Acordei e fui até a janela do quarto, o sol estava convidativo para um dia quente de notícias. Botei o braço pra fora e pequei, peguei o sol com a mão e esfreguei-o em meu corpo. Fiquei bronzeado e coloquei o sol no copo de água com sabão, o copo que Lelê, minha filhinha, brinca assoprando com seu brinquedo de fazer bolinhas voarem pelo espaço. O sol foi junto com essas bolinhas também para o espaço e segui-o com o olhar do Observatório Nacional. Receio de que o sol se apague como as outras bolinhas de sabão e Lelê seja a responsável pela extinção do febo. Ninguém mais poderá cantar a música de Raul Seixas que pede pra se olhar o sol surgindo por detrás das montanhas e talvez não mais passe a existir essas discussões infinitas sobre aquecimento do planeta terra. Os ecologistas decairão na Bolsa de Valores do Fim do Mundo e essas Organizações Não Governamentais que dependem das Organizações Governamentais que faturam sem mostrar a fatura pro governo contribuirão para o desaquecimento das corrupções que evaporam o Real da real situação falsa ecoilógica. Até que a imprensa tem divulgado essas corrupções, mas quem resplandecia era o Sol que brilhava nas bancas de jornais, na década de sessenta, segundo a música de Caetano Veloso e retratado em filme homônimo. Era a temperatura da década de sessenta o aquecimento global político direita x esquerda ou o inverso disso que eu disse antes em verso cultural aquecido pela versão aversa da bipolaridade URSoS soviéticos x eu, eu, EUa. Por essa década, Lula fugia do redondo escaldante rumo a São Paulo para aprender o ABC da política e se tornou uma estrela em torno da qual giram os terráqueos e os outros planetas do sistema solar pmdbista e quejandos que nunca vêem o sol quadrado, desembocando no buraco negro da decepção dos que desfraldaram a bandeira nacional sem fraldar os raios de Maio de 68. 1968/2008 está mais para subtração do que multiplicação?. E o sol da liberalidade, em raios fúlgidos de bicicleta, brilhou no céu da pátria que te pariu naquele instante 68, uma festividade 69, o vértice e o vórtice. Em São Paulo o sol nasce para toldos, arranha-céus, e é por isso que meu primo Roque e meu amigo Alcnol são brancos – este último assim se declara em seu blog – mas aquecidos pelos raios que partem a paulicéia varada de confluência humana e coisas, e restaurantes, e vida cultural de primeiro mundo. Quando o sol dá um tempo no nordeste o tempo deságua rachando pontes, açudes, cacimbas e ninguém quer saber do sol resplandecente nas lâminas das enxadas três alqueires, nas calotas dos tratores mil alqueires, ou sei lá que dimensão tem a transposição do São Francisco, às margens plácidas de um povo heróico antes de tudo um forte, fortaleza que até o momento não tive para atravessar as 442 páginas de Os Sertões com a alcunha euclidiana de “leitor fodão”, logo eu, um ex-galego descendente de portuga, ex-galego porque, como disse no início, estou bronzeado, sou artificial, mas jamais menino do Rio, possivelmente menino do Açude Grande de Cajazeiras que também sangrou essa invernada de prejuízos, mas quem tem juízo não condena a mão aberta chuvosa de São Pedro. Volto ao início do texto para registrar que o Sol-bolha, graças, não estourou, pego-o de retorno por causa de um leve vento e recoloco-o no firmamento. Ele agora estará de sol a sol compondo a paisagem de deus, e deus (sei lá porque coloco deus de minúsculas) não haverá de ralhar Lelê por causa de sua estripulia de soprar o sol na palma da mão quase estragando a ordem natural das coisas que Ele criou. Eu, desobediente de deus, quero tapar a peneira com o sol e ver a cadeia redonda. Antero de Quental disse “O claro Sol, amigo dos heróis”. Onde estão os heróis de hoje para pendurar o sol no peito e se derreter de elogios? Os heróis morreram todos de overdose de cazuza em nota na escala musical do rock brasileiro dos anos oitenta que ditaram a pauta cultural a pau, puta que o pariu como foi bom.
