonha por sua facilidade de acesso, é bombástica por ser elástica. Meu blog é um elo, um farelo. Junto aos outros é uma farofa jogada ao ventilador. A regra é não regar formalidade para todos expressarem seu café literário, esse nome pomposo e gostoso. Quem quiser que se sinta um Rubem Blag, um cronista de papel eletrônico que se enrola peixe de aquário com palavras escamadas de feixe de luzes e cores. Eu sou uma blague, eu sou uma fraude, não me negue, sou um limador de casco de jegue, um carregador de texto sem teste. Blogo, logo insisto, em minhas bloguices. Blog é jornalismo? Blog é jornalismo. Blog não é jornalismo? Blog não é jornalismo. Blog não-jornalismo pode ser instrumento corretivo de Blog-jornalismo. Blog é tudo: blogfoto, blogcine, blogcharge, blog blog, bang bang, ploc ploc, toc toc, foco foco. O blog pode ter brilho e barulho. Meus blogueanos prediletos são mortais ao lado dos meus imortais. Aqueles estão nas estantes de meu disco rígido como esses estão em minhas prateleiras de madeira do tempo da pedra lascada. Para aqueles muito silício é codificado para a glosa, para esses muitas árvores tombaram em nome da prosa. Não confundir bloguista com bloquista. Ambos são construtores. O blogue é instantâneo e pode vir de meu vizinho como de Bagdá. Seu conteúdo pode ter sido trabalhado, ser aprazível, como pode ser uma blosta. Blogar é um verbo, blogosfera é um big blog. Blogosfera é uma arena, uma arenga. Editor de si o blogueiro edita seu blogego, seu divã. Todos somos criadores, co-autores numa obra que não é de ninguém. Até que enfim temos uma reforma agrária, a reforma agrária do espaço intelectual. O blog é autogestão, é sugestão, é aporrinhação. The medium is the message, prognosticou McLuhan, o McDonald, o Pato Donald, o intérprete midiático da pós-modernidade. Traduzindo hoje: a mensagem, essa miríade de interpretação, é o espetáculo. Do Circo de Marcos Frota ao Cirque du Soleil o contorcionismo verbal está ai pra quebrar a espinha dorsal dos “formadores de opinião”, do monopólio da mídia corporativa. Até blog.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Argh!
Sexta-feira. Em Brasília são dezenove horas. A voz do Brasil ressoa nos botecos a molhar as palavras comentários adentro sobre o fora do Senado que deixou dentro seu Presidente, cassado pelas mesas éticas etílicas. As garrafas em garras vadias afiadas eram abertas na frente do freguês, nada secreto, nada de decreto. Descontando os tropeços de línguas travadas seis mil mls uns a mais outros a menos, havia sobriedade nos discursos, naturalmente, do contrário, se inflamados, todos estaríamos carbonizados. Do atlântico à antártica, do boêmio à bohemia, de strauss à brahms, do scholar à skol, a efervescência das oratórias professorais soletrava a contemporaneidade brasileira. Estava eu, estava tu, viva o rabo de Mônica Veloso, no Beirute, depois no Bar Brasil – mais Mercado da W3 Sul - academias etilistas da intelequitualidade e de tribos brasilienses onde se encontram para embriagar-se o país. Em minha mesa até parecia que estava e analisava o furúnculo dos donos do poder senatorial o Raymundo Faoro. Na mesa ao lado ressoava interpretação bêbada e equilibrista do bamba Darcy Ribeiro a julgar que o processo civilizatório político tupiniquim está em recesso, decesso. Pelas tantas, já quando se beber não dirija, se dirigir atropele o Senado, e já saboreado o pastel – que é um almoço, em tamanho e sabor – do Mercado, sou levado pela cevada ao gol, movido a álcool, e um menino de rua, de cidade, de capital, turbinado à cola – tripla combustão para explodir qualquer naipe político - desliga meu acelerado happy hour quando ligo a ignição do um- ponto-zero. Implora uns trocados. Dou-lhe o trocado com a sensação de que a facada seria maior. Faço o cálculo mentalmente: cerveja, combustível e cola de sapateiro, não entram na p(a)uta do Conselho de Ética do Semnada. Muito menos um rato podre infante travestido de ser humano e um ser humano adulto travestido de rato podre. Afinal, pela milésima vez, somos rato ou ser humano? Minhas células cerebrais em mil megatons preservadas em álcool laboratorial mostravam que minha lucidez estava abaixo da sola de sapato que palmilhava a cabeça do pivete, colada na cabeça do gado de Renan. O guri, mais trebego do que eu, dá mais uma canfugada na cola e me cala. Ele não tem colo e decola, o out door da coca-cola pisca e rabisca um design consumista, hoje é sexta- cheira, amanhã é dia de feira, afundo o acelerador, o gol quer o posto Ipiranga, abasteço-o, cresço, adentro a avenida larga da esplanada, dou o grito do Ipiranga, a bexiga clama na rampa do Congresso, aproveito descuido da segurança, desço do auto, subo no prato de prata da Câmara, levanto a tampa da mama, a fedentina é pior do que aquele corpo descolado miúdo morto às margens plácidas do Alvorada, descarrego a bexiga no plenário, sinto alívio urinário, a missão contemporânea é mais funda, vou até a bacia do senado, levanto a campa, vazio o plenário é o meu calvário, não tenho mais urina, as narinas pedem clemência às excelências, a segurança pode chegar, a hora vai acabar, olho pro meu dedo indicador, não é rima mas é solução, meto-o na boca, no céu da pátria nesse instante, e o pastel, o cheiro da cola, resquícios de cevada, o painel da coca-cola, os discursos sem cursos das mesas botequinais, descem num jorro, em esporro nos tapetes azuis da casa grande e senzala de Renan e confluem nos tapetes verdes da casa de dona Jô de Chinaglia. Protuberoso, nada de asqueroso, é costume navegar em mar escandaloso essas casas, de Cabral a Cardoso, de pulhas a Lulas. Acreditando ter feito um gol de placa bacteriana, pego meu gol na grande área aplainada da esplanada, e acelero rumo a estação Finlândia, pegar gelo pra uma dose de uísque, fazer uma lavagem estomacal bicameral. A imprensa, na crença bufa de que foi efeito estufa investiga e mitiga a situação. Tudo é normal, há cento e vinte dias não chove em Brasília, mas as águas do Lago Paranoá haverão de afogar minhas mágoas.
terça-feira, setembro 25, 2007
Fatos
60 bandidos brandiram suas armas e detonaram, literalmente, uma empresa transportadora de valores políticos falsos em brasília chamada senado e levaram cerca de 170 milhões de votos, mas não levaram, o objetivo maior, os renazistas, retifico, os renanzistas, que depositaram seus votos no painel pinel eletro eletrônico do ponto frio bonzão. Foi o maior assalto a uma empresa no capital do detrito federal em represália a absorção da absolvição de renan cangaceiros, sem contar o tumulto no túmulo do senado. O ex carbonário gabeira deu um soco no presidente em exercício de matemática, fazendo as contas pra calhairos ganhar, tião viurenan, e nunca viu ana. Depois o 68 se desculpou e beijou judas iscariotes, pois não aprendera a socar como felipão, bom de soco em jogador adversário. Para os analistas o que houve foi uma vitória de pirro e a casa alta, a casa do povo, ficou com a imagem digital arranhada pra ser inaugurada primeiramente em são paulo, berço da maior fatia publicitária, e onde a banda larga tem a maior concentração rivalizando com o bando estreito de renan. Sabedor do consagrado sangrado resultado renan ligou pra lula pra lhe agradecer o apoio, mas a linha estava ocupada com o trem que passava pela favela jacarezinho, zona norte do rio de janeiro, com dois ministros a bordo que foi abordado por uma bordoada de balas festivas em comemoração a vitória de renan, por grupo de bandidos aliados dele. A mulher de renan, adulterada em seu casamento pela adúltera mônica gostoso, obrigou o marido traidor, dizem que mais politicamente do que familiarmente, a participar de um culto evangélico celebrado pelo o bispo estevam hernadez e a bispa sônia. Sabemos que a dupla renasce em telões com suas digitais impressas direto de uma prisão dos estados unidos do norte. As palavras bíblicas dos sagrados corações de jesus episcopais, da dupla sertaneja espiritual hernandes e sônia, reconfortaram a convicção bíblica de renan de que seu gado é tão sagrado quanto os dólares da dupla santa, que estavam dentro de uma bíblia por engano de deus. Os escândalos na política brasileira ressoam como o tenor Pavarotti (único que esse texto permite maiúscula), que agora tocará as trombetas vocais celestiais, e, para dar um basta a essa cacafonia ética, lula deveria convocar o estrategista goiaba mangabeira unger, de nacionalidade norte-americana – o amorim, ministro de relações exteriores aos escândalos interiores faria a tradução das falas de cajueiro, digo, mangabeira, já que ele, bananeira, digo, mangabeira, não fala nem português nem inglês aqui no brasil – para viabilizar a contratação, com licitação, da zaga do são paulo futebol clube, já que ela não deixa passar nada, nem uma nesguinha de bola furada. Rogério airton senna do brasil, que não derrapa debaixo dos três paus, deveria presidir todas as comissões para barrar todas as comissões que correm por debaixo das redes, sombra e água fresca dos parlamentares. Talvez, quem sabe, oxalá, vamos ver, tudo é possível, aí então, teríamos a expectativa de aparecer inesperadamente caminhos ainda não revelados pela geografia política. Haveria esperança para repaginarmos nossa história. Sabedores e sofredores que somos da atual situação política, um reverso no bonde da história só ocorreria quando os bisnetos de nossos netos escarrassem vírus nas urnas eletrônicas para travar o sistema da falsa democracia eletrônica e destravassem os genes éticos de uma sociedade mais justa e solidária, como a atual raça de traça política gosta de apregoar a cada quadra eleitoral. É assim que fico, conjeturando a esmo, sem beira nem eira, quando pego o sol com a mão e esfrego na lua, arranhando o céu com faíscas, pura iscas para deus abençoar a terra de santa cruz. Deus de lá, lá do céu infinito, repleto de alegria, eu de cá pelas mesas de bares acadêmicas regadas de copos etílicos de verborragia, cavoucamos saídas históricas pro brasil.
domingo, setembro 16, 2007
Jesus morreu alcoolizado
Hoje engoli uma montanha de matas ciliares e passei o dia arrotando ongs ecológicas escatológicas. Minha flora intestinal carecia de adubo mecanizado, já que ela só aceita produtos processados pelo processo penal capitalista de lucro em larga escala musical levado na flauta. A cada arroto sinto um gosto acre de peões expulsos de canaviais, que por sua vez também foram expulsos dos hectares patronais sanguessugas de origens. Se esses escravos ainda existentes na pós-modernidade agrícola mecanizada correrem, o bicho-papão católico evangélico comem com açoite de bíblia no espinhaço da alma, e se ficarem à pátria livre morrem pelo Brasil em adubo inps. O mar canavial prolifera às custas do combustível na boca do tanque do gol que não se embriaga com quinze quilômetros por litro, encharca a marcha na primeira o caos urbano, o rádio ligado na emissora notícias vinte e quatro horas, reportagem especial em som estéreo que o pó preto da casca da cana abastece os pulmões dos canavieiros, distantes do ‘açúcar com afeto em seu doce predileto’ e do sonho musical sociológico dos buarques. Um-ponto-zero, zero quilometro, zero cal. As vestes negrumes, mulambentas, dos cortadores zero à esquerda que chegou ao poder e amargou o sonho dos sem teto sindical, pegos pelos atravessadores gatos, capatazes posicionados na segunda linha de montagem da lavoura escravocrata. A cotação do barril de petróleo sangra o fundo do mar, o barril de álcool abastece a bolsa de valores dos senhores de engenho. No botequim a turma do funil bebe a do santo numa golada, pede a deus e nossa senhora a proteção divina, na esquina mija no poste, indo trôpego ao barraco dançando ao vento como um pé de cana. A historiografia sociológica já radiografou o canavial brasileiro e o pulmão do canavieiro, a classe capitalista e a massa amassada proletária; a literatura já retratou o ciclo da cana de açúcar. Esta semana, na usina Moreno, em São Paulo, um bóia-fria, Edílson de Jesus, boiou por excesso de esforço no corte. Se cortou-se, e se mais se houvesse mais corte houvera. O atestado de óbito aponta trombocitopênica idiopática. Tradução: a legislação trabalhista e a fiscalização das autoridades o cortaram. O nó da cana não dá cana pro patrão, o nó górdio fica com a bóia do bóia. De 2004 até hoje vinte e dois Jesus beberam caldo de cana, o vinho dos sete palmos. Jesus foi crucificado numa pequena nota em pé de página dos jornais, engordando estatísticas e teses de doutorados que mofarão na última prateleira da última estante da primeira biblioteca acadêmica anêmica. Enquanto isso, Lula, adepto e adptado ao álcool, prega o biocombustível aos quatro ventos, quer alcoolizar a frota de automóveis mundial. Bush quer o álcool que sai do milho, Fidel não quer nem um nem outro, cabeça de biloto. A mecanização dentro das próximas décadas extinguirá a classe dos bóias-frias, e aí não haverá mais mortes no corte, mas haverá corte social dessa classe que será colhida pelas colheitadeiras da agricultura pós-pós-moderna. O bóia-fria, mão-de-obra barata, virará barata nos esgotos da avenida paulista de qualquer cidade. Biscateiro virará profissão, a agilidade da mão no corte de cana, cortará a mão de quem não der uma mãozinha pelo o amor de deus. Em cana, o delega degola o bóia com a pena do artigo penal: não adaptação rumo ao primeiro mundo. A pauta de exportação brasileira terá o carro-chefe movido a álcool. Jesus morreu crucificado na cana de açúcar amargosa para salvar a indústria alcooleira, para dar conforto na estabilidade da paridade do dólar com o real da situação financeira longe dos tremores do mercado imobiliário norte-americano. Jesus morreu sem teto, sem teta estatal, sem tato pra modernização, sem tutu pro caixão. No próximo posto abasteço meu gol, no próximo bar abasteço-me, na próxima safra o Brasil será recordista de sacana, no próximo século o país se basta no primeiro mundo.
segunda-feira, setembro 10, 2007
Língua
Já sou analfabeto, beta a ba, em nosso português escorreito e agora querem consertar a lápis o idioma de Camão, singular de Camões, na era da tecla. Além da questão gráfica, impressa, a mecânica do teclado entrará no rol da temática da gramática dos noves fora países lusitanos. É por isso que São Paulo se antecipou e criou o Museu da Língua Portuguesa, e já preparou o sarcófago dos acentos que estão no corredor da morte. Teremos um esperanto português? Teremos uma gramática como um peixe sem espinha que até um bebê de touca poderá mastigá-la sem cagar regras? Um inglês luso? Reforma logo agora que os concretistas completam cinqüenta anos de cimento, areia e ferro? Os Campos e os Pignataris continuarão espalhados nas mentes e folhas poéticas, gerações em vivavaia, o som e o sentido subindo e descendo andaimes na estrutura lingüística dos edifícios e efácios. Caetano Veloso, que tem língua fátria, mátria, envergará o agudo em notas pátrias musicais, uis e ais? E a crise da crase, cruza o arquétipo da nova língua? A crase, gulag segundo Gular, é um poema sujo pra muitos, e se ela se despedir, já vai tarde se despir. Phoda-se a reforma. A radicalização da língua enroscando no beijo de telenovela é o desejo da platéia de todas as vertentes, no merchandising nivelado da nova novela velada das oito. O acento diferencial não alterará o sotaque da alfabetização teledramatúrgica. A ABL – Academia Geriátrica Brasileira de Letras de Câmbio – quer disseminar o padrão global lingüístico da última flor do laço amarrando a linguística com linguiça, aqui já sem temer o trema. Essa reforma é a última do português? Do cume do monte pascoal, Pasquale Cipro Neto, dissecador dos glaucomas de nosso idioma, dá a grita contrário e agita a polêmica, anêmica para uns, instigadora para tantos, no entanto Padre Vieira quando pegou o mouse e riscou nas areias das praias baianas, ninguém soube se ele escrevera em português português ou português brasileiro, tendo em vista que Sarney, dono de um tamborete na ABL, rufou os tambores maranhenses que agitou as ondas, deletando assim o escrito do jesuíta, ocorrendo até hoje essa dissidência no sinal diacrítico. É bom fechar um parênteses sobre, segundo a mitologia grega, o Maranhão é o estado brasileiro que melhor fala e escreve o português, requisitos não suficientes para a literatura de Sarney se azulejar. Mas o Maranhão é o sucinto Gular e o prolífero Josué Montello, esses sim, ressonadores dos tambores do Maranhão. Mas dizem que a reforma ortográfica agora vai ou racha na tacha do mercado editorial. Quem não chora e Mia Couto é a favor. No Brasil ele está vendendo feito água, se esbaldando. Na imprensa brasileira o destaque sobre essa ziquizira, quiriquiqui, blablablá é o confronto Brasil x Portugal. Onde meter o Cabo Verde, onde está o Príncipe São Tomé, em que ângulo está Angola, ninguém vê a Moça bique, está havendo uma distancia abissal com a Guiné, há o que temer com o Timor de qualquer quadrante? Dizem que essa sopa de letras geográficas confluirá para a monolíngua cultural, política e histórica. Sei não, conceição. Antonio Houaiss, antes de deus convidá-lo a elaborar o dicionário universal, é que deu o pontamão inicial dessa firula ortopédica gramatical, e de lá de cima está olhando sobre os ombros da contenda a tática do assentir o assento do acento. Talvez essa reforma chegue tarde, ou não importe, pois uma nova língua já está em curso histórico. É o ritmo internético sincopado do vc, tb, bj, etc., é o futuro condensado no hd neurolingüistico de nosso pc cerebral, gugu, dada. Sou a favor e sou contra, muito pelo contrário, o importante é que nada disse, disso tenho certeza: nada afetará meu poeta maior Carlos Drummond Bandeira Quintana e de qualquer quintanista que não dê bandeira. Essa trindade poética supera qualquer acentuação porque ela é o diferencial. De frente ou de ré, boa ou má, essa reforma não nos suprimirá do reformatório engradado da gramática.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Autos do processo
Todos terão seu carro escorrendo rua abaixo rua acima. O padrão de brinquedo chinês a U$ 6.000 e as miniaturas indianas farão com que todos tenham seus quinze minutos de fama automobilística. Mão-de-obra barata os chinas-peões serão os cucarachas orientais desorientados às margens da mão-de-ferro do regime comunista-consumista-ditatorial-capitalista-ista isto e aquilo. As garagens serão nos telhados onde ao sol os quatro-rodas serão grelhados. Nas estradas chegaremos nenhures. A bicicleta, tão eclética em Pequim agora é beijim beijim, e se tornará patética. O importante é dirigir, nem que seja em seu autorama em sua rua sem saída. Bebendo combustível e vomitando poluição ambiental e sonora, galgamos a passos largos o jazigo das jazidas petrolíferas. Metrô, sinônimo coletivo, é retrô. A primazia é o transporte individual. Queimar sola de sapato queima gordura humana e queima status. Pneu, pneu, quem não dirige já morreu. A produção exponencial dos autos levará a um processo sem retrocesso com abscesso. Todos ao mesmo tempo agora nesse instante congestionamos ruas, calçadas, becos, vielas, pontes, com nossos santoautomóveis. Era quadrada e foi se tornando redonda a roda, girando no espaço urbano, engolindo as paisagens geográficas de qualquer limite. As calçadas já perderam o meio-fio da finalidade. Máquina mortífera, o automóvel cruza a faixa sinalizada da auto-estrada e se espatifa em autoconfiança. Ford fordeu com a escala e saturou as estradas terrestres com insolúveis placas de trânsito em transe. Bill Gates voa na infovia, pisa fundo na Microsoft e lógos lógos o trânsito de bytes no espaço aéreo congestionará os neurônios dos micreiros. O duelo dos séculos: companhias petrolíferas x companhias de informática. Quem ganhará a contenda das estradas. O motor de meu gol de letra deu pau, o hd de meu micro fundiu o motor. As fuligens dos escapes enegrecem nosso corpo e as dos softwares esclarecem nossas almas? Amsterdam ainda é modelo de trânsito livre das bicicletas ou já está esquelética? Vivemos o boom automobilístico, o boom informacional. É buumm demais pra pouco bom bycicle, metrô a metro. Quem levanta a bandeira contra o culto às quatro rodas? Pego meu velocípede e dou um cavalo de pau. Upa upa cavalinho, vamos começar a pedalar a consciência de que o equilíbrio está no movimento e não no estatismo. Que rodas queremos no asfalto? Que trilho seguiremos? Conectamo-nos pelas estradas das bandas largas, queimando pneubytes, construindo garagens infinitas de informações. O choque do futuro será a malha asfáltica de cabos ópticos, satélites, estalactites. A história moderna não é morna, torna-se pós-moderna a cada via e veia conectada ao acelerador da fórmula um, dois, três, já! Se meu fusca falasse é infantil, sorvo de meu cantil fuligens, óleo queimado, meu calhambeque bip-bip, a história é retrovisor do futuro. Engreno a primeira no terceiro mundo, no primeiro é zero câmbio, automático, pneumático. Não consigo mais segurar o volante, estou percebendo que meu texto baterá de cheio no poste da esquina, que cairá atravessado interrompendo o trânsito, atrapalhando o tráfego, causando vítima gramatical, num desenho lóchico. Que venham os carros chineses em fila indiana, bem recebidos pelas ‘ofiscinas mekânicas’ das beiras de estradas repletas de cruzes sinalizando que o sinto muito, de segurança, está no céu ou no inferno dos ferros velhos, monturos recicláveis, modelos de consciência ecológica refazendo em folha-de-flandres novos modelos de morte, de estética automobilística em sessenta prestações suaves numa roda viva mortífera de bem-estar social, que só usa dez por cento de sua cabeça animal raul. É bom dirigir, não depender de buzu sardinha. Aplico mil pontos na habilitação da inabilidade dos administradores que não andam de metrô muito menos de grande ônibus lotado, menos metrô inabilidade habilitação administrador, a mil sou multado me viu o radar da burocracia esperta sinalizando o fundo do meu bolso ou a vida.
sábado, agosto 11, 2007
Os pugilistas e os traficantes
O Ministro da Defesa e Ataque aos Indefesos, Nelson Tom Jobim, irmão do finado embaixador da MPB, Vinícius de Moraes, disse que tem um metro e noventa de ilibado saber jurídico, e não dava pra sentar nos assentos circunflexos dos aviões brasileiros que ainda estão a voar. Homem de notório saber do buraco do metrô de São Paulo que é o STF tem convicção de que agora os aeroportos do Brasil terão toda capacidade para deportar de forma eficaz e entreguista os atletas cubanos fugitivos do Pan do Rio de Festeiro, que queriam beber liberdade de caipirinha, pois já estavam de sacos cheios de cuba libre presos. De mão beijada, os Filinto Muller do PT entregaram ao paredon os atletas cubanos, com morte atlética decretada pelo dita e escreve a dor Fidel Lula Castro da Silva em artigo de quinta, publicado no Granma, jornal oficial da Voz do Brasil.
