Todos terão seu carro escorrendo rua abaixo rua acima. O padrão de brinquedo chinês a U$ 6.000 e as miniaturas indianas farão com que todos tenham seus quinze minutos de fama automobilística. Mão-de-obra barata os chinas-peões serão os cucarachas orientais desorientados às margens da mão-de-ferro do regime comunista-consumista-ditatorial-capitalista-ista isto e aquilo. As garagens serão nos telhados onde ao sol os quatro-rodas serão grelhados. Nas estradas chegaremos nenhures. A bicicleta, tão eclética em Pequim agora é beijim beijim, e se tornará patética. O importante é dirigir, nem que seja em seu autorama em sua rua sem saída. Bebendo combustível e vomitando poluição ambiental e sonora, galgamos a passos largos o jazigo das jazidas petrolíferas. Metrô, sinônimo coletivo, é retrô. A primazia é o transporte individual. Queimar sola de sapato queima gordura humana e queima status. Pneu, pneu, quem não dirige já morreu. A produção exponencial dos autos levará a um processo sem retrocesso com abscesso. Todos ao mesmo tempo agora nesse instante congestionamos ruas, calçadas, becos, vielas, pontes, com nossos santoautomóveis. Era quadrada e foi se tornando redonda a roda, girando no espaço urbano, engolindo as paisagens geográficas de qualquer limite. As calçadas já perderam o meio-fio da finalidade. Máquina mortífera, o automóvel cruza a faixa sinalizada da auto-estrada e se espatifa em autoconfiança. Ford fordeu com a escala e saturou as estradas terrestres com insolúveis placas de trânsito em transe. Bill Gates voa na infovia, pisa fundo na Microsoft e lógos lógos o trânsito de bytes no espaço aéreo congestionará os neurônios dos micreiros. O duelo dos séculos: companhias petrolíferas x companhias de informática. Quem ganhará a contenda das estradas. O motor de meu gol de letra deu pau, o hd de meu micro fundiu o motor. As fuligens dos escapes enegrecem nosso corpo e as dos softwares esclarecem nossas almas? Amsterdam ainda é modelo de trânsito livre das bicicletas ou já está esquelética? Vivemos o boom automobilístico, o boom informacional. É buumm demais pra pouco bom bycicle, metrô a metro. Quem levanta a bandeira contra o culto às quatro rodas? Pego meu velocípede e dou um cavalo de pau. Upa upa cavalinho, vamos começar a pedalar a consciência de que o equilíbrio está no movimento e não no estatismo. Que rodas queremos no asfalto? Que trilho seguiremos? Conectamo-nos pelas estradas das bandas largas, queimando pneubytes, construindo garagens infinitas de informações. O choque do futuro será a malha asfáltica de cabos ópticos, satélites, estalactites. A história moderna não é morna, torna-se pós-moderna a cada via e veia conectada ao acelerador da fórmula um, dois, três, já! Se meu fusca falasse é infantil, sorvo de meu cantil fuligens, óleo queimado, meu calhambeque bip-bip, a história é retrovisor do futuro. Engreno a primeira no terceiro mundo, no primeiro é zero câmbio, automático, pneumático. Não consigo mais segurar o volante, estou percebendo que meu texto baterá de cheio no poste da esquina, que cairá atravessado interrompendo o trânsito, atrapalhando o tráfego, causando vítima gramatical, num desenho lóchico. Que venham os carros chineses em fila indiana, bem recebidos pelas ‘ofiscinas mekânicas’ das beiras de estradas repletas de cruzes sinalizando que o sinto muito, de segurança, está no céu ou no inferno dos ferros velhos, monturos recicláveis, modelos de consciência ecológica refazendo em folha-de-flandres novos modelos de morte, de estética automobilística em sessenta prestações suaves numa roda viva mortífera de bem-estar social, que só usa dez por cento de sua cabeça animal raul. É bom dirigir, não depender de buzu sardinha. Aplico mil pontos na habilitação da inabilidade dos administradores que não andam de metrô muito menos de grande ônibus lotado, menos metrô inabilidade habilitação administrador, a mil sou multado me viu o radar da burocracia esperta sinalizando o fundo do meu bolso ou a vida.
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quinta-feira, agosto 30, 2007
sábado, agosto 11, 2007
Os pugilistas e os traficantes
O Ministro da Defesa e Ataque aos Indefesos, Nelson Tom Jobim, irmão do finado embaixador da MPB, Vinícius de Moraes, disse que tem um metro e noventa de ilibado saber jurídico, e não dava pra sentar nos assentos circunflexos dos aviões brasileiros que ainda estão a voar. Homem de notório saber do buraco do metrô de São Paulo que é o STF tem convicção de que agora os aeroportos do Brasil terão toda capacidade para deportar de forma eficaz e entreguista os atletas cubanos fugitivos do Pan do Rio de Festeiro, que queriam beber liberdade de caipirinha, pois já estavam de sacos cheios de cuba libre presos. De mão beijada, os Filinto Muller do PT entregaram ao paredon os atletas cubanos, com morte atlética decretada pelo dita e escreve a dor Fidel Lula Castro da Silva em artigo de quinta, publicado no Granma, jornal oficial da Voz do Brasil.
Outro que também estará em boas mãos dos aeroportos, aeronaves, aerolula, aeroplano, enfim, de todas as autoridades aéreas tupiniquins, é o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, primo de Renan Ramírez Nossa Senhora da Abadia Calheiros, preso por tráfico de influência na concessão de drogas radiofônicas, venda de gado da mais pura cocaína, e proprietário de muitas fazendas em condomínios paulistas, tudo não declarado à receita de bolo fazendária. Os Estados Unidos – sempre eles tiveram unidos contra todos – já pediram a extradição de Renan Ramírez para julgamento de todos os crimes cometidos, inclusive sua relação com Mônica Chupinsk Veloso, prima do músico Caetano, que é primo do ministro da cultura, Gil, que não tem nada a ver com essa estória, e nem o Caetano. O julgamento será feito pelo Senado norte americano já que o Senado brasileiro não quer ter a suscetibilidade de ferir a honra corrupta do senador enlameado nas alagoas secas do alto sertão de Maceió.
Renan Ramírez, se valendo da vaselina que é o Senado brasileiro, quer mostrar ao país que seu patrimônio vai além do pó branco supostamente adquirido enquanto traficante de portarias, incisos, projetos de leis e demais camuflas ministeriais, apesar das cirurgias plásticas para não se parecer com seu primo Renan. Acredita ele que, se o STF, sigla incendiária aérea de ANAC, decidiu arquivar inquérito policial contra Paulo Maluf, símbolo da honestidade corrupta nacional, por suposta corrupção na obra do túnel Ayrton Senna – tam-tam-tam, tam-tam-tam – (nem um símbolo do esporte nacional descansa em paz!), ele também pode deixar rolar o tempo a custas advocatícias – hoje em dia profissão sinônimo de boa remuneração do tráfico data vênia – e se livrar por prescrição. Quando ele atingir a idade de 75 anos bem-vividos, em condomínios e fazendas de artigo jurídico de luxo, já estará se aproximando de encomendar a alma pros quintos, e só terá forças para erigir um símbolo do viagra fálico do mau caráter nacional, com direito – sempre o Direito no meio da história – a descerramento da bandeira pátria e presenças do Presidente da República e dos Presidentes dos STA (STF, STJ...) ao STZ, discursando enaltecendo a honestidade e o caráter de tão alta personalidade que contribuiu para o alto padrão da moralidade nacional. Desculpe, caro provável leitor, este parágrafo está longo tendo em vista a extensão da ficha criminal do sujeito composto e ao mesmo tempo indeterminado, analisado aqui sintaticamente.
Outro que também estará em boas mãos dos aeroportos, aeronaves, aerolula, aeroplano, enfim, de todas as autoridades aéreas tupiniquins, é o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, primo de Renan Ramírez Nossa Senhora da Abadia Calheiros, preso por tráfico de influência na concessão de drogas radiofônicas, venda de gado da mais pura cocaína, e proprietário de muitas fazendas em condomínios paulistas, tudo não declarado à receita de bolo fazendária. Os Estados Unidos – sempre eles tiveram unidos contra todos – já pediram a extradição de Renan Ramírez para julgamento de todos os crimes cometidos, inclusive sua relação com Mônica Chupinsk Veloso, prima do músico Caetano, que é primo do ministro da cultura, Gil, que não tem nada a ver com essa estória, e nem o Caetano. O julgamento será feito pelo Senado norte americano já que o Senado brasileiro não quer ter a suscetibilidade de ferir a honra corrupta do senador enlameado nas alagoas secas do alto sertão de Maceió.
