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terça-feira, setembro 25, 2007

Fatos

60 bandidos brandiram suas armas e detonaram, literalmente, uma empresa transportadora de valores políticos falsos em brasília chamada senado e levaram cerca de 170 milhões de votos, mas não levaram, o objetivo maior, os renazistas, retifico, os renanzistas, que depositaram seus votos no painel pinel eletro eletrônico do ponto frio bonzão. Foi o maior assalto a uma empresa no capital do detrito federal em represália a absorção da absolvição de renan cangaceiros, sem contar o tumulto no túmulo do senado. O ex carbonário gabeira deu um soco no presidente em exercício de matemática, fazendo as contas pra calhairos ganhar, tião viurenan, e nunca viu ana. Depois o 68 se desculpou e beijou judas iscariotes, pois não aprendera a socar como felipão, bom de soco em jogador adversário. Para os analistas o que houve foi uma vitória de pirro e a casa alta, a casa do povo, ficou com a imagem digital arranhada pra ser inaugurada primeiramente em são paulo, berço da maior fatia publicitária, e onde a banda larga tem a maior concentração rivalizando com o bando estreito de renan. Sabedor do consagrado sangrado resultado renan ligou pra lula pra lhe agradecer o apoio, mas a linha estava ocupada com o trem que passava pela favela jacarezinho, zona norte do rio de janeiro, com dois ministros a bordo que foi abordado por uma bordoada de balas festivas em comemoração a vitória de renan, por grupo de bandidos aliados dele. A mulher de renan, adulterada em seu casamento pela adúltera mônica gostoso, obrigou o marido traidor, dizem que mais politicamente do que familiarmente, a participar de um culto evangélico celebrado pelo o bispo estevam hernadez e a bispa sônia. Sabemos que a dupla renasce em telões com suas digitais impressas direto de uma prisão dos estados unidos do norte. As palavras bíblicas dos sagrados corações de jesus episcopais, da dupla sertaneja espiritual hernandes e sônia, reconfortaram a convicção bíblica de renan de que seu gado é tão sagrado quanto os dólares da dupla santa, que estavam dentro de uma bíblia por engano de deus. Os escândalos na política brasileira ressoam como o tenor Pavarotti (único que esse texto permite maiúscula), que agora tocará as trombetas vocais celestiais, e, para dar um basta a essa cacafonia ética, lula deveria convocar o estrategista goiaba mangabeira unger, de nacionalidade norte-americana – o amorim, ministro de relações exteriores aos escândalos interiores faria a tradução das falas de cajueiro, digo, mangabeira, já que ele, bananeira, digo, mangabeira, não fala nem português nem inglês aqui no brasil – para viabilizar a contratação, com licitação, da zaga do são paulo futebol clube, já que ela não deixa passar nada, nem uma nesguinha de bola furada. Rogério airton senna do brasil, que não derrapa debaixo dos três paus, deveria presidir todas as comissões para barrar todas as comissões que correm por debaixo das redes, sombra e água fresca dos parlamentares. Talvez, quem sabe, oxalá, vamos ver, tudo é possível, aí então, teríamos a expectativa de aparecer inesperadamente caminhos ainda não revelados pela geografia política. Haveria esperança para repaginarmos nossa história. Sabedores e sofredores que somos da atual situação política, um reverso no bonde da história só ocorreria quando os bisnetos de nossos netos escarrassem vírus nas urnas eletrônicas para travar o sistema da falsa democracia eletrônica e destravassem os genes éticos de uma sociedade mais justa e solidária, como a atual raça de traça política gosta de apregoar a cada quadra eleitoral. É assim que fico, conjeturando a esmo, sem beira nem eira, quando pego o sol com a mão e esfrego na lua, arranhando o céu com faíscas, pura iscas para deus abençoar a terra de santa cruz. Deus de lá, lá do céu infinito, repleto de alegria, eu de cá pelas mesas de bares acadêmicas regadas de copos etílicos de verborragia, cavoucamos saídas históricas pro brasil.

