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sábado, junho 30, 2007

PARAÍBA - II

Mesmo antes de Pelé e Romário terem conseguido seus milésimos gols Dom Pelé já invadia a grande área da ditadura brasileira e se destacava no cenário nacional dando de bandeja a pelota para os deserdados encherem o pé e fulminar o gol. Todos, Josés e Marias, de pires em mãos recebiam a solidariedade de Dom Pelé.
Estou falando isso simplesmente porque recebi um afago de minha memória que foi buscar em meus arquivos neuroniais adolescente sua imagem. Fui acalorado pelo sol de João Pessoa que me solicita a ingerir o cálice da saudade, não com vinho sagrado, mas com cevada transformada em teor boêmio.
De outro ângulo da mesa do bar vislumbro a penumbra de um Anjo Augusto, esparramando vocabulário escatológico sobre os torrões rachados da última seca do sertão, inspiradora, não apenas das lágrimas da bagaceira, mas do escárnio que ela provoca na alma, na lama humana. O escarro, meu amigo, que vem da boca... Chamei o garçom e pedi uma branquinha pra lavar a ãnima.
Muito da música paraibana, do Brasil também, tem um Zé que deu o norte, que deu muito baile em Cajazeiras-PB sob as luzes de lampião. Próximo ano será o centenário de seu nascimento e Cajazeiras, sua origem, já pensa nos festejos e lampejos. É o Zé que participou do clássico O Cangaceiro, de Lima Barreto, uma das maiores fitas nacionais de sucesso internacional. Ôlê mulé rendêra, eu me ensino a prezar a minha memória pbana e tu, provável leitor, procura te ensinar a tua. Lampião desceu a serra, e tu, amigo regional, descerras a tua e bebes o gás florescente do teu lampião. Tudo bem, na era da internet, penetre o gás néon, as fibras óticas, ou sei lá que circuitos de robóticas.
“Papa rabo!”. Era um menino de engenho gritando prum doidinho que ia passando pela calçada do bar em que eu destilava. Até nas capitais os urbanóides não dispensam um varrido de rua. Zé Lins rega meu copo vazio de etanol e cheio de ternura interiorana. Craque da literatura a bola flamenguista rolava nos gramados do engenhoso Zé Lins. Era um Xiko Buark tricolor.
Abanado pela memória de meus dezessete anos quando li Menino de Engenho vi as canas serem moídas, vertendo o caldo da nostalgia. Em adulto tento soletrar o ciclo canavieiro ou o estruturalismo rural no discurso fílmico de Walter Lima.
No aeroporto Castro Pinto, já de volta a Brasília, de ofício cidade colada à trituração polititica da esplanada, vejo ao longe outro Zé, uma montanha de talento, o Dumont. Quantos e quantos homens Brasil afora viraram suco e eu aqui, dedilhando o balcão da lanchonete, bebendo suco de laranja, ressentido pela ausência de um caldo de cana caiana. Sacanas, aeroporto também é xóping, lojas assépticas globalizadas.
No pátio interno da EPA – Cajazeiras-PB - a gurizada cantava o hino nacional. Ninguém se importava, graças, mas a milicada de plantão dizia que a solução brasileira era exportar para sair de sua dependência. EPA! Escola Pedro Américo, que pintou o Grito de Independência, um clássico que Jaguar, o cartunista, borrou em charge com agudeza histórica contextualizada na esbórnia ipanepasquim. Mas é um paraibano da escola clássica pictórica com pinceladas retóricas.
Referenciei os mestres, mas sei que há, houve, haverão, em outros verões, tantos zés, tantos pedros, tantos joões, marias, antonios, etc. a banhar de talento esse solo na ponta do seixas do mapa nacional.Literatura, música, artes plásticas, teatro, cinema, personalidades... Esse é o quadro paraibano que sou instigado pelo afeto geográfico que emana de uma semana em John Person.

domingo, junho 24, 2007

Paraíba - I


Semana passada estive em João Pessoa, fui à formatura de minha sobrinha/afilhada Pepé, curso de enfermagem. Fico doente de paixão mais ainda quando piso o solo és mãe, gentil, estado amado, Brasil.
Chamei Pepé e me dispus a ser cobaia para ela ver minhas veias culturais abertas da América paraibana. Já estava degustado de cevada gelada e solicitei que auscultasse meu coração rasgado, e sei que não tenho o talento de paulo pontes de safena mas fui alimentado em minha formação genética de angu com leite, tapioca, rapadura...
Pepé veio medir minha pressão e ela constatou que o mundo louco do poeta Zé Limeira, poeta do absurdo, está impregnado em meu estado febril textual (pretensão falsa, só pode ter sido o efeito etílico).
Que a gramática acadêmica e minhas duas graduações sejam jogadas num riacho doce, mas antes elas sejam enroladas como um rolo de fumo de maica boró. Até porque eu nunca preguei na parede esses diplomas recheados de filosomia, filanlumia e pilogamia.
Quem quiser saber o significado dessas palavras se dispam de seus mestrados e doutorados e se aventurem na rima de Zé Limeira, onde as palavras ganham lima, e quem se assustar com seu estilo encantador tome logo água com açúcar que a dor não vai passar. Ficará estático com a estética dos garranchos da caatinga.
Vou à banca de jornais e vejo que tudo quanto é periódico tem suplemento pelos oitentanos de Suassuna. Constatei também que as folhas sulinas se renderam ao paraibano que teceu as rendas da pedra angular do reino divino maravilhoso. Engoli de uma talagada só a União do Correio do Norte e, pra não quebrar a regra, dei uma goipada de sopa de letrinhas no pé do balcão de um boteco inchado de pés inflamados, que me deu toda liberdade de naufragar a esmo pelo mundo destambocado limeiriano.
Tio Dudu, falou Pepé, ainda tem os jornais do galo de Campina Enorme e dos Arrecifes pra você se atualizar com o país de são saruê. Minha filha, respondi-lhe, você não sabe como nasce um cabra da peste, sabe não? Eu dou conta de me informar de tudo quanto é bagaceira almeidiana. Se eu me cansar, não me aplique meisinha não, reze umas orações de Frei Damião porque eu num tô afim de ser um cabra marcado pra morrer não, ouviu, minha menina? Ou se não, tasca umas canções de Vital Farias e Faz, Cátia França Portugal e Paris...
Lembrei-me que estou num mundo globalizado e por isso vejo muita moto pelas ruas de João Pessoa. Onde estão os jumentos? Onde estão aqueles toletes de titica da jumentada no meio da rua? (Não me contestem, aqui em Brasília todo dia os catadores de papelões passam ao lado do Congresso Nacional com suas carroças puxadas por burros). Num bar próximo ao Hotel Tambaú vejo reunidos dezenas e dezenas de motoqueiros profissionais, uma trupe de estradeiros, coletes acaveirados.
João Pessoa não é Cajazeiras, minha terra, que não é São José de Piranhas, que não é Monte Horebe, que não é o Sítio Rita, que é a origem de meus pais. O mundo globalizado engoliu Taperoá nos pixels super coloridos da Globo, mas graças a meu Padim Ciço e aos rosários tirados por Frei Damião o impressor Gutemberg salvou o papiro de Ariano.
Pare de beber tanto na fonte cultural paraibana, tio Dudu, advertiu minha sobrinha, você vai ficar bêbado e perderá minha festa do baile de formatura. Respondi-lhe que qualquer gramatura literária, musical – paraibana - etecétera e tal, será minha cachaça vital.Edups. 21.06.07.

quarta-feira, junho 20, 2007

Orgulho da parada G-8



Em São Paulo mais de trezentos mil gêeleesses se reuniram semana retrasada para mostrarem ao mundo que a opção para se apaziguarem é uma questão de furo íntimo, como disse certo cronista que não lembro-me seu nome agora, enquanto na Alemanha os sete mais resolvidos e a Rússia, se fecharam em copa numa cúpula para uma cópula anual. Paralelo a esse bacanal dos ricões o G-5, grupo de fundidos querendo alcançar os prazeres do primeiro mundo também se reuniu, e Lula estava lá presente e talvez tenha dito que o programa sexual brasileiro de combate à aids não é band-aid, e sim um programa duro, austero, penetrante.
É uma questão histórica o bem-estar do primeiro mundo, julgo, depois de ter passado pela primeira e segunda guerra mundial. Os gls sabem que terão que enfrentar mais do que duas guerras mundiais para que os preconceitos que caem sobre si sejam banidos de forma ampla, geral e irrestrita, mas o movimento está conseguindo esse tento. Estados Unidos e Europa, pelo que é divulgado na imprensa, essa onda de quadris é respeitada e cada vez menos despeitada.
O progresso econômico na China é veloz, moroso na democracia e mortal para quem assume sua condição homossexual. Movimento gay por lá é na base da guilhotina. Repito, o progresso econômico chinês vai chupando todo o mundo e as democracias ocidentais reforçam que a primazia é a transação comercial, que se dane se a china é um regime repressor. A China não dá pra ninguém: bolas.
O famoso Grupo Gay da Bahia é modelo brasileiro de que não tem o que esconder. Que Bento XVI com sua homilia boxeadora condene o homossexualismo em qualquer canto do mundo, menos nos quintais de suas abobadas celestiais; que os skinheads paulistas agressores de gays, nordestinos e negros pitibuem constantemente; que os falsos moralistas berrem... Mas os que se amam sob o véu do arco-íris estão gozando cada vez mais a expansão dos assumidos.
Leio agora no jornal que haverá uma parada gay, da parada, na Cidade Santa. Os gays de Israel não são diferentes, em termos de opção, de... Chuta aí uma cidade... Digamos, de qualquer cidade do interior do Piauí, do interior de Passo Fundo no Rio Grande do Sul, etc. A diferença é de que vão ter que enfrentar a comunidade ultra-ortodoxa judaica. O pau vai comer, o santo vai baixar. A manifestação terá um percurso de apenas 500 metros com 7.500 agentes.
Se a Ministra turista Marta Rocha do PT – que só não foi Ministra das Cidades, Favelas e Fazendas Dos Que Apóiam Lula porque tinha três centímetros a mais de coxa branca – tivesse pronunciado sua sentença aérea de ‘relaxar e gozar’ um pouco antes da Parada Movimentada do Orgulho do Retrato de Dorian Gray, certamente São Paulo recepcionaria os milhares de assumidos e os poucos sumidos gays de forma inusitada. Camas espalhadas nos aeroportos, beliches espalhados nas calçadas... e o sexo rolando solto na maior manifestação de Relações Públicas que um curso superior não imaginaria acontecer. Todos transando de forma e conteúdo libertinos, e até a rua Ypiranga cruzando com a Avenida São João, que com certeza gerou o Bexiga.
Edups.

sábado, junho 09, 2007

Operação Congresso Nacional

Esse título já diria tudo e não se precisaria de mais comentário, mas feito esse micro preâmbulo vamos ao mulambo.
Depois que o baculejo da Polícia Federal ingressou no Congresso Nacional, não há como regressar e deveria esgarçar aquelas agressões de grujas escamoteadas no carimbo da imunidade. Se o Presidente do CN é o empreiteiro da construção da corruptione - mama mia de mãos limpas! - porque a PF não dá carona com coronha em punho pra faxina geral? Seria a geléia geral que desfraldaria a bandeira omo total. Veneno de rato, criolina, gás paralisante, gás com pimenta são mais do que suficientes para se enfrentar os biombos dos hábeas corpus, tende piedade de cristo, impostos pelos que vêem mais do que dona Cega. O colete preto da PF está mais em voga do que a toga, onde também a PF deveria algemar o artigo cinqüenta e um sem direito a recurso-rexona.
O IBOPE bap-bip-zum! mostra linha vertical no gráfico sinalizando que a galera quer estar nas galerias do CN ao vivo para espremer aquele tumor, ver o bisturi adentrando as vísceras do voto secreto e jorrar pus nas telas e nas folhas da mídia. As provas cabais estão no dna de - apenas pelas ilustrações clássicas - donatários da Bahia Megalhães, no Maranhão Sarna, Maias e mais os hereditários netos e bisnetos. Eu tacho que o esculacho, a escrotidão, a usurpação, e tudo que é adjetivo e substantivo desse naipe, são exibidos nas fachadas da arquitetura patrimonial dessa classe desclassificada. Queremos ver verdade. Não importa a cacofonia dessa frase porque a PF deveria fazer com que todos fossem ouvidos e a saciedade da sociedade entendida, e não entediada.
A proceder assim, o senado – letra inicial minúscula mesmo - ficaria sem nada, minto, pois as exceções nadam contra essa maré e redemoinhos, quixotescamente. Bota exceção nas sessões! A cama da câmara – minúscula mais uma vez – já deveria estar pronta há muito. A possível rigidez desta crônica mostra que a situação é crônica, rima pobre, mas não dá para polir conselhos de éticas e comissões vinte por cento, percentual por baixo. Se gritar pega – no inconsciente todos sabem complementar a musiquinha popular, aposto – não haverá praticamente – sempre o cuidado das exceções – camburão e nem porão pra tanta gente fina. São eleitos que se fartaram do leite da sesta básica de brasileiros que não têm o básico escolar, se quer, para decodificar o voto eletrônico. Aos quatro cantos do mundo, todos basbaques, o resultado de uma eleição sai em quatro horas, mas não sabem que em quatro anos fica a babaquice sórdida do apego pelo poder na distribuição de cargos, do chefe de gabinete ao apertador de descarga da autoridade máxima, pois esta não quer melar o dedo com pouca coisa.
Na lista de impropriedades parlamentares, pode-se fazer fila indiana, e até mesmo certas vacas sagradas estão sujeitas a declarar sua propriedade – vai no singular mesmo – na receita federal. Todos têm receituário de escapar das malhas finas que tecem ternos da grife sobel da quinta avenida NY. Listar nome por nome, partido por partido, sigla por sigla, é cair na redundância de que não fica um. A origem parlamentar pode ser do meu Pi-a-u-í, como canta o mão-boba nada santa, à – escolhe aí qualquer Demo do demô – um carioca da algema. Lógico que neste caso não há exceção estadual.
O sonho de limpa-geral dos cara-pintadas esmaeceu no pesadelo estrelado do falso vermelho. Não há como não ficar emPuTecido. As estatísticas econômicas falam alto, mãos para cima, isto é um assalto, a bolsa de NY continua com vida saudável.
Edups