Renan Ramírez, se valendo da vaselina que é o Senado brasileiro, quer mostrar ao país que seu patrimônio vai além do pó branco supostamente adquirido enquanto traficante de portarias, incisos, projetos de leis e demais camuflas ministeriais, apesar das cirurgias plásticas para não se parecer com seu primo Renan. Acredita ele que, se o STF, sigla incendiária aérea de ANAC, decidiu arquivar inquérito policial contra Paulo Maluf, símbolo da honestidade corrupta nacional, por suposta corrupção na obra do túnel Ayrton Senna – tam-tam-tam, tam-tam-tam – (nem um símbolo do esporte nacional descansa em paz!), ele também pode deixar rolar o tempo a custas advocatícias – hoje em dia profissão sinônimo de boa remuneração do tráfico data vênia – e se livrar por prescrição. Quando ele atingir a idade de 75 anos bem-vividos, em condomínios e fazendas de artigo jurídico de luxo, já estará se aproximando de encomendar a alma pros quintos, e só terá forças para erigir um símbolo do viagra fálico do mau caráter nacional, com direito – sempre o Direito no meio da história – a descerramento da bandeira pátria e presenças do Presidente da República e dos Presidentes dos STA (STF, STJ...) ao STZ, discursando enaltecendo a honestidade e o caráter de tão alta personalidade que contribuiu para o alto padrão da moralidade nacional. Desculpe, caro provável leitor, este parágrafo está longo tendo em vista a extensão da ficha criminal do sujeito composto e ao mesmo tempo indeterminado, analisado aqui sintaticamente.
Como aqui no Brasil tudo se acaba em pizza, então ao final Nelson Tom Jobim, com o charuto de Fidel na boca, tocará piano a quatro mãos com Renan na Polícia Federal, protocolarmente assinando uma ficha em brancas mãos limpas, reconhecida em cartório do Alvorada. Os atletas cubanos baixaram os punhos, e o traficante será eleito senador da Colômbia das Alagoas com a maior votação jamais visto na história eleitoral brasileira.
segunda-feira, agosto 06, 2007
A morte de Catatau Antonioni Bergman
Catatau era o nome dele, o nome do passarinho que eu e minha filhinha de oito anos criávamos. Como apareceu por acaso no portão de casa, de repente se foi. Não foi o caso de Catatau de Paulo Leminsk, anos a fio afinando o fio da navalha de neologismos e fazendo a barba de Mauricio de Nassau com o discurso e o curso histórico do método de Descartes. Mas a morte aqui, expressa o sentimento do Catatau passarinho, eles passarão quintana.
Saltos mortais no recém Pan-Americanos discursaram nas traves e no solo. José Agripino de Paula já exercitava estripulias nas barras pop beat, antecipando o carnaval tropicalista. Era 4 de julho em Embu das Artes quando Agripino gripou espirro forte rumo ao céu de estrelas, ao olimpo dos intelectuais. Catatau também deve ter ido pra lá. Deus ama a todos, almados e desalmados, armados e desarmados, arrumados e desarrumados, amuados e desamuados.
Catatau estava de cabeça no chão da gaiola, alma gélida, ângulo captado pelo cineasta sueco Ingmar Bergman filtrando morangos e silvestres da alma de nosso periquito. Não, não era preto e branco, era um colorido que qualquer ornitólogo traduziria para qualquer psicanalista, pois era uma tomada bergmaniana na mais pura tradição freudiana. A passagem do periquito para o além é além das idéias centrais da psicanálise. Lelê, minha filhinha, em suas lembranças piagetianas argumentava que a morte de catatau serviria como uma aula sobre a insuficiência da linguagem e o engodo da idéia de identidade.
Catatau era polêmico no esparramo de seu alpiste e no espargir de água. Enclausurado em sua Balada do Cárcere cedo estava a trilar A Imitação do Amanhecer. Polemista por natureza catatau admirava a poesia de Bruno Tolentino. Com toda gula, Gullar, o ferreiro de nossa poesia, disse que Tolentino tinha traços marcantes, nunca maçantes, o de polemista. Boxeou com Caeloso, alcunhando-o de Goethe de Santo Amaro da Badalação, e os irmãos de cimento armado em Campos literomusical. Bruno teve 30 anos de Europa, catatau uns três de campinas cerradas.
Catatau não era silencioso, não construía o silêncio, não lhe interessava o vazio e o incerto, ao contrário de Michelangelo Antonioni em suas fitas. Catatau não era uma alma penada, mas tinha penas prenhas de significados para mim e Lelê. Nossos pares de olhares, infantil e adulto, sentimos a cena de uma crônica rubeana, bragueana. Antonioni focou sua câmera na gaiola de porta aberta à construção de um cinema novo, moderno, passando pela desconstrução do cinema narrativo, do cinema clássico. O sol sombreando o corpo caído de catatau na grade e a atuação do ator catatau em última cena compunham o enquadramento, o plano e a montagem de Antonioni opinando consciencioso de que um filme não precisa ser entendido, basta ser sentido.
