Na hora de descobrir o código redondo da cerveja skol vem a tropa de elite para detonar o alcagüete. Beba, babe nas leis do código de trânsito, morra, mas não me mate, dê cheque mate em si, tem quem queira beber chá mate, mate o leão que dentro de si urge. O choque da tropa é pra checar a elite pensante, jorrar tinta na mídia, engolfar imagens televisivas, atinge a elite patrimonialista. A tropa de elite, eleita pra derramar leite vermelho, estupra a nossa mente, dá choque e achaca nosso intelecto provecto. É o chamamento pra vermos das tripas coração. Algumas garras dos teclados da imprensa versam patrulha ideológica, mas há lucidez que vê o torpor retratado. A grita da imprensa é geral, a grita é na geral que está atrás do alambrado. A imprensa vê Tropa de Elite com atitude crítica negativa ao invés de atitude crítica investigativa. Se bem que não há mais o que investigar: do Esquadrão da Morte ao Crime da Candelária tudo é escandalário, é candelabro na mão do Rio de Janeiro. Tropa de Elite é light se vermos a escrita mordaz do Diário Oficial da União que nega retirar o alambrado da galera. O DOU é o alicate a extorquir a sacola do bolsa-família. A bolsa e a vida. Pra que fidelidade partidária se não há fidelidade ética? Pancada maior que a dos punks paulistas que mataram por quarenta centavos? Por um pedaço de pizza a tropa de elite política aplica o golpe da cpmf e o sangue se ausenta das filas da saúde pública. O Bope do Congresso Nacional é escroto, maroto com seu smoking e o broche da caveira na lapela pra arrebentar com qualquer favela. Reforma política é apertar o gatilho pra si e otário é quem vota como “dever do cidadão”. O narcoestado promoveu uma juíza na Bahia tendo ela envolvimento com um narcotraficante. Não dá pra ser polido, senão seremos engolidos. Cecile se separa do presidente Sarkozi. Será ela picada, digo, clicada pra playboy? Há um novo thriller pornô-político. Cotejaremos Cecile e Mônica. Tem quem queira ver o veludo veloso de Cecile como já vimos o sarkozi de Mônica. Será um choque de elite, um tapa na Caras. Cristina Kirchner mata a cobra e mostra a pauleira que é ganhar na Argentina. Já que los hermanos gostam tanto de ser geridos por mulheres, poderiam então Evitar vexame de sua Seleção. Don’t cry for eles, brazucas, eles ainda são a Europa latina em preto e branco e não dão nem as horas pra gente. O rolex de Hulk rolou na roleta, mão armada, o pé é na bunda. O nada incrível Hulk chorou o roubo em artigo de quinta na Folha frondosa de São Paulo. O choro maior é o tempo que ele assalta da galera na tv com seu programa miligrama cultural. A dúvida é saber quem é o mocinho e quem é o bandido no rolo do objeto de desejo no tecido social. Muita cabeça ainda vai rolex. Se a grana do rolex for pro leite branco das crianças negras, a situação tá preta, pois o leite tá vitaminado com soda cáustica e água oxigenada cooperativamente. Se for pro gererê, então, u-u, a-a, ninguém escapará. Mais uma fraude consumista e não adianta chorar pelo leite derramado. É o leite podre, é a cpmf corrosiva, é o bope pow!, é o rolex provocante, é a bunda na playboy, é... Esse é o roteiro da ratoeira de nossa narrativa social, não é estética de game ficcional. Como país católico a seta indica a saída: a reza, mas a pedofilia arrasa a fé dos fiéis. O fel está no cálice. A segunda via, em expansão, é o fenômeno do fundamentalismo evangélico. Estes, sim, sem meias, sem palavras, sem meias palavras, com palavras vibrantes, usam games que têm Jesus como símbolo do que o ‘irmão’ tem que fazer. O culto é longo, com estrutura de drama. A sacola gira, diz o dízimo que o canal aberto agora é de vinte e quatro horas de notícias no ar, é recorde. O templo da notícia patrocinado pelo povaréu fiel ao bispo que já foi réu e hoje está no céu. A tropa de Elite, a elite econômica, a elite política, a elite do futebol, a elite intelectual, a elite religiosa... Umas eleitas, outras lights, bárbaras, babacas, santificadas, danificadas...
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terça-feira, outubro 30, 2007
segunda-feira, outubro 22, 2007
A blague do blog
Tento ser um camelô de palavras, adoro bugigangas léxicas. Estendo minha barraca na avenida movimentada da geografia globalizada e ao grito de “olha o rapa!” das polícias de academias nacionais de letras, desarrumo meu vocabulário estendido sob a lona, misturando adjetivos, substantivos, artigos, próclises, anacolutos, verbos pretéritos, enfim, essas quinquilharias idiomáticas e corro para o abrigo de uma biblioteca pública para reorganizar-me semanticamente. Nada de cadeado para os diários eletrônicos, tudo encadeado na exibição escancarada, descarada. O nexo da conexão é estarmos em sintonia com o caldeirão dos diabos globalizado. A análise sociológica pop agora é campo encampado não só por acadêmicos e polêmicos, mas também por anêmicos culturalmente. O fator língua não é o valor semântico, o que vale é a montanha, o jorro opinativo. Internet, intranet, externet estão aí como mercado das pulgas culturais, sem culpas guturais. Nada crio, tudo me transforma na fôrma mercadológica lógica e seu reverso. Converso com o teclado online na informalidade chomskiano, saussureano, houaissiano. Minhas veias são vasos comunicantes de palavras derrapantes, discurso sanguineo douto, dou-te a palavra ôca da oca de fios óticos desencapados, chocantes. O que prevalece é a comunicação e não a palavra talhada, coalhada. O rigor acadêmico é o cemitério de elefantes enterrado nos periódicos da universidade a mil km da universalidade da rede blogueana. Sei que o balançar da rede já atinge as ondas acadêmicas também, até a quântica não aprisionar o tesão das teses na submissão das mesas julgadoras jogadas por jogadoras e jogadores de filigranas. Mas não importa, se a porta está aberta para o espaço sideral chipeano, chapliniano. A rede é risonha por sua facilidade de acesso, é bombástica por ser elástica. Meu blog é um elo, um farelo. Junto aos outros é uma farofa jogada ao ventilador. A regra é não regar formalidade para todos expressarem seu café literário, esse nome pomposo e gostoso. Quem quiser que se sinta um Rubem Blag, um cronista de papel eletrônico que se enrola peixe de aquário com palavras escamadas de feixe de luzes e cores. Eu sou uma blague, eu sou uma fraude, não me negue, sou um limador de casco de jegue, um carregador de texto sem teste. Blogo, logo insisto, em minhas bloguices. Blog é jornalismo? Blog é jornalismo. Blog não é jornalismo? Blog não é jornalismo. Blog não-jornalismo pode ser instrumento corretivo de Blog-jornalismo. Blog é tudo: blogfoto, blogcine, blogcharge, blog blog, bang bang, ploc ploc, toc toc, foco foco. O blog pode ter brilho e barulho. Meus blogueanos prediletos são mortais ao lado dos meus imortais. Aqueles estão nas estantes de meu disco rígido como esses estão em minhas prateleiras de madeira do tempo da pedra lascada. Para aqueles muito silício é codificado para a glosa, para esses muitas árvores tombaram em nome da prosa. Não confundir bloguista com bloquista. Ambos são construtores. O blogue é instantâneo e pode vir de meu vizinho como de Bagdá. Seu conteúdo pode ter sido trabalhado, ser aprazível, como pode ser uma blosta. Blogar é um verbo, blogosfera é um big blog. Blogosfera é uma arena, uma arenga. Editor de si o blogueiro edita seu blogego, seu divã. Todos somos criadores, co-autores numa obra que não é de ninguém. Até que enfim temos uma reforma agrária, a reforma agrária do espaço intelectual. O blog é autogestão, é sugestão, é aporrinhação. The medium is the message, prognosticou McLuhan, o McDonald, o Pato Donald, o intérprete midiático da pós-modernidade. Traduzindo hoje: a mensagem, essa miríade de interpretação, é o espetáculo. Do Circo de Marcos Frota ao Cirque du Soleil o contorcionismo verbal está ai pra quebrar a espinha dorsal dos “formadores de opinião”, do monopólio da mídia corporativa. Até blog.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Argh!