domingo, setembro 16, 2007

Jesus morreu alcoolizado

Hoje engoli uma montanha de matas ciliares e passei o dia arrotando ongs ecológicas escatológicas. Minha flora intestinal carecia de adubo mecanizado, já que ela só aceita produtos processados pelo processo penal capitalista de lucro em larga escala musical levado na flauta. A cada arroto sinto um gosto acre de peões expulsos de canaviais, que por sua vez também foram expulsos dos hectares patronais sanguessugas de origens. Se esses escravos ainda existentes na pós-modernidade agrícola mecanizada correrem, o bicho-papão católico evangélico comem com açoite de bíblia no espinhaço da alma, e se ficarem à pátria livre morrem pelo Brasil em adubo inps. O mar canavial prolifera às custas do combustível na boca do tanque do gol que não se embriaga com quinze quilômetros por litro, encharca a marcha na primeira o caos urbano, o rádio ligado na emissora notícias vinte e quatro horas, reportagem especial em som estéreo que o pó preto da casca da cana abastece os pulmões dos canavieiros, distantes do ‘açúcar com afeto em seu doce predileto’ e do sonho musical sociológico dos buarques. Um-ponto-zero, zero quilometro, zero cal. As vestes negrumes, mulambentas, dos cortadores zero à esquerda que chegou ao poder e amargou o sonho dos sem teto sindical, pegos pelos atravessadores gatos, capatazes posicionados na segunda linha de montagem da lavoura escravocrata. A cotação do barril de petróleo sangra o fundo do mar, o barril de álcool abastece a bolsa de valores dos senhores de engenho. No botequim a turma do funil bebe a do santo numa golada, pede a deus e nossa senhora a proteção divina, na esquina mija no poste, indo trôpego ao barraco dançando ao vento como um pé de cana. A historiografia sociológica já radiografou o canavial brasileiro e o pulmão do canavieiro, a classe capitalista e a massa amassada proletária; a literatura já retratou o ciclo da cana de açúcar. Esta semana, na usina Moreno, em São Paulo, um bóia-fria, Edílson de Jesus, boiou por excesso de esforço no corte. Se cortou-se, e se mais se houvesse mais corte houvera. O atestado de óbito aponta trombocitopênica idiopática. Tradução: a legislação trabalhista e a fiscalização das autoridades o cortaram. O nó da cana não dá cana pro patrão, o nó górdio fica com a bóia do bóia. De 2004 até hoje vinte e dois Jesus beberam caldo de cana, o vinho dos sete palmos. Jesus foi crucificado numa pequena nota em pé de página dos jornais, engordando estatísticas e teses de doutorados que mofarão na última prateleira da última estante da primeira biblioteca acadêmica anêmica. Enquanto isso, Lula, adepto e adptado ao álcool, prega o biocombustível aos quatro ventos, quer alcoolizar a frota de automóveis mundial. Bush quer o álcool que sai do milho, Fidel não quer nem um nem outro, cabeça de biloto. A mecanização dentro das próximas décadas extinguirá a classe dos bóias-frias, e aí não haverá mais mortes no corte, mas haverá corte social dessa classe que será colhida pelas colheitadeiras da agricultura pós-pós-moderna. O bóia-fria, mão-de-obra barata, virará barata nos esgotos da avenida paulista de qualquer cidade. Biscateiro virará profissão, a agilidade da mão no corte de cana, cortará a mão de quem não der uma mãozinha pelo o amor de deus. Em cana, o delega degola o bóia com a pena do artigo penal: não adaptação rumo ao primeiro mundo. A pauta de exportação brasileira terá o carro-chefe movido a álcool. Jesus morreu crucificado na cana de açúcar amargosa para salvar a indústria alcooleira, para dar conforto na estabilidade da paridade do dólar com o real da situação financeira longe dos tremores do mercado imobiliário norte-americano. Jesus morreu sem teto, sem teta estatal, sem tato pra modernização, sem tutu pro caixão. No próximo posto abasteço meu gol, no próximo bar abasteço-me, na próxima safra o Brasil será recordista de sacana, no próximo século o país se basta no primeiro mundo.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Língua