Outro que também estará em boas mãos dos aeroportos, aeronaves, aerolula, aeroplano, enfim, de todas as autoridades aéreas tupiniquins, é o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, primo de Renan Ramírez Nossa Senhora da Abadia Calheiros, preso por tráfico de influência na concessão de drogas radiofônicas, venda de gado da mais pura cocaína, e proprietário de muitas fazendas em condomínios paulistas, tudo não declarado à receita de bolo fazendária. Os Estados Unidos – sempre eles tiveram unidos contra todos – já pediram a extradição de Renan Ramírez para julgamento de todos os crimes cometidos, inclusive sua relação com Mônica Chupinsk Veloso, prima do músico Caetano, que é primo do ministro da cultura, Gil, que não tem nada a ver com essa estória, e nem o Caetano. O julgamento será feito pelo Senado norte americano já que o Senado brasileiro não quer ter a suscetibilidade de ferir a honra corrupta do senador enlameado nas alagoas secas do alto sertão de Maceió.
Renan Ramírez, se valendo da vaselina que é o Senado brasileiro, quer mostrar ao país que seu patrimônio vai além do pó branco supostamente adquirido enquanto traficante de portarias, incisos, projetos de leis e demais camuflas ministeriais, apesar das cirurgias plásticas para não se parecer com seu primo Renan. Acredita ele que, se o STF, sigla incendiária aérea de ANAC, decidiu arquivar inquérito policial contra Paulo Maluf, símbolo da honestidade corrupta nacional, por suposta corrupção na obra do túnel Ayrton Senna – tam-tam-tam, tam-tam-tam – (nem um símbolo do esporte nacional descansa em paz!), ele também pode deixar rolar o tempo a custas advocatícias – hoje em dia profissão sinônimo de boa remuneração do tráfico data vênia – e se livrar por prescrição. Quando ele atingir a idade de 75 anos bem-vividos, em condomínios e fazendas de artigo jurídico de luxo, já estará se aproximando de encomendar a alma pros quintos, e só terá forças para erigir um símbolo do viagra fálico do mau caráter nacional, com direito – sempre o Direito no meio da história – a descerramento da bandeira pátria e presenças do Presidente da República e dos Presidentes dos STA (STF, STJ...) ao STZ, discursando enaltecendo a honestidade e o caráter de tão alta personalidade que contribuiu para o alto padrão da moralidade nacional. Desculpe, caro provável leitor, este parágrafo está longo tendo em vista a extensão da ficha criminal do sujeito composto e ao mesmo tempo indeterminado, analisado aqui sintaticamente.
Outro que também estará em boas mãos dos aeroportos, aeronaves, aerolula, aeroplano, enfim, de todas as autoridades aéreas tupiniquins, é o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, primo de Renan Ramírez Nossa Senhora da Abadia Calheiros, preso por tráfico de influência na concessão de drogas radiofônicas, venda de gado da mais pura cocaína, e proprietário de muitas fazendas em condomínios paulistas, tudo não declarado à receita de bolo fazendária. Os Estados Unidos – sempre eles tiveram unidos contra todos – já pediram a extradição de Renan Ramírez para julgamento de todos os crimes cometidos, inclusive sua relação com Mônica Chupinsk Veloso, prima do músico Caetano, que é primo do ministro da cultura, Gil, que não tem nada a ver com essa estória, e nem o Caetano. O julgamento será feito pelo Senado norte americano já que o Senado brasileiro não quer ter a suscetibilidade de ferir a honra corrupta do senador enlameado nas alagoas secas do alto sertão de Maceió.
Renan Ramírez, se valendo da vaselina que é o Senado brasileiro, quer mostrar ao país que seu patrimônio vai além do pó branco supostamente adquirido enquanto traficante de portarias, incisos, projetos de leis e demais camuflas ministeriais, apesar das cirurgias plásticas para não se parecer com seu primo Renan. Acredita ele que, se o STF, sigla incendiária aérea de ANAC, decidiu arquivar inquérito policial contra Paulo Maluf, símbolo da honestidade corrupta nacional, por suposta corrupção na obra do túnel Ayrton Senna – tam-tam-tam, tam-tam-tam – (nem um símbolo do esporte nacional descansa em paz!), ele também pode deixar rolar o tempo a custas advocatícias – hoje em dia profissão sinônimo de boa remuneração do tráfico data vênia – e se livrar por prescrição. Quando ele atingir a idade de 75 anos bem-vividos, em condomínios e fazendas de artigo jurídico de luxo, já estará se aproximando de encomendar a alma pros quintos, e só terá forças para erigir um símbolo do viagra fálico do mau caráter nacional, com direito – sempre o Direito no meio da história – a descerramento da bandeira pátria e presenças do Presidente da República e dos Presidentes dos STA (STF, STJ...) ao STZ, discursando enaltecendo a honestidade e o caráter de tão alta personalidade que contribuiu para o alto padrão da moralidade nacional. Desculpe, caro provável leitor, este parágrafo está longo tendo em vista a extensão da ficha criminal do sujeito composto e ao mesmo tempo indeterminado, analisado aqui sintaticamente.
Como aqui no Brasil tudo se acaba em pizza, então ao final Nelson Tom Jobim, com o charuto de Fidel na boca, tocará piano a quatro mãos com Renan na Polícia Federal, protocolarmente assinando uma ficha em brancas mãos limpas, reconhecida em cartório do Alvorada. Os atletas cubanos baixaram os punhos, e o traficante será eleito senador da Colômbia das Alagoas com a maior votação jamais visto na história eleitoral brasileira.
segunda-feira, agosto 06, 2007
A morte de Catatau Antonioni Bergman
Catatau era o nome dele, o nome do passarinho que eu e minha filhinha de oito anos criávamos. Como apareceu por acaso no portão de casa, de repente se foi. Não foi o caso de Catatau de Paulo Leminsk, anos a fio afinando o fio da navalha de neologismos e fazendo a barba de Mauricio de Nassau com o discurso e o curso histórico do método de Descartes. Mas a morte aqui, expressa o sentimento do Catatau passarinho, eles passarão quintana.
Saltos mortais no recém Pan-Americanos discursaram nas traves e no solo. José Agripino de Paula já exercitava estripulias nas barras pop beat, antecipando o carnaval tropicalista. Era 4 de julho em Embu das Artes quando Agripino gripou espirro forte rumo ao céu de estrelas, ao olimpo dos intelectuais. Catatau também deve ter ido pra lá. Deus ama a todos, almados e desalmados, armados e desarmados, arrumados e desarrumados, amuados e desamuados.
Catatau estava de cabeça no chão da gaiola, alma gélida, ângulo captado pelo cineasta sueco Ingmar Bergman filtrando morangos e silvestres da alma de nosso periquito. Não, não era preto e branco, era um colorido que qualquer ornitólogo traduziria para qualquer psicanalista, pois era uma tomada bergmaniana na mais pura tradição freudiana. A passagem do periquito para o além é além das idéias centrais da psicanálise. Lelê, minha filhinha, em suas lembranças piagetianas argumentava que a morte de catatau serviria como uma aula sobre a insuficiência da linguagem e o engodo da idéia de identidade.
Catatau era polêmico no esparramo de seu alpiste e no espargir de água. Enclausurado em sua Balada do Cárcere cedo estava a trilar A Imitação do Amanhecer. Polemista por natureza catatau admirava a poesia de Bruno Tolentino. Com toda gula, Gullar, o ferreiro de nossa poesia, disse que Tolentino tinha traços marcantes, nunca maçantes, o de polemista. Boxeou com Caeloso, alcunhando-o de Goethe de Santo Amaro da Badalação, e os irmãos de cimento armado em Campos literomusical. Bruno teve 30 anos de Europa, catatau uns três de campinas cerradas.
Catatau não era silencioso, não construía o silêncio, não lhe interessava o vazio e o incerto, ao contrário de Michelangelo Antonioni em suas fitas. Catatau não era uma alma penada, mas tinha penas prenhas de significados para mim e Lelê. Nossos pares de olhares, infantil e adulto, sentimos a cena de uma crônica rubeana, bragueana. Antonioni focou sua câmera na gaiola de porta aberta à construção de um cinema novo, moderno, passando pela desconstrução do cinema narrativo, do cinema clássico. O sol sombreando o corpo caído de catatau na grade e a atuação do ator catatau em última cena compunham o enquadramento, o plano e a montagem de Antonioni opinando consciencioso de que um filme não precisa ser entendido, basta ser sentido.
A jaula de catatau estava forrada com uma folha de papel, do gibi Capitão América, e ele adorava arrastar seu bico na folha, esfarrapando-a, dando bicoradas, atingindo de cheio o Capitão América, mas juramos, de pés juntos e separados, eu e Lelê, que não foi catatau quem matou Capitão América. Quem o matou foi o seu próprio pai, Jeph Loeb, seu criador. No universo da imaginação de cata, o capita jamais teria a crônica de uma morte anunciada dias antes da comemoração do dia da independência americana. Foi a poucos dias antes do quatro de julho, derrubado pela bala de um assassino nas escadarias da corte federal de Nova York. De quadrinho em quadrinho, numa seqüência cinematográfica, Bergman, Antonioni, Tolentino, Agripino, Capitão, catatau, encenaram seus papéis antes de agosto chegar, a gosto da imaginação de cada mortal.
Saltos mortais no recém Pan-Americanos discursaram nas traves e no solo. José Agripino de Paula já exercitava estripulias nas barras pop beat, antecipando o carnaval tropicalista. Era 4 de julho em Embu das Artes quando Agripino gripou espirro forte rumo ao céu de estrelas, ao olimpo dos intelectuais. Catatau também deve ter ido pra lá. Deus ama a todos, almados e desalmados, armados e desarmados, arrumados e desarrumados, amuados e desamuados.
Catatau estava de cabeça no chão da gaiola, alma gélida, ângulo captado pelo cineasta sueco Ingmar Bergman filtrando morangos e silvestres da alma de nosso periquito. Não, não era preto e branco, era um colorido que qualquer ornitólogo traduziria para qualquer psicanalista, pois era uma tomada bergmaniana na mais pura tradição freudiana. A passagem do periquito para o além é além das idéias centrais da psicanálise. Lelê, minha filhinha, em suas lembranças piagetianas argumentava que a morte de catatau serviria como uma aula sobre a insuficiência da linguagem e o engodo da idéia de identidade.
Catatau era polêmico no esparramo de seu alpiste e no espargir de água. Enclausurado em sua Balada do Cárcere cedo estava a trilar A Imitação do Amanhecer. Polemista por natureza catatau admirava a poesia de Bruno Tolentino. Com toda gula, Gullar, o ferreiro de nossa poesia, disse que Tolentino tinha traços marcantes, nunca maçantes, o de polemista. Boxeou com Caeloso, alcunhando-o de Goethe de Santo Amaro da Badalação, e os irmãos de cimento armado em Campos literomusical. Bruno teve 30 anos de Europa, catatau uns três de campinas cerradas.
Catatau não era silencioso, não construía o silêncio, não lhe interessava o vazio e o incerto, ao contrário de Michelangelo Antonioni em suas fitas. Catatau não era uma alma penada, mas tinha penas prenhas de significados para mim e Lelê. Nossos pares de olhares, infantil e adulto, sentimos a cena de uma crônica rubeana, bragueana. Antonioni focou sua câmera na gaiola de porta aberta à construção de um cinema novo, moderno, passando pela desconstrução do cinema narrativo, do cinema clássico. O sol sombreando o corpo caído de catatau na grade e a atuação do ator catatau em última cena compunham o enquadramento, o plano e a montagem de Antonioni opinando consciencioso de que um filme não precisa ser entendido, basta ser sentido.
