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sábado, janeiro 12, 2008

Computer

Amarrei meu computador no pé de uma árvore frondosa e deixei-o hibernando, soletrando sonhos artificiais, exatos gigabytes de pesadelo eletrônico. Queria abrir seu cérebro, fazer um féretro de seus chips mortos de chopes meus. Evoquei sabedorias psicológicas e morfológicas para entender sua alma com muita calma, saber de seu espírito de gente, seu contingente de peças de xadrez, encontrar sua lógica textual e gráfica, sua ordenação aparentemente de mente desordenada. Vi que sua face é uma tela que desmantela o senso da feição humana. O monitor é o seu olho de vidro, biônico, retransmissor da inteligência artificial parida pela cpu, de vasto menu. Não rimou, é um remo do espaço cibernético. O computador não é uma casa mas tem janela, sem tramela, é sem gelosia. É um mundo de informação de porteira aberta onde passa boi, bytes, boiada e bits. O mundo macro informativo pelas ondas wireless também é micro. É um cérebro óptico que cabe na palma de minha mão, na palmilha da caminhada rumo sem prumo, nem eira nem beira, na esteira infinita do saber de deus. Ainda não é um backup de deus, sacromputer. A malha cultural da internet enviesada pelo monitor costura a geoengenharia da informação sem fronteira, confronteirada, amealhada para todos os gostos e gastos gástricos. A memória do computador computa a zona frágil dos sem memória. Tantos megas quanto os prêmios acumulados da mega sena, velocidade fórmula um. Brasileiro não tem memória? Então tem que ver a capacidade de seu hd se é de tv ou computer de última geração, e se seu protocolo está retido no buraco da burocracia pré billgateana. Endereçamento postal é passar a língua no teclado e teclar um url e chegar ao destino via rabichola coxial da pipa em todos os quadrantes geográficos e espaciais em mil megatons de papo em tons variados, vaiados e caprichados. Quem não se pluga não se onlineza. A pulga atrás do código binário não desconfia que zero e um é a linguagem interna do computa computador computa, já dito milloriano no tempo da pedra gutemberguiana. Thomas Edson Arantes do Nascimento deu o pontapé inicial na fiat lux, que está perdendo vendas a mil gols depois que Romário chegou lá. Bill Gates ‘criou’ o computador e tudo virou uma zona livre com prazer; O Brasil chega a tv com impressão digital made in japan que será conectada ao computador, que será lincado às células do telefone celular, criação blablablá sabe-se lá de quem, daí o computador deixa de ser computador, idem a televisão e o celular. A mistura de bateria, que não se abastece mais com água e açúcar, com elman chip e choques comportamentais pós modernos, aliada a bytes, desemboca na boca da jararaca Java, linguagem decodificada por hackers que fazem hiperlinks em lan houses em todas as direções com o lema “o leme é a lama da segurança cibernética”. As telas dos pcs agora são planas, plenas de átomos a sorver a nanotecnologia, essa anã de potência king Kong. A fluidez da comunicação robótica passa pelo cristal líquido e certo da liquidez da comunicação humana mesmo com todos os desentendimentos do processador cerebral com seus milhões de transistores de código genético decifrado e traduzido pela sociedade de cultura excremental, segundo índice Nasdaq de violência urbana com uso exclusivo das forças desalmadas. O mouse, animal configurado na selva tecnológica, definha pavlovamente com o desabrochar das telas sensíveis ao toque. O rato agora tecla a tela do tolo telespectador midiático, mesmo se dizendo que não tem rabo preso com a midiatização irreversível do self. A impressora impressiona pelo consumo do papiro, não se conforma com a digitalização fria da tela do pc que arreganha seus portais rumo à Grande Muralha alfanumérico e ideogramática. Todos os links levam à roma virtual que está em qualquer boteco digital.