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domingo, maio 25, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
O espetáculo da morte II
Estava eu, Lelê, minha filha de nove anos e Beibim, minha mulher, na sala de tv e a liguei para vermos o Jornal Nacional da Band Record e, de repente, caiu de dentro da tv no tapete da sala quase em cima de Lelê, que bebia leite com toddy, um corpo infantil denominado Isabela.
Ainda tentei aparar aquele corpinho desfalecido vestido de short jeans da De Millus, blusinha estampada com o rosto da Xuxa e tênis da Adidas. Ela ainda respirava gás neon das manchetes garrafais dos jornais e botei meu ouvido em sua boca e ainda deu pra ouví-la balbuciando: “o comportamento, as atitudes e o lado psicológico das pessoas estão cada vez mais complexos frente a essa sociedade cada vez mais complexa”. Tentei respondê-la, mas sua respiração parou.
A campainha tocou, Lelê foi atender e gritou do interfone lá da cozinha: “Pai, é a perícia da polícia criminal mais a imprensa paulista-brasileira-mundial. Posso mandar entrar?”. Respondi: “Termine primeiro de beber seu toddy”.
Lelê retornou à sala de tv e falou assustada pra Beibim: “Olha, mamãe, tá nascendo flores no cabelo de Isabela e seus olhos estão lacrimejando perfume jasmim”.
Antes que a perícia da polícia e a imprensa invada minha casa faço aqui um comercialzinho aproveitando a oportunidade, já que daqui a pouco o que vai ter de gente aparecendo nas tevês e jornais falando desse caso, não está no gibi do super homem: “caro leitor(a), leia, entre seus milhares de blogues prediletos, os meus preferenciais dentre tantos e tantos: primeiro, leia o meu: http://blogedups.blogspot.com e depois: http://alcnolet.blogspot.com, http://paccelligurgel.blogspot.com, http://www.solreflexo.blogspot.com, http://www.bbc.co.uk, e mais não cito pois a lista é grande”.
Retorno ao caso Isabela. Mal fui olhar pela porta entreaberta o reboliço lá fora e a polícia e a mídia quase me atropelam entrando feito loucos querendo gravar as últimas palavras de Isabela para registro no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.
Infelizmente, ou feliz, sei lá, a criança bonita e morta que agora aspergia perfume jasmim pelos olhos e tinha flores na cabeça estava sendo embalada pelos flashes e manchetes da imprensa e aparelhos da polícia técnica.
Eu, que estava de pijama comprado na Riachuelo, fui ameaçado de ser levado pra delegacia nesse instante. Uns policiais já estavam medindo a altura que Isabela havia caído. da tv 32”, hdtv, LG até o chão. Media 1m, 25cm, 46mm.
Detectaram as marcas de minhas mãos sobre o ombro dela, quando eu quis apará-la. Ondas magnéticas foram medidas para saber o que Isabela havia falado antes de falecer. Em vão, as ondas do mar não estavam pra peixe pro meu lado e havia um barulho lá fora de “justiça!, justiça!”... da turba que se formava já na calçada de casa. Confesso que morri de medo ser linchado pela multidão e lixado pela imprensa.
Um delegado vestindo blazer comprado na Feira do Guará já ia me algemar e aleguei que estava em minha casa e não havia como ser preso, isso se constituiria violação domiciliar, e não estou reagindo a nada, tenho endereço declarado, não fugi, e estava a sua inteira disposição. Até um ladrão de galinha sabe desse argumento, só que ele é preso e nós da classe dos bons aparentados, não. É a lógica penal brasileira dois menos um cai um zero no chão e pra mim fica tudo zerado e o sol ao quadrado para os ladrões de galinhas apenados.
A perícia policial ia conduzir o corpinho de Izabela para o IML, mas o povaréu na minha rua estava difícil de ser contido exibindo fotos com todo tipo de feridas, cachos de cabelos, pernas de pau, o escambau, simbolizando os milagres feitos por Izabela. Um helicóptero da imprensa fazia tomadas cinematográficas e o barulho das hélices deixava o povo mais eufórico.
