De dentro do canavial fui retorcendo os fios das barbas de Fidel Castrado, hastes flexíveis, brancas, contrastando com o mar verde da plantação ideológica de cana-de-açúcar dos idos sessenta, e esgueirei-me pela tangente inevitável do discurso da globalização em contraposição a seus ex-discursos de há dois mil anos atrás, de duração de dez horas - e o tempo não pára, meus ídolos cubanos todos morreram de overdose de néctar. Sim, ele está ilhado na alcova lavando as mãos do socialismo utópico - renitente no secular traçado de Niemeyer, estatueta do Oscar da arquitetura moderna - na cuba de sua suíte e sua elite governamental, suíte esta negada ao restante da população. Está fácil foiçar o moribundo fidelíssimo ao socialismo nas navegações da era digital em contraste com a navegação das balsas rumo ao capital imperial. As ondas da rádio cubana nos Estados Unidos em torno de Barack - uma ilha negra na história política norte-americana - conta com os votos dos sem cana da América Central da questão do consumismo liberado, do celular ao computador mas sem poder de compra e sem internet, porque de cem em cem o contraste da massa dos sem salário não alcança a banda larga da banda podre dos privilegiados em torno do poder que viu a banda passar cantando coisas de amor à revolução da janela dos quartos do hotel para turistas. A abertura do casto Raul está distante de raspar a crosta castrense. Cana pra quem ainda discorda que a cana é o símbolo da resistência agrícola, mas já iniciando a diversificação como manda o figurino do be-a-bá do capitalismo internacional, capital Washington, França, Oropa e Bahia. O murro do boxeador fugitivo atravessou as páginas do Granma em busca da grana escassa e das havaianas pé na bunda de Havana. No princípio da revolução o sonho estampado na camiseta do rosto de Jesus Cristo Guevara, barba engolida na fina estampa do modismo na vitrine Daslu parisiense, Buenos Aires e Cajazeiras-PB, um rosto esculpido no marketing da capital americana, Washington Olivetto da WBrasil, uma barba no peito dos imberbes soy loco por ti América Sport Club, time de primeira divisão na então guerra fria inexistente nos morros cariocas, Rússia x EUA, e Drummond cantava a pedra polida da poética a ‘bomba é russamericanenglish’. Hoje já não mais existe bomba ideológica como mandava o modelito, os eflúvios direita x esquerda mata muito mais na contramão do trânsito, na industrialização desenfreada das montadoras que desmontaram o sonho socialista e montaram a aspiração do último modelo do salão do automóvel. Mamãe, eu quero ir pra Cuba, transar com as prostitutas do socialismo moreno, orgasmar o doce mel da cana caiana em dólares, moeda do câmbio paralelo às virtudes do prazer do Hotel Internacional liberou geral, quero sorver em copo de cristal dose dupla de cuba libre na Bodeguita lendo Hemingway, mesmo atrasado meio século de pura espera por esperar a queda do muro de Berlim de Sierra Maestra. Mas por trás do paredon pulsa a alma de um povo ainda adormecido, a espera da mortalha do comandante, que não mais vale a pena se discutir com a figura caquética, a não ser Caetano Veloso, que discute até com a mosca da sopa. A vasta barba biográfica do caudilho repousa nos arquivos dos jornais mundiais a espera da manchete: “Povo cubano dança rumba com açúcar e com afeto”, e as carpideiras Aldos Rabelos e petralhas chorarão o companheiro verde-oliva como o homem do século passado, há muito já passado, para a esquerda de hoje que era de direita, não para a esquerda de ontem hoje de direita, mas todos destros na falcatrua do capital karlmarxiano. Vou ler Gutierrez ao som da orquestra Românticos de Cuba na Super Rádio Brasília FM e telefonar para a embaixada cubana pedindo que apresse os funerais da mamãe grande. Será que Gabriel Garcia Márquez biografará o general em seu labirinto ou escreverá um belo artigo sobre o enterro do diabo que incendiou mentes e corações desavisados?