A jaula de catatau estava forrada com uma folha de papel, do gibi Capitão América, e ele adorava arrastar seu bico na folha, esfarrapando-a, dando bicoradas, atingindo de cheio o Capitão América, mas juramos, de pés juntos e separados, eu e Lelê, que não foi catatau quem matou Capitão América. Quem o matou foi o seu próprio pai, Jeph Loeb, seu criador. No universo da imaginação de cata, o capita jamais teria a crônica de uma morte anunciada dias antes da comemoração do dia da independência americana. Foi a poucos dias antes do quatro de julho, derrubado pela bala de um assassino nas escadarias da corte federal de Nova York. De quadrinho em quadrinho, numa seqüência cinematográfica, Bergman, Antonioni, Tolentino, Agripino, Capitão, catatau, encenaram seus papéis antes de agosto chegar, a gosto da imaginação de cada mortal.
domingo, julho 22, 2007
Guernica
2007. Brasil. A porta do carro abre e de imediato é fechada e sai em disparada arrastando e manchando o corpo infantil brasileiro. Com uma demão de tinta preta o pincel dá a tonalidade da mortalidade de geração pós geração do pó branco. O guri consome merla noturna na porta das Casas Bahia ACM; o político mela o código e na esquina da Daslu cheira o artigo constitucional da imunidade parlamentar.
O bombardeio das favelas cariôcas, tanto pelo armamento pesado a ouro branco dos organizados malandros, quanto pela artilharia pesada à pena dos desorganizados otários pms é refletido pela Escola de Frankfurt, tão admirada por Darcy Ribeiro, scholar de tempo integral nos brizolões. Foi lá, no Morro do Alemão de Berlim que Habermas e sua troupe desvendou o crime organizado da alienação cultural da sociedade de consumo da droga política.
Em 1937 Picasso, aumentativo de pincel, já derramava tinta na arcada dentária banguela – na interpretação antropomusical de Caê Levi-Strauss - de balas perdidas das favelas do Rio de Janeiro a Dezembro. Premonição de que Guernica, cidade homônima, era bala de borracha com seus 1.654 mortos e 889 feridos, população de 7.000 habitantes, uma guerra nanica, e o Rio tinha a proporção de sua tela, 3,5m de altura por 7,80m de largura. Esse é o tamanho do buraco do Rio de Janeiro continua lindo, quer queiramos e queremos sim.
Nos matizes da tela picassiana e no imaginário deste cronista, um facão está enterrado entre os chifres de uma vaca, bufando com o sangue escorrendo olhos abaixo, babando saliva de indignação, e, de repente, ela irrompe a sala da Comissão de Ética do Senado Federal. Atônitos, perplexos, todos ficaram, lógico, menos os latifundiários daquele hectário forrado de estrume regimental e cercado por alíneas e parágrafos farpados. O presidente Rena Cangaceiros acalmou a todos e sorriu o riso misterioso de cara mona lisa. Melou o dedo sobre o sangue do belzebu e solenizou que tinha sangue azul e por isso não descolava o rabo bovino da cadeira senatorial.
Formigas mecânicas cavavam o túnel do tempo rumo ao Japão no oco da terra, pois o progresso desvairado da paulicéia desvairada quer alcançar os circuitos eletrônicos do sol poente, quer rasgar os olhos da terra custe o que afundar a caixa craniana da última camada de solo. O metrô repleto de autoridades descarrilou, mas todos 'sartaram' e a manezada tatu é que pagou o patológico progresso atômico de olhos fechados. A bomba hironaga da engenharia engoliu a peãozada e como tira-gosto, caminhões e guindastes.
1937-2007, são 70 anos de Guernica, e 7 x 70 são quase 500 anos de políticos guernicas tupiniquins, cupins corroendo a estrutura óssea do cotidiano brasilãno. São tamanduás chupando os crânios de crianças carvoeiras e as carótidas de escravos em fazendas de políticos latifundiários de votos. Picasso tinha culhão e em seis semanas pintou Guernica. A morosidade da brava gente brasileira, longe vá, temor servil, pincela o nosso quadro social exposto na galeria IDH globalizada. Será que as bandeirinhas de Di Cavalcanti ornam nosso instinto carnavalesco, infantil, na pureza ludopédica ?
O bombardeio das favelas cariôcas, tanto pelo armamento pesado a ouro branco dos organizados malandros, quanto pela artilharia pesada à pena dos desorganizados otários pms é refletido pela Escola de Frankfurt, tão admirada por Darcy Ribeiro, scholar de tempo integral nos brizolões. Foi lá, no Morro do Alemão de Berlim que Habermas e sua troupe desvendou o crime organizado da alienação cultural da sociedade de consumo da droga política.
Em 1937 Picasso, aumentativo de pincel, já derramava tinta na arcada dentária banguela – na interpretação antropomusical de Caê Levi-Strauss - de balas perdidas das favelas do Rio de Janeiro a Dezembro. Premonição de que Guernica, cidade homônima, era bala de borracha com seus 1.654 mortos e 889 feridos, população de 7.000 habitantes, uma guerra nanica, e o Rio tinha a proporção de sua tela, 3,5m de altura por 7,80m de largura. Esse é o tamanho do buraco do Rio de Janeiro continua lindo, quer queiramos e queremos sim.
Nos matizes da tela picassiana e no imaginário deste cronista, um facão está enterrado entre os chifres de uma vaca, bufando com o sangue escorrendo olhos abaixo, babando saliva de indignação, e, de repente, ela irrompe a sala da Comissão de Ética do Senado Federal. Atônitos, perplexos, todos ficaram, lógico, menos os latifundiários daquele hectário forrado de estrume regimental e cercado por alíneas e parágrafos farpados. O presidente Rena Cangaceiros acalmou a todos e sorriu o riso misterioso de cara mona lisa. Melou o dedo sobre o sangue do belzebu e solenizou que tinha sangue azul e por isso não descolava o rabo bovino da cadeira senatorial.
Formigas mecânicas cavavam o túnel do tempo rumo ao Japão no oco da terra, pois o progresso desvairado da paulicéia desvairada quer alcançar os circuitos eletrônicos do sol poente, quer rasgar os olhos da terra custe o que afundar a caixa craniana da última camada de solo. O metrô repleto de autoridades descarrilou, mas todos 'sartaram' e a manezada tatu é que pagou o patológico progresso atômico de olhos fechados. A bomba hironaga da engenharia engoliu a peãozada e como tira-gosto, caminhões e guindastes.
1937-2007, são 70 anos de Guernica, e 7 x 70 são quase 500 anos de políticos guernicas tupiniquins, cupins corroendo a estrutura óssea do cotidiano brasilãno. São tamanduás chupando os crânios de crianças carvoeiras e as carótidas de escravos em fazendas de políticos latifundiários de votos. Picasso tinha culhão e em seis semanas pintou Guernica. A morosidade da brava gente brasileira, longe vá, temor servil, pincela o nosso quadro social exposto na galeria IDH globalizada. Será que as bandeirinhas de Di Cavalcanti ornam nosso instinto carnavalesco, infantil, na pureza ludopédica ?
Abril de 1937. A aviação alemã bombardeia Guernica, destino artístico na simbologia da luta pela liberdade. Julho de 2007 a TAM, e pouco meses antes a GOL, com artilharia pesada de lucro fácil em conluio com a anac de araque – nem no Iraque em seus piores dias! - bombardeiam a moral brasileira carbonizando o discurso da ex-esquerda de plantão, e ninguém sabe quando o féretro partirá, esfacelando a mão súplica ‘estendida feia e morta’ das ruas para que parem de guernicar com tanta cinza e pus...
sábado, julho 14, 2007
Cyber Pingado
Dei um caratê num adjetivo polêmico e jorrou vaidades pra tudo quanto é mente vaidosa. Até que ponto pontuo meu analfabetismo semântico impresso junto ao meu analfabytismo wikipédia. Meu quaderno jamais será triangular, suas linhas paralelas confrontam com as sem linhas do monitor pc. Passei muito cerol na linha do tempo para monitorar as trezentas e sessenta e cinco linhas do tempo vital. As quinhentas e vinte e cinco linhas da telinha tele avisam, e na proximidade também, que o tempo é purpurina na linguagem das novelas, velas ao vento, frescor de um passatempo a fenecer no horizonte, no altar do alto mar.
Com um mouse sem fio aponto a ponta de meu lápis que me aponta para a modernidade. Meu vô puxava canivete e afiava o analfabetismo sábio da caneta-enxada. Rasgava o solo em corte epistemológico matutês corroborado pela sapiência dos acadêmicos. Não havia contradição nisso não, havia tradição. Um cavalo puxava o arado a escrever em linhas tortas as sementes que germinariam a hóstia consagrada do pão de cada dia. A escadaria do tempo alcançou em nossas mãos a ótica da óptica eletrônica.
O wireless é neto da caneta, e, móri lésse vamos nos entendendo. Alfa foi a primeira letra, beta a segunda, e assim a corrida contra o tempo nas tabuletas transcritas na realidade do sânscrito ao sonho do esperanto, vivíssimo na prática dos sonhadores, morto na visão do pole position econômico de plantão.
A monocultura agrícola semeia tratores e silos no agronegócio, e a monocultura da indústria cultural semeia standards. Um quilo de música transgênica daqui, uma arroba televisiva com agrotóxico dali, um hectare de literatura de auto-ajuda dacolá, conflitam com os clássicos desprovidos de agrotóxicos. In natura o tempo dá tempo ao tempo, mas a pós-modernidade exige abcedário fugaz, fórmula um, corrida contra o tempo que pode causar contratempo na curva tamburelo.
O papa era pop, o papo agora é a agilidade da biblioteca wwwikipedia de Alexandria, o xamã intelectual que cabe na palmtop de minha mão. O relevante agora é a informação e não o meio. Pra quem lê tanta notícia pode se afogar no espaço sideral da internet e se internar porque perdeu o rumo da bússola digital. O cyber é um moto-contínuo acelerado em mais de quinhentas cilindradas. O velocípede é a válvula dos que não se alfabytizaram e que preferem o silêncio dos desplugados.
O adubo que vem do vale do silício é composto orgânico de bits e bytes, e nem deus, que é de pernas tortas, ou melhor, que escreve torto, digo, que é certo de tortas linhas – desculpe, caro leitor, meu personal trainer computer deu pau – não consegue ler a bola de cristal líqüido em estado sólido da informação, segundo a qual o filósofo enciclopedista Diderot derreou telepaticamente e acredita que a internet tem arquitetura de conhecimento perecível.
Agrego o mundo fantástico da internet ao meu grego e latim não estudados e, para mim o homem plástico esta aí para dar nó na imaginação e beber da queda da torre de babel que foi amparada pela net. A internet chegou calculadamente no cume e no caule do céu e é o idioma técnico universal.
A cultura das feiras livres magnetizou-se no software livre. A linha evolutiva do hiperlink, hipermídia, hipertexto desembocará na web semântica, onde software e usuário trabalharão de forma cooperativa. Interação é a palavra chave das mídias, o caldeirão cibernético que ferverá tv, pc, cd, dvd, cd-rom, cd-r, cd-e, dvi, cdf, pqp, etc, gerando adjetivos e exclamações inquebrantáveis até por golpe de caratê, e jorrando vaidades plásticas.
Com um mouse sem fio aponto a ponta de meu lápis que me aponta para a modernidade. Meu vô puxava canivete e afiava o analfabetismo sábio da caneta-enxada. Rasgava o solo em corte epistemológico matutês corroborado pela sapiência dos acadêmicos. Não havia contradição nisso não, havia tradição. Um cavalo puxava o arado a escrever em linhas tortas as sementes que germinariam a hóstia consagrada do pão de cada dia. A escadaria do tempo alcançou em nossas mãos a ótica da óptica eletrônica.
O wireless é neto da caneta, e, móri lésse vamos nos entendendo. Alfa foi a primeira letra, beta a segunda, e assim a corrida contra o tempo nas tabuletas transcritas na realidade do sânscrito ao sonho do esperanto, vivíssimo na prática dos sonhadores, morto na visão do pole position econômico de plantão.