Beibim e Lelê estavam assustadas e chorando muito, uma policial fez uma garapa adoçada com zerocal, o da propaganda com Zé Wilker e elas beberam à imagem e semelhança da tv.
A solução para o traslado da menina de pano foi chamar o Padre Marcelo que rezaria uma missa de corpo presente, passado e futuro do messianismo brasileiro, de Antonio Conselheiro à Tia Neiva do Divino do Sétimo Dia.
Em um caminhão chegou o Padre Marmelo Marcelo Martelo com camisas do Flamengo para serem distribuídas para acalmar a espiritualidade futebolística da galera. Todos vestidos com o manto sagrado cantaram e dançaram pela alma da bonequinha da Trol, erguendo os braços e balançando os quadris com ave-marias e salve-rainhas. Essas ações de contenção não surtiram efeito pra galera até que, por decisão do Padre, anunciada nesse instante, de que o jogo Flamengo e América do México, jogo da Libertadores, seria realizado de portões abertos no Mané Garrincha, e isso funcionou como um sossega leão patrocinado pelo Chá Mate Leão. Jogo ganho, todos juravam pela alma da calunguinha, mas não combinaram com o América mexicano que mostraram os bigodes e sombreros derrotando o Fla.
A cada fala do Promotor Moshe Dayan a imprensa quer me ver quadrado ao sol, e eu quero distância ao quadrado desse caso, passo então a bola que o Fla não jogou para os Nardoni sob o patrocínio do Fantástico da Globo sob os patrocinadores do Fla, Lubrax, Petrobrás. Obina não teve entrevista exclusiva na revista eletrônica para justificar a morte do Fla, como os Nardoni tiveram e mais tarde a mãe da pequenucha – que Deus a tenha no jardim-de-infância.
Beibim e Lelê agora estão sossegadas com a minha retirada de campo, o Fla mandou lavar o manto, os Nardonis já estão em cadeia nacional, a mãe verdadeira de Belinha deu pique de audiência no último Fantástico logo depois da apresentação do quadro dos mágicos, ilusionistas a embevecer e sensibilizar o espetáculo infantilizado da sociedade dos poetas do merchandising mortos, mortos de fome por uma tragédia sob o patrocínio da sociedade morta de fome por tragédias. Logo após os comerciais eu volto com mais informações.
Ainda tentei aparar aquele corpinho desfalecido vestido de short jeans da De Millus, blusinha estampada com o rosto da Xuxa e tênis da Adidas. Ela ainda respirava gás neon das manchetes garrafais dos jornais e botei meu ouvido em sua boca e ainda deu pra ouví-la balbuciando: “o comportamento, as atitudes e o lado psicológico das pessoas estão cada vez mais complexos frente a essa sociedade cada vez mais complexa”. Tentei respondê-la, mas sua respiração parou.
A campainha tocou, Lelê foi atender e gritou do interfone lá da cozinha: “Pai, é a perícia da polícia criminal mais a imprensa paulista-brasileira-mundial. Posso mandar entrar?”. Respondi: “Termine primeiro de beber seu toddy”.
Lelê retornou à sala de tv e falou assustada pra Beibim: “Olha, mamãe, tá nascendo flores no cabelo de Isabela e seus olhos estão lacrimejando perfume jasmim”.
Antes que a perícia da polícia e a imprensa invada minha casa faço aqui um comercialzinho aproveitando a oportunidade, já que daqui a pouco o que vai ter de gente aparecendo nas tevês e jornais falando desse caso, não está no gibi do super homem: “caro leitor(a), leia, entre seus milhares de blogues prediletos, os meus preferenciais dentre tantos e tantos: primeiro, leia o meu: http://blogedups.blogspot.com e depois: http://alcnolet.blogspot.com, http://paccelligurgel.blogspot.com, http://www.solreflexo.blogspot.com, http://www.bbc.co.uk, e mais não cito pois a lista é grande”.
Retorno ao caso Isabela. Mal fui olhar pela porta entreaberta o reboliço lá fora e a polícia e a mídia quase me atropelam entrando feito loucos querendo gravar as últimas palavras de Isabela para registro no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.
