Já sou analfabeto, beta a ba, em nosso português escorreito e agora querem consertar a lápis o idioma de Camão, singular de Camões, na era da tecla. Além da questão gráfica, impressa, a mecânica do teclado entrará no rol da temática da gramática dos noves fora países lusitanos. É por isso que São Paulo se antecipou e criou o Museu da Língua Portuguesa, e já preparou o sarcófago dos acentos que estão no corredor da morte. Teremos um esperanto português? Teremos uma gramática como um peixe sem espinha que até um bebê de touca poderá mastigá-la sem cagar regras? Um inglês luso? Reforma logo agora que os concretistas completam cinqüenta anos de cimento, areia e ferro? Os Campos e os Pignataris continuarão espalhados nas mentes e folhas poéticas, gerações em vivavaia, o som e o sentido subindo e descendo andaimes na estrutura lingüística dos edifícios e efácios. Caetano Veloso, que tem língua fátria, mátria, envergará o agudo em notas pátrias musicais, uis e ais? E a crise da crase, cruza o arquétipo da nova língua? A crase, gulag segundo Gular, é um poema sujo pra muitos, e se ela se despedir, já vai tarde se despir. Phoda-se a reforma. A radicalização da língua enroscando no beijo de telenovela é o desejo da platéia de todas as vertentes, no merchandising nivelado da nova novela velada das oito. O acento diferencial não alterará o sotaque da alfabetização teledramatúrgica. A ABL – Academia Geriátrica Brasileira de Letras de Câmbio – quer disseminar o padrão global lingüístico da última flor do laço amarrando a linguística com linguiça, aqui já sem temer o trema. Essa reforma é a última do português? Do cume do monte pascoal, Pasquale Cipro Neto, dissecador dos glaucomas de nosso idioma, dá a grita contrário e agita a polêmica, anêmica para uns, instigadora para tantos, no entanto Padre Vieira quando pegou o mouse e riscou nas areias das praias baianas, ninguém soube se ele escrevera em português português ou português brasileiro, tendo em vista que Sarney, dono de um tamborete na ABL, rufou os tambores maranhenses que agitou as ondas, deletando assim o escrito do jesuíta, ocorrendo até hoje essa dissidência no sinal diacrítico. É bom fechar um parênteses sobre, segundo a mitologia grega, o Maranhão é o estado brasileiro que melhor fala e escreve o português, requisitos não suficientes para a literatura de Sarney se azulejar. Mas o Maranhão é o sucinto Gular e o prolífero Josué Montello, esses sim, ressonadores dos tambores do Maranhão. Mas dizem que a reforma ortográfica agora vai ou racha na tacha do mercado editorial. Quem não chora e Mia Couto é a favor. No Brasil ele está vendendo feito água, se esbaldando. Na imprensa brasileira o destaque sobre essa ziquizira, quiriquiqui, blablablá é o confronto Brasil x Portugal. Onde meter o Cabo Verde, onde está o Príncipe São Tomé, em que ângulo está Angola, ninguém vê a Moça bique, está havendo uma distancia abissal com a Guiné, há o que temer com o Timor de qualquer quadrante? Dizem que essa sopa de letras geográficas confluirá para a monolíngua cultural, política e histórica. Sei não, conceição. Antonio Houaiss, antes de deus convidá-lo a elaborar o dicionário universal, é que deu o pontamão inicial dessa firula ortopédica gramatical, e de lá de cima está olhando sobre os ombros da contenda a tática do assentir o assento do acento. Talvez essa reforma chegue tarde, ou não importe, pois uma nova língua já está em curso histórico. É o ritmo internético sincopado do vc, tb, bj, etc., é o futuro condensado no hd neurolingüistico de nosso pc cerebral, gugu, dada. Sou a favor e sou contra, muito pelo contrário, o importante é que nada disse, disso tenho certeza: nada afetará meu poeta maior Carlos Drummond Bandeira Quintana e de qualquer quintanista que não dê bandeira. Essa trindade poética supera qualquer acentuação porque ela é o diferencial. De frente ou de ré, boa ou má, essa reforma não nos suprimirá do reformatório engradado da gramática.
4 comentários:
O ''futuro'' da nossa língua é o qaue se vê em sites e salas de discussão da Internet...
Mas, à exceção dos especialistas, não será fácil ouvir algum lamento pelo fim dos tremas e outras velharias pré-históricas( que sejam eliminados também hífens e outras besteiras do tipo! ).
O mundo será governado por jovens com PHD em jogos eletrônicos, acompanhados por loiras peitudas e bundudas- tudo natural, sem uma gota de silicone!!!
Já somos analfabetos quanto às centenas de regras ridículas que fazem a alegria dos gramáticos. E o Reinaldo Azevedo, na ''Veja'', ainda detonou a onda de aulas de interpretação/comentário sobre textos, pregando a volta das aulas e questões de concurso predominantemente gramaticais! Eu só não chamo o cara de ''reaça'' porque, depois da ascensão do PT, eu virei direitista...
Li o artigo. Está muito bom e verdadeiro.
Mas, que eu saiba, você não domina sequer a arte da redação... Que dirá entender os sofisticados e obscuros caminhos gramaticais, arte para poucos do(c)entes...
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