A monocultura agrícola semeia tratores e silos no agronegócio, e a monocultura da indústria cultural semeia standards. Um quilo de música transgênica daqui, uma arroba televisiva com agrotóxico dali, um hectare de literatura de auto-ajuda dacolá, conflitam com os clássicos desprovidos de agrotóxicos. In natura o tempo dá tempo ao tempo, mas a pós-modernidade exige abcedário fugaz, fórmula um, corrida contra o tempo que pode causar contratempo na curva tamburelo.
O papa era pop, o papo agora é a agilidade da biblioteca wwwikipedia de Alexandria, o xamã intelectual que cabe na palmtop de minha mão. O relevante agora é a informação e não o meio. Pra quem lê tanta notícia pode se afogar no espaço sideral da internet e se internar porque perdeu o rumo da bússola digital. O cyber é um moto-contínuo acelerado em mais de quinhentas cilindradas. O velocípede é a válvula dos que não se alfabytizaram e que preferem o silêncio dos desplugados.
O adubo que vem do vale do silício é composto orgânico de bits e bytes, e nem deus, que é de pernas tortas, ou melhor, que escreve torto, digo, que é certo de tortas linhas – desculpe, caro leitor, meu personal trainer computer deu pau – não consegue ler a bola de cristal líqüido em estado sólido da informação, segundo a qual o filósofo enciclopedista Diderot derreou telepaticamente e acredita que a internet tem arquitetura de conhecimento perecível.
Agrego o mundo fantástico da internet ao meu grego e latim não estudados e, para mim o homem plástico esta aí para dar nó na imaginação e beber da queda da torre de babel que foi amparada pela net. A internet chegou calculadamente no cume e no caule do céu e é o idioma técnico universal.
A cultura das feiras livres magnetizou-se no software livre. A linha evolutiva do hiperlink, hipermídia, hipertexto desembocará na web semântica, onde software e usuário trabalharão de forma cooperativa. Interação é a palavra chave das mídias, o caldeirão cibernético que ferverá tv, pc, cd, dvd, cd-rom, cd-r, cd-e, dvi, cdf, pqp, etc, gerando adjetivos e exclamações inquebrantáveis até por golpe de caratê, e jorrando vaidades plásticas.
sábado, julho 07, 2007
FLIPAN
O caminho das pedras está traçado em Parati, para mim, leitores e para eles atletas, que lerão os resultados dos adversários com pessimismo em busca do ouro no Rio, yes Pan. É uma leitura em busca do pódio, como o literato busca atingir a linha de chegada ao leitor. No atleta uma contusão nos causa pena, instrumento primeiro de satisfação do escritor em tempos idos. Quem será o recordista de medalhas de melhor e maior leitor do Pan, quem recordará os clássicos a peso de ouro a dar agilidade nos músculos dos novos escribas.
Essa é a 15a. edição de exemplares atletas do Pan, rumo a virarem best-seller com não sei quantos milhares de expectadores e, Parati, e para nós, marca o seu 5o. evento, é mar, é terra, é água. Em todas as modalidades a literatura se exercita. Os atletas sabem que o importante é competir e os estudantes que mais importante que estudar é ler. No placar eletrônico milimetrado Coubertain e Ziraldo cruzam a linha de chegada papo cabeça a papo cabeça, suados de esforço para que todos os acreditem. E todos acreditam que a trinca estudar, competir e ler é o remo da contemporaneidade, quer queiramos ou não, mas querendo é muito mais esporte saudável.
Há uma árvore na festa literária de Parati, e para vós, em que livros pendentes por cordões umbilicais germinam o hábito da leitura na criançada. São os atletas do futuro leitor que correrão em busca de um Machado para devorar um Grande Sertão de Veredas, trilhas, Caminhos Cruzados veríssimos e tudo que estiver nos Caminhos dos Swanns Proust adentro em busca do tempo perdido.
O Pan é continental e a Flip internacional, mas a geografia da plasticidade atlética e da literariedade não têm fronteiras. Dos pulos mortais de Daiane de todos os Santos à imortalidade do anjo pornográfico Nelson (olha o som, som!) Rodrigues, ecoam eflúvios de ginástica e imaginação, e ele, Nelson, é o homenageado do Pan Parati, e para tu, o pai da vida como ela é para o atleta que se dedica na elaboração de seus músculos em tatames e não em asfalto selvagem.
A Vila de Parati, e para ele, é efervescência como a Vila do Pan, onde também passeiam os mestres do passado. O salto triplo que Adhemar Ferreira deu sobre a pedra no meio do caminho, a mão santa que Drummond liricou seus poemas, os laços de família entre Hortência e Paula, o tênis que Clarice Lispector amarrou da literatura brasileira e não da russa, a dedicação de corpo inteiro que Maria Esther Bueno elevou o lustre muito antes que o Guga. E aí se vai em memórias póstumas de Maria Lenke Brás Cubas...
Parênteses. Exercitar o corpo e a mente faz bem à suada saúde, e para isso eu pano de bicicleta e caminhadas e flipo em minha biblioteca diariamente. Minha filhinha, oito anos, adora panar de bicicleta e estou incentivando-a flipar bastante. Este ano ela já flipou vinte e dois livrinhos.
O FLIPAN está repleto de estrelas: Arnaldo Diego Jabor Hipólito tecerá piruetas no solo sobre seu guru, o homenageado da festa, Nelson; Ruy Fernando Rodrigo Castro Morais de Pessoa estarão cavalgando sobre as barreiras do hipismo da censura do rei Roberto Carlos; o pódio Nobel Nadine Gordimer e o israelense Amós Oz cairão na piscina em braçadas profundas sobre o papel da literatura no ‘resgate de uma humanidade permeada pela injustiça’; Silvano Santiago de seu trampolim observa tudo para tecer suas críticas; o augusto Augusto Boal desoprimirá o teatro; os bichos bons de letras musicais Chacal e Lobão se apresentarão em esportes coletivos e mais Paulo Cidade de Deus Lins, Antonio Essa Terra Torres, Mia Terra Sonâmbula Couto, etc... FLIPAN é esporte, música, teatro, cinema, artes, literatura. Flipanamérica!
sábado, junho 30, 2007
PARAÍBA - II
Mesmo antes de Pelé e Romário terem conseguido seus milésimos gols Dom Pelé já invadia a grande área da ditadura brasileira e se destacava no cenário nacional dando de bandeja a pelota para os deserdados encherem o pé e fulminar o gol. Todos, Josés e Marias, de pires em mãos recebiam a solidariedade de Dom Pelé.
Estou falando isso simplesmente porque recebi um afago de minha memória que foi buscar em meus arquivos neuroniais adolescente sua imagem. Fui acalorado pelo sol de João Pessoa que me solicita a ingerir o cálice da saudade, não com vinho sagrado, mas com cevada transformada em teor boêmio.
De outro ângulo da mesa do bar vislumbro a penumbra de um Anjo Augusto, esparramando vocabulário escatológico sobre os torrões rachados da última seca do sertão, inspiradora, não apenas das lágrimas da bagaceira, mas do escárnio que ela provoca na alma, na lama humana. O escarro, meu amigo, que vem da boca... Chamei o garçom e pedi uma branquinha pra lavar a ãnima.
Muito da música paraibana, do Brasil também, tem um Zé que deu o norte, que deu muito baile em Cajazeiras-PB sob as luzes de lampião. Próximo ano será o centenário de seu nascimento e Cajazeiras, sua origem, já pensa nos festejos e lampejos. É o Zé que participou do clássico O Cangaceiro, de Lima Barreto, uma das maiores fitas nacionais de sucesso internacional. Ôlê mulé rendêra, eu me ensino a prezar a minha memória pbana e tu, provável leitor, procura te ensinar a tua. Lampião desceu a serra, e tu, amigo regional, descerras a tua e bebes o gás florescente do teu lampião. Tudo bem, na era da internet, penetre o gás néon, as fibras óticas, ou sei lá que circuitos de robóticas.
“Papa rabo!”. Era um menino de engenho gritando prum doidinho que ia passando pela calçada do bar em que eu destilava. Até nas capitais os urbanóides não dispensam um varrido de rua. Zé Lins rega meu copo vazio de etanol e cheio de ternura interiorana. Craque da literatura a bola flamenguista rolava nos gramados do engenhoso Zé Lins. Era um Xiko Buark tricolor.
Abanado pela memória de meus dezessete anos quando li Menino de Engenho vi as canas serem moídas, vertendo o caldo da nostalgia. Em adulto tento soletrar o ciclo canavieiro ou o estruturalismo rural no discurso fílmico de Walter Lima.
No aeroporto Castro Pinto, já de volta a Brasília, de ofício cidade colada à trituração polititica da esplanada, vejo ao longe outro Zé, uma montanha de talento, o Dumont. Quantos e quantos homens Brasil afora viraram suco e eu aqui, dedilhando o balcão da lanchonete, bebendo suco de laranja, ressentido pela ausência de um caldo de cana caiana. Sacanas, aeroporto também é xóping, lojas assépticas globalizadas.
No pátio interno da EPA – Cajazeiras-PB - a gurizada cantava o hino nacional. Ninguém se importava, graças, mas a milicada de plantão dizia que a solução brasileira era exportar para sair de sua dependência. EPA! Escola Pedro Américo, que pintou o Grito de Independência, um clássico que Jaguar, o cartunista, borrou em charge com agudeza histórica contextualizada na esbórnia ipanepasquim. Mas é um paraibano da escola clássica pictórica com pinceladas retóricas.
Referenciei os mestres, mas sei que há, houve, haverão, em outros verões, tantos zés, tantos pedros, tantos joões, marias, antonios, etc. a banhar de talento esse solo na ponta do seixas do mapa nacional.Literatura, música, artes plásticas, teatro, cinema, personalidades... Esse é o quadro paraibano que sou instigado pelo afeto geográfico que emana de uma semana em John Person.
Estou falando isso simplesmente porque recebi um afago de minha memória que foi buscar em meus arquivos neuroniais adolescente sua imagem. Fui acalorado pelo sol de João Pessoa que me solicita a ingerir o cálice da saudade, não com vinho sagrado, mas com cevada transformada em teor boêmio.
De outro ângulo da mesa do bar vislumbro a penumbra de um Anjo Augusto, esparramando vocabulário escatológico sobre os torrões rachados da última seca do sertão, inspiradora, não apenas das lágrimas da bagaceira, mas do escárnio que ela provoca na alma, na lama humana. O escarro, meu amigo, que vem da boca... Chamei o garçom e pedi uma branquinha pra lavar a ãnima.
Muito da música paraibana, do Brasil também, tem um Zé que deu o norte, que deu muito baile em Cajazeiras-PB sob as luzes de lampião. Próximo ano será o centenário de seu nascimento e Cajazeiras, sua origem, já pensa nos festejos e lampejos. É o Zé que participou do clássico O Cangaceiro, de Lima Barreto, uma das maiores fitas nacionais de sucesso internacional. Ôlê mulé rendêra, eu me ensino a prezar a minha memória pbana e tu, provável leitor, procura te ensinar a tua. Lampião desceu a serra, e tu, amigo regional, descerras a tua e bebes o gás florescente do teu lampião. Tudo bem, na era da internet, penetre o gás néon, as fibras óticas, ou sei lá que circuitos de robóticas.
“Papa rabo!”. Era um menino de engenho gritando prum doidinho que ia passando pela calçada do bar em que eu destilava. Até nas capitais os urbanóides não dispensam um varrido de rua. Zé Lins rega meu copo vazio de etanol e cheio de ternura interiorana. Craque da literatura a bola flamenguista rolava nos gramados do engenhoso Zé Lins. Era um Xiko Buark tricolor.
Abanado pela memória de meus dezessete anos quando li Menino de Engenho vi as canas serem moídas, vertendo o caldo da nostalgia. Em adulto tento soletrar o ciclo canavieiro ou o estruturalismo rural no discurso fílmico de Walter Lima.
No aeroporto Castro Pinto, já de volta a Brasília, de ofício cidade colada à trituração polititica da esplanada, vejo ao longe outro Zé, uma montanha de talento, o Dumont. Quantos e quantos homens Brasil afora viraram suco e eu aqui, dedilhando o balcão da lanchonete, bebendo suco de laranja, ressentido pela ausência de um caldo de cana caiana. Sacanas, aeroporto também é xóping, lojas assépticas globalizadas.
No pátio interno da EPA – Cajazeiras-PB - a gurizada cantava o hino nacional. Ninguém se importava, graças, mas a milicada de plantão dizia que a solução brasileira era exportar para sair de sua dependência. EPA! Escola Pedro Américo, que pintou o Grito de Independência, um clássico que Jaguar, o cartunista, borrou em charge com agudeza histórica contextualizada na esbórnia ipanepasquim. Mas é um paraibano da escola clássica pictórica com pinceladas retóricas.
Referenciei os mestres, mas sei que há, houve, haverão, em outros verões, tantos zés, tantos pedros, tantos joões, marias, antonios, etc. a banhar de talento esse solo na ponta do seixas do mapa nacional.Literatura, música, artes plásticas, teatro, cinema, personalidades... Esse é o quadro paraibano que sou instigado pelo afeto geográfico que emana de uma semana em John Person.
domingo, junho 24, 2007
Paraíba - I
Semana passada estive em João Pessoa, fui à formatura de minha sobrinha/afilhada Pepé, curso de enfermagem. Fico doente de paixão mais ainda quando piso o solo és mãe, gentil, estado amado, Brasil.
Chamei Pepé e me dispus a ser cobaia para ela ver minhas veias culturais abertas da América paraibana. Já estava degustado de cevada gelada e solicitei que auscultasse meu coração rasgado, e sei que não tenho o talento de paulo pontes de safena mas fui alimentado em minha formação genética de angu com leite, tapioca, rapadura...
Pepé veio medir minha pressão e ela constatou que o mundo louco do poeta Zé Limeira, poeta do absurdo, está impregnado em meu estado febril textual (pretensão falsa, só pode ter sido o efeito etílico).
Que a gramática acadêmica e minhas duas graduações sejam jogadas num riacho doce, mas antes elas sejam enroladas como um rolo de fumo de maica boró. Até porque eu nunca preguei na parede esses diplomas recheados de filosomia, filanlumia e pilogamia.
Quem quiser saber o significado dessas palavras se dispam de seus mestrados e doutorados e se aventurem na rima de Zé Limeira, onde as palavras ganham lima, e quem se assustar com seu estilo encantador tome logo água com açúcar que a dor não vai passar. Ficará estático com a estética dos garranchos da caatinga.
Vou à banca de jornais e vejo que tudo quanto é periódico tem suplemento pelos oitentanos de Suassuna. Constatei também que as folhas sulinas se renderam ao paraibano que teceu as rendas da pedra angular do reino divino maravilhoso. Engoli de uma talagada só a União do Correio do Norte e, pra não quebrar a regra, dei uma goipada de sopa de letrinhas no pé do balcão de um boteco inchado de pés inflamados, que me deu toda liberdade de naufragar a esmo pelo mundo destambocado limeiriano.
Tio Dudu, falou Pepé, ainda tem os jornais do galo de Campina Enorme e dos Arrecifes pra você se atualizar com o país de são saruê. Minha filha, respondi-lhe, você não sabe como nasce um cabra da peste, sabe não? Eu dou conta de me informar de tudo quanto é bagaceira almeidiana. Se eu me cansar, não me aplique meisinha não, reze umas orações de Frei Damião porque eu num tô afim de ser um cabra marcado pra morrer não, ouviu, minha menina? Ou se não, tasca umas canções de Vital Farias e Faz, Cátia França Portugal e Paris...
Lembrei-me que estou num mundo globalizado e por isso vejo muita moto pelas ruas de João Pessoa. Onde estão os jumentos? Onde estão aqueles toletes de titica da jumentada no meio da rua? (Não me contestem, aqui em Brasília todo dia os catadores de papelões passam ao lado do Congresso Nacional com suas carroças puxadas por burros). Num bar próximo ao Hotel Tambaú vejo reunidos dezenas e dezenas de motoqueiros profissionais, uma trupe de estradeiros, coletes acaveirados.
João Pessoa não é Cajazeiras, minha terra, que não é São José de Piranhas, que não é Monte Horebe, que não é o Sítio Rita, que é a origem de meus pais. O mundo globalizado engoliu Taperoá nos pixels super coloridos da Globo, mas graças a meu Padim Ciço e aos rosários tirados por Frei Damião o impressor Gutemberg salvou o papiro de Ariano.
Pare de beber tanto na fonte cultural paraibana, tio Dudu, advertiu minha sobrinha, você vai ficar bêbado e perderá minha festa do baile de formatura. Respondi-lhe que qualquer gramatura literária, musical – paraibana - etecétera e tal, será minha cachaça vital.Edups. 21.06.07.
quarta-feira, junho 20, 2007
Orgulho da parada G-8
Em São Paulo mais de trezentos mil gêeleesses se reuniram semana retrasada para mostrarem ao mundo que a opção para se apaziguarem é uma questão de furo íntimo, como disse certo cronista que não lembro-me seu nome agora, enquanto na Alemanha os sete mais resolvidos e a Rússia, se fecharam em copa numa cúpula para uma cópula anual. Paralelo a esse bacanal dos ricões o G-5, grupo de fundidos querendo alcançar os prazeres do primeiro mundo também se reuniu, e Lula estava lá presente e talvez tenha dito que o programa sexual brasileiro de combate à aids não é band-aid, e sim um programa duro, austero, penetrante.
É uma questão histórica o bem-estar do primeiro mundo, julgo, depois de ter passado pela primeira e segunda guerra mundial. Os gls sabem que terão que enfrentar mais do que duas guerras mundiais para que os preconceitos que caem sobre si sejam banidos de forma ampla, geral e irrestrita, mas o movimento está conseguindo esse tento. Estados Unidos e Europa, pelo que é divulgado na imprensa, essa onda de quadris é respeitada e cada vez menos despeitada.
O progresso econômico na China é veloz, moroso na democracia e mortal para quem assume sua condição homossexual. Movimento gay por lá é na base da guilhotina. Repito, o progresso econômico chinês vai chupando todo o mundo e as democracias ocidentais reforçam que a primazia é a transação comercial, que se dane se a china é um regime repressor. A China não dá pra ninguém: bolas.
O famoso Grupo Gay da Bahia é modelo brasileiro de que não tem o que esconder. Que Bento XVI com sua homilia boxeadora condene o homossexualismo em qualquer canto do mundo, menos nos quintais de suas abobadas celestiais; que os skinheads paulistas agressores de gays, nordestinos e negros pitibuem constantemente; que os falsos moralistas berrem... Mas os que se amam sob o véu do arco-íris estão gozando cada vez mais a expansão dos assumidos.
Leio agora no jornal que haverá uma parada gay, da parada, na Cidade Santa. Os gays de Israel não são diferentes, em termos de opção, de... Chuta aí uma cidade... Digamos, de qualquer cidade do interior do Piauí, do interior de Passo Fundo no Rio Grande do Sul, etc. A diferença é de que vão ter que enfrentar a comunidade ultra-ortodoxa judaica. O pau vai comer, o santo vai baixar. A manifestação terá um percurso de apenas 500 metros com 7.500 agentes.
Se a Ministra turista Marta Rocha do PT – que só não foi Ministra das Cidades, Favelas e Fazendas Dos Que Apóiam Lula porque tinha três centímetros a mais de coxa branca – tivesse pronunciado sua sentença aérea de ‘relaxar e gozar’ um pouco antes da Parada Movimentada do Orgulho do Retrato de Dorian Gray, certamente São Paulo recepcionaria os milhares de assumidos e os poucos sumidos gays de forma inusitada. Camas espalhadas nos aeroportos, beliches espalhados nas calçadas... e o sexo rolando solto na maior manifestação de Relações Públicas que um curso superior não imaginaria acontecer. Todos transando de forma e conteúdo libertinos, e até a rua Ypiranga cruzando com a Avenida São João, que com certeza gerou o Bexiga.
Edups.
sábado, junho 09, 2007
Operação Congresso Nacional
Esse título já diria tudo e não se precisaria de mais comentário, mas feito esse micro preâmbulo vamos ao mulambo.
Depois que o baculejo da Polícia Federal ingressou no Congresso Nacional, não há como regressar e deveria esgarçar aquelas agressões de grujas escamoteadas no carimbo da imunidade. Se o Presidente do CN é o empreiteiro da construção da corruptione - mama mia de mãos limpas! - porque a PF não dá carona com coronha em punho pra faxina geral? Seria a geléia geral que desfraldaria a bandeira omo total. Veneno de rato, criolina, gás paralisante, gás com pimenta são mais do que suficientes para se enfrentar os biombos dos hábeas corpus, tende piedade de cristo, impostos pelos que vêem mais do que dona Cega. O colete preto da PF está mais em voga do que a toga, onde também a PF deveria algemar o artigo cinqüenta e um sem direito a recurso-rexona.
O IBOPE bap-bip-zum! mostra linha vertical no gráfico sinalizando que a galera quer estar nas galerias do CN ao vivo para espremer aquele tumor, ver o bisturi adentrando as vísceras do voto secreto e jorrar pus nas telas e nas folhas da mídia. As provas cabais estão no dna de - apenas pelas ilustrações clássicas - donatários da Bahia Megalhães, no Maranhão Sarna, Maias e mais os hereditários netos e bisnetos. Eu tacho que o esculacho, a escrotidão, a usurpação, e tudo que é adjetivo e substantivo desse naipe, são exibidos nas fachadas da arquitetura patrimonial dessa classe desclassificada. Queremos ver verdade. Não importa a cacofonia dessa frase porque a PF deveria fazer com que todos fossem ouvidos e a saciedade da sociedade entendida, e não entediada.
A proceder assim, o senado – letra inicial minúscula mesmo - ficaria sem nada, minto, pois as exceções nadam contra essa maré e redemoinhos, quixotescamente. Bota exceção nas sessões! A cama da câmara – minúscula mais uma vez – já deveria estar pronta há muito. A possível rigidez desta crônica mostra que a situação é crônica, rima pobre, mas não dá para polir conselhos de éticas e comissões vinte por cento, percentual por baixo. Se gritar pega – no inconsciente todos sabem complementar a musiquinha popular, aposto – não haverá praticamente – sempre o cuidado das exceções – camburão e nem porão pra tanta gente fina. São eleitos que se fartaram do leite da sesta básica de brasileiros que não têm o básico escolar, se quer, para decodificar o voto eletrônico. Aos quatro cantos do mundo, todos basbaques, o resultado de uma eleição sai em quatro horas, mas não sabem que em quatro anos fica a babaquice sórdida do apego pelo poder na distribuição de cargos, do chefe de gabinete ao apertador de descarga da autoridade máxima, pois esta não quer melar o dedo com pouca coisa.
Na lista de impropriedades parlamentares, pode-se fazer fila indiana, e até mesmo certas vacas sagradas estão sujeitas a declarar sua propriedade – vai no singular mesmo – na receita federal. Todos têm receituário de escapar das malhas finas que tecem ternos da grife sobel da quinta avenida NY. Listar nome por nome, partido por partido, sigla por sigla, é cair na redundância de que não fica um. A origem parlamentar pode ser do meu Pi-a-u-í, como canta o mão-boba nada santa, à – escolhe aí qualquer Demo do demô – um carioca da algema. Lógico que neste caso não há exceção estadual.