A jaula de catatau estava forrada com uma folha de papel, do gibi Capitão América, e ele adorava arrastar seu bico na folha, esfarrapando-a, dando bicoradas, atingindo de cheio o Capitão América, mas juramos, de pés juntos e separados, eu e Lelê, que não foi catatau quem matou Capitão América. Quem o matou foi o seu próprio pai, Jeph Loeb, seu criador. No universo da imaginação de cata, o capita jamais teria a crônica de uma morte anunciada dias antes da comemoração do dia da independência americana. Foi a poucos dias antes do quatro de julho, derrubado pela bala de um assassino nas escadarias da corte federal de Nova York. De quadrinho em quadrinho, numa seqüência cinematográfica, Bergman, Antonioni, Tolentino, Agripino, Capitão, catatau, encenaram seus papéis antes de agosto chegar, a gosto da imaginação de cada mortal.
Saltos mortais no recém Pan-Americanos discursaram nas traves e no solo. José Agripino de Paula já exercitava estripulias nas barras pop beat, antecipando o carnaval tropicalista. Era 4 de julho em Embu das Artes quando Agripino gripou espirro forte rumo ao céu de estrelas, ao olimpo dos intelectuais. Catatau também deve ter ido pra lá. Deus ama a todos, almados e desalmados, armados e desarmados, arrumados e desarrumados, amuados e desamuados.
Catatau estava de cabeça no chão da gaiola, alma gélida, ângulo captado pelo cineasta sueco Ingmar Bergman filtrando morangos e silvestres da alma de nosso periquito. Não, não era preto e branco, era um colorido que qualquer ornitólogo traduziria para qualquer psicanalista, pois era uma tomada bergmaniana na mais pura tradição freudiana. A passagem do periquito para o além é além das idéias centrais da psicanálise. Lelê, minha filhinha, em suas lembranças piagetianas argumentava que a morte de catatau serviria como uma aula sobre a insuficiência da linguagem e o engodo da idéia de identidade.
Catatau era polêmico no esparramo de seu alpiste e no espargir de água. Enclausurado em sua Balada do Cárcere cedo estava a trilar A Imitação do Amanhecer. Polemista por natureza catatau admirava a poesia de Bruno Tolentino. Com toda gula, Gullar, o ferreiro de nossa poesia, disse que Tolentino tinha traços marcantes, nunca maçantes, o de polemista. Boxeou com Caeloso, alcunhando-o de Goethe de Santo Amaro da Badalação, e os irmãos de cimento armado em Campos literomusical. Bruno teve 30 anos de Europa, catatau uns três de campinas cerradas.
Catatau não era silencioso, não construía o silêncio, não lhe interessava o vazio e o incerto, ao contrário de Michelangelo Antonioni em suas fitas. Catatau não era uma alma penada, mas tinha penas prenhas de significados para mim e Lelê. Nossos pares de olhares, infantil e adulto, sentimos a cena de uma crônica rubeana, bragueana. Antonioni focou sua câmera na gaiola de porta aberta à construção de um cinema novo, moderno, passando pela desconstrução do cinema narrativo, do cinema clássico. O sol sombreando o corpo caído de catatau na grade e a atuação do ator catatau em última cena compunham o enquadramento, o plano e a montagem de Antonioni opinando consciencioso de que um filme não precisa ser entendido, basta ser sentido.
A jaula de catatau estava forrada com uma folha de papel, do gibi Capitão América, e ele adorava arrastar seu bico na folha, esfarrapando-a, dando bicoradas, atingindo de cheio o Capitão América, mas juramos, de pés juntos e separados, eu e Lelê, que não foi catatau quem matou Capitão América. Quem o matou foi o seu próprio pai, Jeph Loeb, seu criador. No universo da imaginação de cata, o capita jamais teria a crônica de uma morte anunciada dias antes da comemoração do dia da independência americana. Foi a poucos dias antes do quatro de julho, derrubado pela bala de um assassino nas escadarias da corte federal de Nova York. De quadrinho em quadrinho, numa seqüência cinematográfica, Bergman, Antonioni, Tolentino, Agripino, Capitão, catatau, encenaram seus papéis antes de agosto chegar, a gosto da imaginação de cada mortal.
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