terça-feira, junho 05, 2007

Roberto Renan Carlos Chaves



Depois que os fatos aconteceram e ninguém quer mais comentar, eu chego e boto o dedo. Quem de fato colocou o dedo na ferida foi o Betão, aquele que teve toda liberdade de expressão na repressão para criar suas canções sem ação política. Engajadas ou não, não vem aqui ao caso, ou vem, o fantasma da censura artística. Quantas notas musicais não foram distorcidas, quantas árvores foram decapitadas para virarem folhas mortas de livros no regime ditatorial brasileiro, e agora o rei quer mostrar as unhas de um negro gato de arrepiar censurando livro. Deus me livre, viva o Louvre, santuário da arte plástica. Inegável a plasticidade das músicas do Betão da primeira metade da carreira.
Para um rei, como o Betão, censurar, não pega bem. Prega mal quem apóia o fechamento de um canal de televisão venezuelano. A chave da questão é a censura. A chave de Betão é a intimidade invadida. A chave de Chaves é a oposição a seu corolário bolivariano. Não, corolário, não, é uma palavra esquisita. Esquisita é a justificativa de Renan em não querer revelar detalhes, não apenas das falsas notas musicais, digo, notas de mesada, como também de sua relação com os tratores da Mendes Juninho e Gautama de lama movediça. Será possível que, para esses homens os detratores são sempre os outros!
Relação sexual mal transada, perna quebrada e intimidade intimada, discurso sem curso comunicativo, tudo origina a uma censura sem mesura. E que tudo mais vá pro inferno não é justificativa, é ação infantil provocativa. Renan não quer largar a cadeira senatorial, Betão não irá largar as notas musicais, Chaves se recusa a ouvir Canção da América. As curvas da estrada de Santos estão nítidas apenas no violão que é a jornalista Mônica de corpo zeloso.
Sou do tempo do vinil e ecoou-me bastante o som e o sentido da robertomania nos namoricos na avenida Praça João Pessoa, de Cajazeiras, meu torrão natal, e o sarro que arranha a espanha – isto sim, ao sol tropical, sem lenço e nem documento - no cine pax do bispo e no gozo do cine Éden, o verdadeiro paraíso. Ô, Carlos Roberto, não inverta sua história!
Não é de se estranhar que políticos da seara da tropa de cheque daquele cara que agora retornou ao senado guardem segredo a sete chaves até a navalha da PFederal fazer a barba deles, mesmo tendo a sensação de que os togados irão liberar toda essa turma da pesada a peso de bons argumentos advocatícios.
O Papa se foi, mas o povo acredita que Jesus Cristo está aqui para falar pro homem lá de cima que a justiça divina um dia será feita. O óbvio é que essas desfeitas fossem resolvidas por aqui mesmo se o STJ, o STF e tudo quanto é Tribunal Superior estivessem um degrau a menos do Supremo Deus Todo Poderoso. Betão crê em Deus e ainda ama Maria Rita até a alma; Renan crê no Conselho de Ética do Senado até o corporativismo; Chaves acredita em Fidel Castro até... sei lá! Este pseudocronista não acredita em ninguém. No melhor de uma novela venezuelana Chaves corta o novelo do folhetim e provoca motins. Os estudantes são a tropa de choque dos protestos com esparadrapos nas bocas, e Renan faz um paredão com os membros de todos os partidos e ameaça retirar os bandeids dos ralos das empreiteiras paitrocinadoras de campanhas de todos os senadores, e todos batem o pé de que essa história já é um caso encerrado nos anais da Casa mãe Joana. Justiça seja feita, os senadores Thomas Jefferson Peres e Pedro Simon Bolívar dizem que isso não dá pé. Betão faz show no Canecão e bebe o vinho sagrado do sucesso em cálice, mesmo que muitos e muitos fãs acreditem que ele entornou o caldo no copo, ou do copo.
Edups. 04.06.07

segunda-feira, junho 04, 2007

MIooo


Desta vez Romário passou a navalha e cortou sem dó o pessimismo dos que estavam a lhe gargalhar. Foi tudo muito rápido, o baixinho botando a bola no pingo do pênalti e a galera da Gautama furtando aos milhares os reais fatos de apenas um mil do Peixe. Todo mundo querendo abraçar o baixinho dentro da rede abraçado à bola. A bola agora está com a Polícia Federal lançando a rede sob o time de assaltantes de cofres públicos. Romário arrombou a porta do Sport e foi ovacionado, a fatura sendo entregue pro goleirão, pelo menos em altura, do Leão dos Aflitos que chegou até a insinuar suborno ao baixinho – apenas em palavras – para que ele fizesse o milésimo no Maracanã e não no São Januário como era seu sonho. De forma incorruptível, Romá simplesmente rejeitou a proposta sem licitação do arqueiro sportense.
Esse milésimo foi um turbilhão que passou sob uma ponte na memória do atacante-mil. A memória romariana fez um retrospecto de toda sua carreira nesse instante eterno. Quantas pontes ele já não teve que passar por baixo e por cima, não as pontes da Gautama que não foram feitas e levavam todos a lugar nenhum. O assaltante da grande área agora está livre, com a consciência do dever cumprido, e, pelo que se saiba, nunca molhou a mão de alguém com alguma propina.
O gol mil da Polícia Federal foi comemorado por todos que ainda acreditam que se deve desacreditar dos que acreditam nessa raça de atacantes de cofres públicos. De forma política RomaRio não fez discurso à lá Pelé quando também de sua marca. Governador, ex-governador, deputado, funcionário público, todos se dizem inocentes. Pelé ofereceu seu gol milhar às crianças inocentes do Brasil, e ROmáRiO não se fez de inocente e agradeceu a familiares seu feito. Não há como inocentar essa gangue, mais uma vez, que quer fazer a família brasileira de inocente útil.
O arqueiro do Sport ficou algemado num canto enquanto a bola estava livre no outro lado da trave. Romáriu de satisfação, como todos nós que vimos pela tv o delírio que é vermos um segundo jogador brasileiro conseguir essa marca de milhar, como é a satisfação de sabermos que ainda há neste país uma instituição que trabalha séria, a PF.
Nos compêndios da história brasileira se verá que alguém fez história com o número mil, verá que alguém fez história policial com o número milhares de reais conseguido com traulitada na ética. Na tática o baixinho articulou ao longo dos anos uma marca. Nesse ritmo a Polícia Federal merece volta olímpica.
Não há como negar: os refletores, flashes, foram acionados para ROMArio, e ele queria mesmo ser fotografado e visto pelos quatro quantos queriam lhe fotografar. Em Brasília só se via mala fugindo das luzes da ribalta, querendo esconder seus milhares de reais escrito em suas testas. Vimos que tinha muito testa de ferro, e ferraduras, travas, não foram suficientes para o Peixe deixar de alcançar sua marca maior.
É um escândalo marcar mil gols, parece até fantasia; é um escândalo esses milhares de reais, parece até fantasia, mas é a pura realidade. Poucos conseguem mil, muitos querem milhares.
Edups.