O sonho de limpa-geral dos cara-pintadas esmaeceu no pesadelo estrelado do falso vermelho. Não há como não ficar emPuTecido. As estatísticas econômicas falam alto, mãos para cima, isto é um assalto, a bolsa de NY continua com vida saudável.
Edups
Depois que o baculejo da Polícia Federal ingressou no Congresso Nacional, não há como regressar e deveria esgarçar aquelas agressões de grujas escamoteadas no carimbo da imunidade. Se o Presidente do CN é o empreiteiro da construção da corruptione - mama mia de mãos limpas! - porque a PF não dá carona com coronha em punho pra faxina geral? Seria a geléia geral que desfraldaria a bandeira omo total. Veneno de rato, criolina, gás paralisante, gás com pimenta são mais do que suficientes para se enfrentar os biombos dos hábeas corpus, tende piedade de cristo, impostos pelos que vêem mais do que dona Cega. O colete preto da PF está mais em voga do que a toga, onde também a PF deveria algemar o artigo cinqüenta e um sem direito a recurso-rexona.
O IBOPE bap-bip-zum! mostra linha vertical no gráfico sinalizando que a galera quer estar nas galerias do CN ao vivo para espremer aquele tumor, ver o bisturi adentrando as vísceras do voto secreto e jorrar pus nas telas e nas folhas da mídia. As provas cabais estão no dna de - apenas pelas ilustrações clássicas - donatários da Bahia Megalhães, no Maranhão Sarna, Maias e mais os hereditários netos e bisnetos. Eu tacho que o esculacho, a escrotidão, a usurpação, e tudo que é adjetivo e substantivo desse naipe, são exibidos nas fachadas da arquitetura patrimonial dessa classe desclassificada. Queremos ver verdade. Não importa a cacofonia dessa frase porque a PF deveria fazer com que todos fossem ouvidos e a saciedade da sociedade entendida, e não entediada.
A proceder assim, o senado – letra inicial minúscula mesmo - ficaria sem nada, minto, pois as exceções nadam contra essa maré e redemoinhos, quixotescamente. Bota exceção nas sessões! A cama da câmara – minúscula mais uma vez – já deveria estar pronta há muito. A possível rigidez desta crônica mostra que a situação é crônica, rima pobre, mas não dá para polir conselhos de éticas e comissões vinte por cento, percentual por baixo. Se gritar pega – no inconsciente todos sabem complementar a musiquinha popular, aposto – não haverá praticamente – sempre o cuidado das exceções – camburão e nem porão pra tanta gente fina. São eleitos que se fartaram do leite da sesta básica de brasileiros que não têm o básico escolar, se quer, para decodificar o voto eletrônico. Aos quatro cantos do mundo, todos basbaques, o resultado de uma eleição sai em quatro horas, mas não sabem que em quatro anos fica a babaquice sórdida do apego pelo poder na distribuição de cargos, do chefe de gabinete ao apertador de descarga da autoridade máxima, pois esta não quer melar o dedo com pouca coisa.
Na lista de impropriedades parlamentares, pode-se fazer fila indiana, e até mesmo certas vacas sagradas estão sujeitas a declarar sua propriedade – vai no singular mesmo – na receita federal. Todos têm receituário de escapar das malhas finas que tecem ternos da grife sobel da quinta avenida NY. Listar nome por nome, partido por partido, sigla por sigla, é cair na redundância de que não fica um. A origem parlamentar pode ser do meu Pi-a-u-í, como canta o mão-boba nada santa, à – escolhe aí qualquer Demo do demô – um carioca da algema. Lógico que neste caso não há exceção estadual.
O sonho de limpa-geral dos cara-pintadas esmaeceu no pesadelo estrelado do falso vermelho. Não há como não ficar emPuTecido. As estatísticas econômicas falam alto, mãos para cima, isto é um assalto, a bolsa de NY continua com vida saudável.
Edups
terça-feira, junho 05, 2007
Roberto Renan Carlos Chaves
Depois que os fatos aconteceram e ninguém quer mais comentar, eu chego e boto o dedo. Quem de fato colocou o dedo na ferida foi o Betão, aquele que teve toda liberdade de expressão na repressão para criar suas canções sem ação política. Engajadas ou não, não vem aqui ao caso, ou vem, o fantasma da censura artística. Quantas notas musicais não foram distorcidas, quantas árvores foram decapitadas para virarem folhas mortas de livros no regime ditatorial brasileiro, e agora o rei quer mostrar as unhas de um negro gato de arrepiar censurando livro. Deus me livre, viva o Louvre, santuário da arte plástica. Inegável a plasticidade das músicas do Betão da primeira metade da carreira.
Para um rei, como o Betão, censurar, não pega bem. Prega mal quem apóia o fechamento de um canal de televisão venezuelano. A chave da questão é a censura. A chave de Betão é a intimidade invadida. A chave de Chaves é a oposição a seu corolário bolivariano. Não, corolário, não, é uma palavra esquisita. Esquisita é a justificativa de Renan em não querer revelar detalhes, não apenas das falsas notas musicais, digo, notas de mesada, como também de sua relação com os tratores da Mendes Juninho e Gautama de lama movediça. Será possível que, para esses homens os detratores são sempre os outros!
Relação sexual mal transada, perna quebrada e intimidade intimada, discurso sem curso comunicativo, tudo origina a uma censura sem mesura. E que tudo mais vá pro inferno não é justificativa, é ação infantil provocativa. Renan não quer largar a cadeira senatorial, Betão não irá largar as notas musicais, Chaves se recusa a ouvir Canção da América. As curvas da estrada de Santos estão nítidas apenas no violão que é a jornalista Mônica de corpo zeloso.
Sou do tempo do vinil e ecoou-me bastante o som e o sentido da robertomania nos namoricos na avenida Praça João Pessoa, de Cajazeiras, meu torrão natal, e o sarro que arranha a espanha – isto sim, ao sol tropical, sem lenço e nem documento - no cine pax do bispo e no gozo do cine Éden, o verdadeiro paraíso. Ô, Carlos Roberto, não inverta sua história!
Não é de se estranhar que políticos da seara da tropa de cheque daquele cara que agora retornou ao senado guardem segredo a sete chaves até a navalha da PFederal fazer a barba deles, mesmo tendo a sensação de que os togados irão liberar toda essa turma da pesada a peso de bons argumentos advocatícios.
O Papa se foi, mas o povo acredita que Jesus Cristo está aqui para falar pro homem lá de cima que a justiça divina um dia será feita. O óbvio é que essas desfeitas fossem resolvidas por aqui mesmo se o STJ, o STF e tudo quanto é Tribunal Superior estivessem um degrau a menos do Supremo Deus Todo Poderoso. Betão crê em Deus e ainda ama Maria Rita até a alma; Renan crê no Conselho de Ética do Senado até o corporativismo; Chaves acredita em Fidel Castro até... sei lá! Este pseudocronista não acredita em ninguém. No melhor de uma novela venezuelana Chaves corta o novelo do folhetim e provoca motins. Os estudantes são a tropa de choque dos protestos com esparadrapos nas bocas, e Renan faz um paredão com os membros de todos os partidos e ameaça retirar os bandeids dos ralos das empreiteiras paitrocinadoras de campanhas de todos os senadores, e todos batem o pé de que essa história já é um caso encerrado nos anais da Casa mãe Joana. Justiça seja feita, os senadores Thomas Jefferson Peres e Pedro Simon Bolívar dizem que isso não dá pé. Betão faz show no Canecão e bebe o vinho sagrado do sucesso em cálice, mesmo que muitos e muitos fãs acreditem que ele entornou o caldo no copo, ou do copo.
Edups. 04.06.07
segunda-feira, junho 04, 2007
MIooo
Desta vez Romário passou a navalha e cortou sem dó o pessimismo dos que estavam a lhe gargalhar. Foi tudo muito rápido, o baixinho botando a bola no pingo do pênalti e a galera da Gautama furtando aos milhares os reais fatos de apenas um mil do Peixe. Todo mundo querendo abraçar o baixinho dentro da rede abraçado à bola. A bola agora está com a Polícia Federal lançando a rede sob o time de assaltantes de cofres públicos. Romário arrombou a porta do Sport e foi ovacionado, a fatura sendo entregue pro goleirão, pelo menos em altura, do Leão dos Aflitos que chegou até a insinuar suborno ao baixinho – apenas em palavras – para que ele fizesse o milésimo no Maracanã e não no São Januário como era seu sonho. De forma incorruptível, Romá simplesmente rejeitou a proposta sem licitação do arqueiro sportense.
Esse milésimo foi um turbilhão que passou sob uma ponte na memória do atacante-mil. A memória romariana fez um retrospecto de toda sua carreira nesse instante eterno. Quantas pontes ele já não teve que passar por baixo e por cima, não as pontes da Gautama que não foram feitas e levavam todos a lugar nenhum. O assaltante da grande área agora está livre, com a consciência do dever cumprido, e, pelo que se saiba, nunca molhou a mão de alguém com alguma propina.
O gol mil da Polícia Federal foi comemorado por todos que ainda acreditam que se deve desacreditar dos que acreditam nessa raça de atacantes de cofres públicos. De forma política RomaRio não fez discurso à lá Pelé quando também de sua marca. Governador, ex-governador, deputado, funcionário público, todos se dizem inocentes. Pelé ofereceu seu gol milhar às crianças inocentes do Brasil, e ROmáRiO não se fez de inocente e agradeceu a familiares seu feito. Não há como inocentar essa gangue, mais uma vez, que quer fazer a família brasileira de inocente útil.
O arqueiro do Sport ficou algemado num canto enquanto a bola estava livre no outro lado da trave. Romáriu de satisfação, como todos nós que vimos pela tv o delírio que é vermos um segundo jogador brasileiro conseguir essa marca de milhar, como é a satisfação de sabermos que ainda há neste país uma instituição que trabalha séria, a PF.
Nos compêndios da história brasileira se verá que alguém fez história com o número mil, verá que alguém fez história policial com o número milhares de reais conseguido com traulitada na ética. Na tática o baixinho articulou ao longo dos anos uma marca. Nesse ritmo a Polícia Federal merece volta olímpica.
Não há como negar: os refletores, flashes, foram acionados para ROMArio, e ele queria mesmo ser fotografado e visto pelos quatro quantos queriam lhe fotografar. Em Brasília só se via mala fugindo das luzes da ribalta, querendo esconder seus milhares de reais escrito em suas testas. Vimos que tinha muito testa de ferro, e ferraduras, travas, não foram suficientes para o Peixe deixar de alcançar sua marca maior.
É um escândalo marcar mil gols, parece até fantasia; é um escândalo esses milhares de reais, parece até fantasia, mas é a pura realidade. Poucos conseguem mil, muitos querem milhares.
Edups.
domingo, junho 03, 2007
BENTO, ROMÁRIO, SOBEL
Vamos ver se agora com a presença do Papa no Brasil Romário recebe sua bênção para fazer seu milésimo gol. Mesmo com todos os momentos de arrogância que o baixinho já registrou vida a fora, Bento há de lhe perdoar com a condição de que ele, Bentinho, dê o ponta a pé inicial no jogo programado para o milésimo gol no santuário Maracanã. As trombetas anunciarão a condenação de Eurico Miranda por dez anos de prisão por ter praticado o bem. O bem mal-feito.
A romaria para ver o Papa, a Romaria pra se tentar entender o mistério porque esse milésimo deixa de ser milagre. Mas o dia da bola entrar na eucaristia futebolística chegará, e tudo estará sacramentado.