Já sou analfabeto, beta a ba, em nosso português escorreito e agora querem consertar a lápis o idioma de Camão, singular de Camões, na era da tecla. Além da questão gráfica, impressa, a mecânica do teclado entrará no rol da temática da gramática dos noves fora países lusitanos. É por isso que São Paulo se antecipou e criou o Museu da Língua Portuguesa, e já preparou o sarcófago dos acentos que estão no corredor da morte. Teremos um esperanto português? Teremos uma gramática como um peixe sem espinha que até um bebê de touca poderá mastigá-la sem cagar regras? Um inglês luso? Reforma logo agora que os concretistas completam cinqüenta anos de cimento, areia e ferro? Os Campos e os Pignataris continuarão espalhados nas mentes e folhas poéticas, gerações em vivavaia, o som e o sentido subindo e descendo andaimes na estrutura lingüística dos edifícios e efácios. Caetano Veloso, que tem língua fátria, mátria, envergará o agudo em notas pátrias musicais, uis e ais? E a crise da crase, cruza o arquétipo da nova língua? A crase, gulag segundo Gular, é um poema sujo pra muitos, e se ela se despedir, já vai tarde se despir. Phoda-se a reforma. A radicalização da língua enroscando no beijo de telenovela é o desejo da platéia de todas as vertentes, no merchandising nivelado da nova novela velada das oito. O acento diferencial não alterará o sotaque da alfabetização teledramatúrgica. A ABL – Academia Geriátrica Brasileira de Letras de Câmbio – quer disseminar o padrão global lingüístico da última flor do laço amarrando a linguística com linguiça, aqui já sem temer o trema. Essa reforma é a última do português? Do cume do monte pascoal, Pasquale Cipro Neto, dissecador dos glaucomas de nosso idioma, dá a grita contrário e agita a polêmica, anêmica para uns, instigadora para tantos, no entanto Padre Vieira quando pegou o mouse e riscou nas areias das praias baianas, ninguém soube se ele escrevera em português português ou português brasileiro, tendo em vista que Sarney, dono de um tamborete na ABL, rufou os tambores maranhenses que agitou as ondas, deletando assim o escrito do jesuíta, ocorrendo até hoje essa dissidência no sinal diacrítico. É bom fechar um parênteses sobre, segundo a mitologia grega, o Maranhão é o estado brasileiro que melhor fala e escreve o português, requisitos não suficientes para a literatura de Sarney se azulejar. Mas o Maranhão é o sucinto Gular e o prolífero Josué Montello, esses sim, ressonadores dos tambores do Maranhão. Mas dizem que a reforma ortográfica agora vai ou racha na tacha do mercado editorial. Quem não chora e Mia Couto é a favor. No Brasil ele está vendendo feito água, se esbaldando. Na imprensa brasileira o destaque sobre essa ziquizira, quiriquiqui, blablablá é o confronto Brasil x Portugal. Onde meter o Cabo Verde, onde está o Príncipe São Tomé, em que ângulo está Angola, ninguém vê a Moça bique, está havendo uma distancia abissal com a Guiné, há o que temer com o Timor de qualquer quadrante? Dizem que essa sopa de letras geográficas confluirá para a monolíngua cultural, política e histórica. Sei não, conceição. Antonio Houaiss, antes de deus convidá-lo a elaborar o dicionário universal, é que deu o pontamão inicial dessa firula ortopédica gramatical, e de lá de cima está olhando sobre os ombros da contenda a tática do assentir o assento do acento. Talvez essa reforma chegue tarde, ou não importe, pois uma nova língua já está em curso histórico. É o ritmo internético sincopado do vc, tb, bj, etc., é o futuro condensado no hd neurolingüistico de nosso pc cerebral, gugu, dada. Sou a favor e sou contra, muito pelo contrário, o importante é que nada disse, disso tenho certeza: nada afetará meu poeta maior Carlos Drummond Bandeira Quintana e de qualquer quintanista que não dê bandeira. Essa trindade poética supera qualquer acentuação porque ela é o diferencial. De frente ou de ré, boa ou má, essa reforma não nos suprimirá do reformatório engradado da gramática.