domingo, junho 03, 2007

BENTO, ROMÁRIO, SOBEL

Vamos ver se agora com a presença do Papa no Brasil Romário recebe sua bênção para fazer seu milésimo gol. Mesmo com todos os momentos de arrogância que o baixinho já registrou vida a fora, Bento há de lhe perdoar com a condição de que ele, Bentinho, dê o ponta a pé inicial no jogo programado para o milésimo gol no santuário Maracanã. As trombetas anunciarão a condenação de Eurico Miranda por dez anos de prisão por ter praticado o bem. O bem mal-feito.
A romaria para ver o Papa, a Romaria pra se tentar entender o mistério porque esse milésimo deixa de ser milagre. Mas o dia da bola entrar na eucaristia futebolística chegará, e tudo estará sacramentado.
Só não estará sacramentado o pedido que o rabino Sobel fez ao Papa para lhe perdoar o sétimo mandamento - ou será o terceiro? Ou o quarto? Sei lá, só me lembro do primeiro, que é ‘amar a Deus sobre todas as coisas’, e o quinto, que é ‘Não Matar’. Sabe qual o motivo por que o Papa não lhe perdoara? Porque o Papa estava absorto na gravata do rabino e não o ouviu. Bentinho e todo mundo, ou seja, Recruta Zero, Tainha, Dentinho, Cuca, até o Otto, Roque, General Dureza e sua esposa Marta, etc, estavam concentrados naquela linda gravata verde. Pode até ser, digamos, aético, mas na minha cabeça e na de Bentinho e de todo mundo, aquela gravata era pura armâni.
Mesmo que seja de pênalti, valerá o milagre do peixe. Romário corre com a bola debaixo do braço e recentraliza-a na marca do pênalti. A onze metros do gol, segundo um dos mandamentos das leis da FIFA, a igreja do futebol, o Peixe tomará distância e o apito final será soado. Vou passar para o próximo parágrafo para deixar o provável leitor em dúvida em saber se eu vou dizer se o baixinho irá marcar o gol MILagrésimo.
Em Aparecida, o Papa eleva a óstia consagrada e todas as romarias presentes fecham os olhos e pedem perdão por seus pecados. Sobel não pediu diretamente perdão a Bento, não teve coragem direta como os romeiros confessam suas práticas recônditas. Romário não faz exame de consciência porque se considera um deus do futebol, não há pecado sobre a alma de sua bola. Aliás, Romário não faz nem exame de papa nicolau.
Elegantemente trajado, com sua armâni ofuscando o milésimo de Romário, Sobel ergue a bola aos céus e o Maraca inteiro ovaciona-o em coro: “juiz ladrão, juiz ladrão, deixa o rabino completar sua milésima gravata!”. Bento chuta a bola de bico e seu grito de gol é abortado pela galera vascaína. Romário abre sua batina e seus devotos no templo maior do futebol reza a frase estampada em sua camisa: “Deus já sabia. Deus é 1000”.
No dia seguinte o jornal La Observatório estampa: “Graças a deus, só faltam 955 gravatas para o Sobel completar seu milésimo gol!”. Não sei porque essa exclamação se a fala italiana é a própria exclamação. Observação à parte, a gravata, o aborto, o milésimo gol, conjugam o alimento espiritual da imprensa, repleta, como todos sabemos, de pecados veniais e mortais.
Aposentado, Romário curte no Posto Sete seu vôlei de praia, Bento retorna à sua rotina vatiuisque, ou melhor, vaticana, ou, digo, vativinho. Sobel, mesmo com a propaganda do bombril retornando à televisão não conseguirá limpar seu nome na Praça da Sé. Depois do alívio do milésimo, o Peixe agora só sabe cantar: “e que tudo mais, vá pro inferno!”.
Brasília-DF, 21 desmaio de dores mil sete.