Só não estará sacramentado o pedido que o rabino Sobel fez ao Papa para lhe perdoar o sétimo mandamento - ou será o terceiro? Ou o quarto? Sei lá, só me lembro do primeiro, que é ‘amar a Deus sobre todas as coisas’, e o quinto, que é ‘Não Matar’. Sabe qual o motivo por que o Papa não lhe perdoara? Porque o Papa estava absorto na gravata do rabino e não o ouviu. Bentinho e todo mundo, ou seja, Recruta Zero, Tainha, Dentinho, Cuca, até o Otto, Roque, General Dureza e sua esposa Marta, etc, estavam concentrados naquela linda gravata verde. Pode até ser, digamos, aético, mas na minha cabeça e na de Bentinho e de todo mundo, aquela gravata era pura armâni.
Mesmo que seja de pênalti, valerá o milagre do peixe. Romário corre com a bola debaixo do braço e recentraliza-a na marca do pênalti. A onze metros do gol, segundo um dos mandamentos das leis da FIFA, a igreja do futebol, o Peixe tomará distância e o apito final será soado. Vou passar para o próximo parágrafo para deixar o provável leitor em dúvida em saber se eu vou dizer se o baixinho irá marcar o gol MILagrésimo.
Em Aparecida, o Papa eleva a óstia consagrada e todas as romarias presentes fecham os olhos e pedem perdão por seus pecados. Sobel não pediu diretamente perdão a Bento, não teve coragem direta como os romeiros confessam suas práticas recônditas. Romário não faz exame de consciência porque se considera um deus do futebol, não há pecado sobre a alma de sua bola. Aliás, Romário não faz nem exame de papa nicolau.
Elegantemente trajado, com sua armâni ofuscando o milésimo de Romário, Sobel ergue a bola aos céus e o Maraca inteiro ovaciona-o em coro: “juiz ladrão, juiz ladrão, deixa o rabino completar sua milésima gravata!”. Bento chuta a bola de bico e seu grito de gol é abortado pela galera vascaína. Romário abre sua batina e seus devotos no templo maior do futebol reza a frase estampada em sua camisa: “Deus já sabia. Deus é 1000”.
No dia seguinte o jornal La Observatório estampa: “Graças a deus, só faltam 955 gravatas para o Sobel completar seu milésimo gol!”. Não sei porque essa exclamação se a fala italiana é a própria exclamação. Observação à parte, a gravata, o aborto, o milésimo gol, conjugam o alimento espiritual da imprensa, repleta, como todos sabemos, de pecados veniais e mortais.
Aposentado, Romário curte no Posto Sete seu vôlei de praia, Bento retorna à sua rotina vatiuisque, ou melhor, vaticana, ou, digo, vativinho. Sobel, mesmo com a propaganda do bombril retornando à televisão não conseguirá limpar seu nome na Praça da Sé. Depois do alívio do milésimo, o Peixe agora só sabe cantar: “e que tudo mais, vá pro inferno!”.
Brasília-DF, 21 desmaio de dores mil sete.
A romaria para ver o Papa, a Romaria pra se tentar entender o mistério porque esse milésimo deixa de ser milagre. Mas o dia da bola entrar na eucaristia futebolística chegará, e tudo estará sacramentado.
Só não estará sacramentado o pedido que o rabino Sobel fez ao Papa para lhe perdoar o sétimo mandamento - ou será o terceiro? Ou o quarto? Sei lá, só me lembro do primeiro, que é ‘amar a Deus sobre todas as coisas’, e o quinto, que é ‘Não Matar’. Sabe qual o motivo por que o Papa não lhe perdoara? Porque o Papa estava absorto na gravata do rabino e não o ouviu. Bentinho e todo mundo, ou seja, Recruta Zero, Tainha, Dentinho, Cuca, até o Otto, Roque, General Dureza e sua esposa Marta, etc, estavam concentrados naquela linda gravata verde. Pode até ser, digamos, aético, mas na minha cabeça e na de Bentinho e de todo mundo, aquela gravata era pura armâni.
Mesmo que seja de pênalti, valerá o milagre do peixe. Romário corre com a bola debaixo do braço e recentraliza-a na marca do pênalti. A onze metros do gol, segundo um dos mandamentos das leis da FIFA, a igreja do futebol, o Peixe tomará distância e o apito final será soado. Vou passar para o próximo parágrafo para deixar o provável leitor em dúvida em saber se eu vou dizer se o baixinho irá marcar o gol MILagrésimo.
Em Aparecida, o Papa eleva a óstia consagrada e todas as romarias presentes fecham os olhos e pedem perdão por seus pecados. Sobel não pediu diretamente perdão a Bento, não teve coragem direta como os romeiros confessam suas práticas recônditas. Romário não faz exame de consciência porque se considera um deus do futebol, não há pecado sobre a alma de sua bola. Aliás, Romário não faz nem exame de papa nicolau.
Elegantemente trajado, com sua armâni ofuscando o milésimo de Romário, Sobel ergue a bola aos céus e o Maraca inteiro ovaciona-o em coro: “juiz ladrão, juiz ladrão, deixa o rabino completar sua milésima gravata!”. Bento chuta a bola de bico e seu grito de gol é abortado pela galera vascaína. Romário abre sua batina e seus devotos no templo maior do futebol reza a frase estampada em sua camisa: “Deus já sabia. Deus é 1000”.
No dia seguinte o jornal La Observatório estampa: “Graças a deus, só faltam 955 gravatas para o Sobel completar seu milésimo gol!”. Não sei porque essa exclamação se a fala italiana é a própria exclamação. Observação à parte, a gravata, o aborto, o milésimo gol, conjugam o alimento espiritual da imprensa, repleta, como todos sabemos, de pecados veniais e mortais.
Aposentado, Romário curte no Posto Sete seu vôlei de praia, Bento retorna à sua rotina vatiuisque, ou melhor, vaticana, ou, digo, vativinho. Sobel, mesmo com a propaganda do bombril retornando à televisão não conseguirá limpar seu nome na Praça da Sé. Depois do alívio do milésimo, o Peixe agora só sabe cantar: “e que tudo mais, vá pro inferno!”.
Brasília-DF, 21 desmaio de dores mil sete.
sábado, junho 02, 2007
MENGO SARKOZY
Finzinho da tarde para o início da noite, vou chegando em casa e ouço fogos e gritos de alegria por todos os lados. Peraí, a Copa do Mundo num já acabou? A euforia parecia com a daqueles palestinos dando tiros de metralhadora para o alto comemorando a morte de mais um ilustre inimigo.
De um carro, dirigido por uma loiraça bonitona, um marmanjo bota a cabeça para fora e berra com todas as forças que seus pulmões lhe permite e não: “Mengoooooo!!!!!, Mengooooo!!! Mengooooo!!! O Flamengo acabara de ser consagrado campeão carioca de dois 1000 e vii.
Pombas, se aqui em Brasília a euforia estava desse jeito, imagino eu como não estaria por esse interiorzão brasileiro. Fiquei até imaginando em Cajazeiras, minha terra natal, que tem uma grande torcida organizada rubro-negra, e também uma cruzmaltina, a passeata de carros pela cidade com os bravos torcedores flamenguistas tremulando suas bandeiras com muito mais entusiasmo do que se fosse uma vitória da seleção brasileira em uma Copa do Mundo.
Em termos de adrenalina, manifestação visceral, a nação rubro-negra só perdeu, nessa noite, para a revolta dos suburbanos parisienses pela vitória do aparente herdeiro de Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, que derrotou a socialista Ségòlene Royal. Hoje de manhã ouvi no noticiário de tv que foram incendiados 700 carros. Já imaginou, caro leitor, se o jogo Botaágua x Flamento tivesse sido em Paris, poderíamos dizer literalmente Paris Era Uma Festa, e lamentaríamos por Ernest Hemingway não estar lá como correspondente de guerra.
Só sei que as camisas flamenguistas que estavam mofadas, sujas, amarrotadas, encardidas, não importam o estado em que elas estejam, serão desfraldadas nos pontos de ônibus, repartições públicas, colégios, nos ônibus, em qualquer lugar veremos um pouco de vermelho nas janelas dos apartamentos, casas e nos botecos. O júbilo de uma nação particular será estampado nas capas dos jornais brasileiros. Já o vermelho socialista francês dá pra se saber o seu rumo? A França começa a jogar um novo esquema tático pró-globalização? As manchetes do Liberrachón e do Lê Figarrô o que dirão? Como os cientistas políticos interpretarão essa derrota socialista francesa? Como os cientistas futebolísticos Juca Kfuri, Tostão, Armando Nogueira, Calazans, analisarão esse título social rubro-negro?
A bola rolando naquele gramado verde do Maraca e o torcedor não-menguista - não me venham negar - assistindo o jogo do Fla, mas com jeito de quem vai dizer de que não perde tempo vendo aqueles timecos cariocas jogando. Será que nem mesmo os partidários verdes franceses tiveram força para dar um pouco de pulso a Royal? O PV é apenas uma sigla no cardápio da democracia francesa, um sonho, ou uma utopia? Vamos ver como será o esquema tático de Sarkozy junto à França, à Europa e ao resto do mundo. Sarkozy, como será que ele irá jogar? E o Fla conseguirá manter essa chama vencedora por quanto tempo? Platini irá ser convocado pra seleção de Sarkozy?
Brasília-DF, vii de maio de 2007.
De um carro, dirigido por uma loiraça bonitona, um marmanjo bota a cabeça para fora e berra com todas as forças que seus pulmões lhe permite e não: “Mengoooooo!!!!!, Mengooooo!!! Mengooooo!!! O Flamengo acabara de ser consagrado campeão carioca de dois 1000 e vii.
Pombas, se aqui em Brasília a euforia estava desse jeito, imagino eu como não estaria por esse interiorzão brasileiro. Fiquei até imaginando em Cajazeiras, minha terra natal, que tem uma grande torcida organizada rubro-negra, e também uma cruzmaltina, a passeata de carros pela cidade com os bravos torcedores flamenguistas tremulando suas bandeiras com muito mais entusiasmo do que se fosse uma vitória da seleção brasileira em uma Copa do Mundo.
Em termos de adrenalina, manifestação visceral, a nação rubro-negra só perdeu, nessa noite, para a revolta dos suburbanos parisienses pela vitória do aparente herdeiro de Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, que derrotou a socialista Ségòlene Royal. Hoje de manhã ouvi no noticiário de tv que foram incendiados 700 carros. Já imaginou, caro leitor, se o jogo Botaágua x Flamento tivesse sido em Paris, poderíamos dizer literalmente Paris Era Uma Festa, e lamentaríamos por Ernest Hemingway não estar lá como correspondente de guerra.
Só sei que as camisas flamenguistas que estavam mofadas, sujas, amarrotadas, encardidas, não importam o estado em que elas estejam, serão desfraldadas nos pontos de ônibus, repartições públicas, colégios, nos ônibus, em qualquer lugar veremos um pouco de vermelho nas janelas dos apartamentos, casas e nos botecos. O júbilo de uma nação particular será estampado nas capas dos jornais brasileiros. Já o vermelho socialista francês dá pra se saber o seu rumo? A França começa a jogar um novo esquema tático pró-globalização? As manchetes do Liberrachón e do Lê Figarrô o que dirão? Como os cientistas políticos interpretarão essa derrota socialista francesa? Como os cientistas futebolísticos Juca Kfuri, Tostão, Armando Nogueira, Calazans, analisarão esse título social rubro-negro?
A bola rolando naquele gramado verde do Maraca e o torcedor não-menguista - não me venham negar - assistindo o jogo do Fla, mas com jeito de quem vai dizer de que não perde tempo vendo aqueles timecos cariocas jogando. Será que nem mesmo os partidários verdes franceses tiveram força para dar um pouco de pulso a Royal? O PV é apenas uma sigla no cardápio da democracia francesa, um sonho, ou uma utopia? Vamos ver como será o esquema tático de Sarkozy junto à França, à Europa e ao resto do mundo. Sarkozy, como será que ele irá jogar? E o Fla conseguirá manter essa chama vencedora por quanto tempo? Platini irá ser convocado pra seleção de Sarkozy?
Brasília-DF, vii de maio de 2007.
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