Sexta-feira. Em Brasília são dezenove horas. A voz do Brasil ressoa nos botecos a molhar as palavras comentários adentro sobre o fora do Senado que deixou dentro seu Presidente, cassado pelas mesas éticas etílicas. As garrafas em garras vadias afiadas eram abertas na frente do freguês, nada secreto, nada de decreto. Descontando os tropeços de línguas travadas seis mil mls uns a mais outros a menos, havia sobriedade nos discursos, naturalmente, do contrário, se inflamados, todos estaríamos carbonizados. Do atlântico à antártica, do boêmio à bohemia, de strauss à brahms, do scholar à skol, a efervescência das oratórias professorais soletrava a contemporaneidade brasileira. Estava eu, estava tu, viva o rabo de Mônica Veloso, no Beirute, depois no Bar Brasil – mais Mercado da W3 Sul - academias etilistas da intelequitualidade e de tribos brasilienses onde se encontram para embriagar-se o país. Em minha mesa até parecia que estava e analisava o furúnculo dos donos do poder senatorial o Raymundo Faoro. Na mesa ao lado ressoava interpretação bêbada e equilibrista do bamba Darcy Ribeiro a julgar que o processo civilizatório político tupiniquim está em recesso, decesso. Pelas tantas, já quando se beber não dirija, se dirigir atropele o Senado, e já saboreado o pastel – que é um almoço, em tamanho e sabor – do Mercado, sou levado pela cevada ao gol, movido a álcool, e um menino de rua, de cidade, de capital, turbinado à cola – tripla combustão para explodir qualquer naipe político - desliga meu acelerado happy hour quando ligo a ignição do um- ponto-zero. Implora uns trocados. Dou-lhe o trocado com a sensação de que a facada seria maior. Faço o cálculo mentalmente: cerveja, combustível e cola de sapateiro, não entram na p(a)uta do Conselho de Ética do Semnada. Muito menos um rato podre infante travestido de ser humano e um ser humano adulto travestido de rato podre. Afinal, pela milésima vez, somos rato ou ser humano? Minhas células cerebrais em mil megatons preservadas em álcool laboratorial mostravam que minha lucidez estava abaixo da sola de sapato que palmilhava a cabeça do pivete, colada na cabeça do gado de Renan. O guri, mais trebego do que eu, dá mais uma canfugada na cola e me cala. Ele não tem colo e decola, o out door da coca-cola pisca e rabisca um design consumista, hoje é sexta- cheira, amanhã é dia de feira, afundo o acelerador, o gol quer o posto Ipiranga, abasteço-o, cresço, adentro a avenida larga da esplanada, dou o grito do Ipiranga, a bexiga clama na rampa do Congresso, aproveito descuido da segurança, desço do auto, subo no prato de prata da Câmara, levanto a tampa da mama, a fedentina é pior do que aquele corpo descolado miúdo morto às margens plácidas do Alvorada, descarrego a bexiga no plenário, sinto alívio urinário, a missão contemporânea é mais funda, vou até a bacia do senado, levanto a campa, vazio o plenário é o meu calvário, não tenho mais urina, as narinas pedem clemência às excelências, a segurança pode chegar, a hora vai acabar, olho pro meu dedo indicador, não é rima mas é solução, meto-o na boca, no céu da pátria nesse instante, e o pastel, o cheiro da cola, resquícios de cevada, o painel da coca-cola, os discursos sem cursos das mesas botequinais, descem num jorro, em esporro nos tapetes azuis da casa grande e senzala de Renan e confluem nos tapetes verdes da casa de dona Jô de Chinaglia. Protuberoso, nada de asqueroso, é costume navegar em mar escandaloso essas casas, de Cabral a Cardoso, de pulhas a Lulas. Acreditando ter feito um gol de placa bacteriana, pego meu gol na grande área aplainada da esplanada, e acelero rumo a estação Finlândia, pegar gelo pra uma dose de uísque, fazer uma lavagem estomacal bicameral. A imprensa, na crença bufa de que foi efeito estufa investiga e mitiga a situação. Tudo é normal, há cento e vinte dias não chove em Brasília, mas as águas do Lago Paranoá haverão de afogar minhas mágoas.
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