Infelizmente, ou feliz, sei lá, a criança bonita e morta que agora aspergia perfume jasmim pelos olhos e tinha flores na cabeça estava sendo embalada pelos flashes e manchetes da imprensa e aparelhos da polícia técnica.
Eu, que estava de pijama comprado na Riachuelo, fui ameaçado de ser levado pra delegacia nesse instante. Uns policiais já estavam medindo a altura que Isabela havia caído. da tv 32”, hdtv, LG até o chão. Media 1m, 25cm, 46mm.
Detectaram as marcas de minhas mãos sobre o ombro dela, quando eu quis apará-la. Ondas magnéticas foram medidas para saber o que Isabela havia falado antes de falecer. Em vão, as ondas do mar não estavam pra peixe pro meu lado e havia um barulho lá fora de “justiça!, justiça!”... da turba que se formava já na calçada de casa. Confesso que morri de medo ser linchado pela multidão e lixado pela imprensa.
Um delegado vestindo blazer comprado na Feira do Guará já ia me algemar e aleguei que estava em minha casa e não havia como ser preso, isso se constituiria violação domiciliar, e não estou reagindo a nada, tenho endereço declarado, não fugi, e estava a sua inteira disposição. Até um ladrão de galinha sabe desse argumento, só que ele é preso e nós da classe dos bons aparentados, não. É a lógica penal brasileira dois menos um cai um zero no chão e pra mim fica tudo zerado e o sol ao quadrado para os ladrões de galinhas apenados.
A perícia policial ia conduzir o corpinho de Izabela para o IML, mas o povaréu na minha rua estava difícil de ser contido exibindo fotos com todo tipo de feridas, cachos de cabelos, pernas de pau, o escambau, simbolizando os milagres feitos por Izabela. Um helicóptero da imprensa fazia tomadas cinematográficas e o barulho das hélices deixava o povo mais eufórico.
Beibim e Lelê estavam assustadas e chorando muito, uma policial fez uma garapa adoçada com zerocal, o da propaganda com Zé Wilker e elas beberam à imagem e semelhança da tv.
A solução para o traslado da menina de pano foi chamar o Padre Marcelo que rezaria uma missa de corpo presente, passado e futuro do messianismo brasileiro, de Antonio Conselheiro à Tia Neiva do Divino do Sétimo Dia.
Em um caminhão chegou o Padre Marmelo Marcelo Martelo com camisas do Flamengo para serem distribuídas para acalmar a espiritualidade futebolística da galera. Todos vestidos com o manto sagrado cantaram e dançaram pela alma da bonequinha da Trol, erguendo os braços e balançando os quadris com ave-marias e salve-rainhas. Essas ações de contenção não surtiram efeito pra galera até que, por decisão do Padre, anunciada nesse instante, de que o jogo Flamengo e América do México, jogo da Libertadores, seria realizado de portões abertos no Mané Garrincha, e isso funcionou como um sossega leão patrocinado pelo Chá Mate Leão. Jogo ganho, todos juravam pela alma da calunguinha, mas não combinaram com o América mexicano que mostraram os bigodes e sombreros derrotando o Fla.
A cada fala do Promotor Moshe Dayan a imprensa quer me ver quadrado ao sol, e eu quero distância ao quadrado desse caso, passo então a bola que o Fla não jogou para os Nardoni sob o patrocínio do Fantástico da Globo sob os patrocinadores do Fla, Lubrax, Petrobrás. Obina não teve entrevista exclusiva na revista eletrônica para justificar a morte do Fla, como os Nardoni tiveram e mais tarde a mãe da pequenucha – que Deus a tenha no jardim-de-infância.
Beibim e Lelê agora estão sossegadas com a minha retirada de campo, o Fla mandou lavar o manto, os Nardonis já estão em cadeia nacional, a mãe verdadeira de Belinha deu pique de audiência no último Fantástico logo depois da apresentação do quadro dos mágicos, ilusionistas a embevecer e sensibilizar o espetáculo infantilizado da sociedade dos poetas do merchandising mortos, mortos de fome por uma tragédia sob o patrocínio da sociedade morta de fome por tragédias. Logo após os comerciais eu volto com mais informações.
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