sábado, junho 02, 2007

MENGO SARKOZY

Finzinho da tarde para o início da noite, vou chegando em casa e ouço fogos e gritos de alegria por todos os lados. Peraí, a Copa do Mundo num já acabou? A euforia parecia com a daqueles palestinos dando tiros de metralhadora para o alto comemorando a morte de mais um ilustre inimigo.
De um carro, dirigido por uma loiraça bonitona, um marmanjo bota a cabeça para fora e berra com todas as forças que seus pulmões lhe permite e não: “Mengoooooo!!!!!, Mengooooo!!! Mengooooo!!! O Flamengo acabara de ser consagrado campeão carioca de dois 1000 e vii.
Pombas, se aqui em Brasília a euforia estava desse jeito, imagino eu como não estaria por esse interiorzão brasileiro. Fiquei até imaginando em Cajazeiras, minha terra natal, que tem uma grande torcida organizada rubro-negra, e também uma cruzmaltina, a passeata de carros pela cidade com os bravos torcedores flamenguistas tremulando suas bandeiras com muito mais entusiasmo do que se fosse uma vitória da seleção brasileira em uma Copa do Mundo.
Em termos de adrenalina, manifestação visceral, a nação rubro-negra só perdeu, nessa noite, para a revolta dos suburbanos parisienses pela vitória do aparente herdeiro de Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, que derrotou a socialista Ségòlene Royal. Hoje de manhã ouvi no noticiário de tv que foram incendiados 700 carros. Já imaginou, caro leitor, se o jogo Botaágua x Flamento tivesse sido em Paris, poderíamos dizer literalmente Paris Era Uma Festa, e lamentaríamos por Ernest Hemingway não estar lá como correspondente de guerra.
Só sei que as camisas flamenguistas que estavam mofadas, sujas, amarrotadas, encardidas, não importam o estado em que elas estejam, serão desfraldadas nos pontos de ônibus, repartições públicas, colégios, nos ônibus, em qualquer lugar veremos um pouco de vermelho nas janelas dos apartamentos, casas e nos botecos. O júbilo de uma nação particular será estampado nas capas dos jornais brasileiros. Já o vermelho socialista francês dá pra se saber o seu rumo? A França começa a jogar um novo esquema tático pró-globalização? As manchetes do Liberrachón e do Lê Figarrô o que dirão? Como os cientistas políticos interpretarão essa derrota socialista francesa? Como os cientistas futebolísticos Juca Kfuri, Tostão, Armando Nogueira, Calazans, analisarão esse título social rubro-negro?
A bola rolando naquele gramado verde do Maraca e o torcedor não-menguista - não me venham negar - assistindo o jogo do Fla, mas com jeito de quem vai dizer de que não perde tempo vendo aqueles timecos cariocas jogando. Será que nem mesmo os partidários verdes franceses tiveram força para dar um pouco de pulso a Royal? O PV é apenas uma sigla no cardápio da democracia francesa, um sonho, ou uma utopia? Vamos ver como será o esquema tático de Sarkozy junto à França, à Europa e ao resto do mundo. Sarkozy, como será que ele irá jogar? E o Fla conseguirá manter essa chama vencedora por quanto tempo? Platini irá ser convocado pra seleção de Sarkozy?
Brasília-DF, vii de maio de 2007.