Total de visualizações de página

sábado, julho 07, 2007

FLIPAN


O caminho das pedras está traçado em Parati, para mim, leitores e para eles atletas, que lerão os resultados dos adversários com pessimismo em busca do ouro no Rio, yes Pan. É uma leitura em busca do pódio, como o literato busca atingir a linha de chegada ao leitor. No atleta uma contusão nos causa pena, instrumento primeiro de satisfação do escritor em tempos idos. Quem será o recordista de medalhas de melhor e maior leitor do Pan, quem recordará os clássicos a peso de ouro a dar agilidade nos músculos dos novos escribas.
Essa é a 15a. edição de exemplares atletas do Pan, rumo a virarem best-seller com não sei quantos milhares de expectadores e, Parati, e para nós, marca o seu 5o. evento, é mar, é terra, é água. Em todas as modalidades a literatura se exercita. Os atletas sabem que o importante é competir e os estudantes que mais importante que estudar é ler. No placar eletrônico milimetrado Coubertain e Ziraldo cruzam a linha de chegada papo cabeça a papo cabeça, suados de esforço para que todos os acreditem. E todos acreditam que a trinca estudar, competir e ler é o remo da contemporaneidade, quer queiramos ou não, mas querendo é muito mais esporte saudável.
Há uma árvore na festa literária de Parati, e para vós, em que livros pendentes por cordões umbilicais germinam o hábito da leitura na criançada. São os atletas do futuro leitor que correrão em busca de um Machado para devorar um Grande Sertão de Veredas, trilhas, Caminhos Cruzados veríssimos e tudo que estiver nos Caminhos dos Swanns Proust adentro em busca do tempo perdido.
O Pan é continental e a Flip internacional, mas a geografia da plasticidade atlética e da literariedade não têm fronteiras. Dos pulos mortais de Daiane de todos os Santos à imortalidade do anjo pornográfico Nelson (olha o som, som!) Rodrigues, ecoam eflúvios de ginástica e imaginação, e ele, Nelson, é o homenageado do Pan Parati, e para tu, o pai da vida como ela é para o atleta que se dedica na elaboração de seus músculos em tatames e não em asfalto selvagem.
A Vila de Parati, e para ele, é efervescência como a Vila do Pan, onde também passeiam os mestres do passado. O salto triplo que Adhemar Ferreira deu sobre a pedra no meio do caminho, a mão santa que Drummond liricou seus poemas, os laços de família entre Hortência e Paula, o tênis que Clarice Lispector amarrou da literatura brasileira e não da russa, a dedicação de corpo inteiro que Maria Esther Bueno elevou o lustre muito antes que o Guga. E aí se vai em memórias póstumas de Maria Lenke Brás Cubas...
Parênteses. Exercitar o corpo e a mente faz bem à suada saúde, e para isso eu pano de bicicleta e caminhadas e flipo em minha biblioteca diariamente. Minha filhinha, oito anos, adora panar de bicicleta e estou incentivando-a flipar bastante. Este ano ela já flipou vinte e dois livrinhos.
O FLIPAN está repleto de estrelas: Arnaldo Diego Jabor Hipólito tecerá piruetas no solo sobre seu guru, o homenageado da festa, Nelson; Ruy Fernando Rodrigo Castro Morais de Pessoa estarão cavalgando sobre as barreiras do hipismo da censura do rei Roberto Carlos; o pódio Nobel Nadine Gordimer e o israelense Amós Oz cairão na piscina em braçadas profundas sobre o papel da literatura no ‘resgate de uma humanidade permeada pela injustiça’; Silvano Santiago de seu trampolim observa tudo para tecer suas críticas; o augusto Augusto Boal desoprimirá o teatro; os bichos bons de letras musicais Chacal e Lobão se apresentarão em esportes coletivos e mais Paulo Cidade de Deus Lins, Antonio Essa Terra Torres, Mia Terra Sonâmbula Couto, etc... FLIPAN é esporte, música, teatro, cinema, artes, literatura. Flipanamérica!

Nenhum comentário: