Depois que os fatos aconteceram e ninguém quer mais comentar, eu chego e boto o dedo. Quem de fato colocou o dedo na ferida foi o Betão, aquele que teve toda liberdade de expressão na repressão para criar suas canções sem ação política. Engajadas ou não, não vem aqui ao caso, ou vem, o fantasma da censura artística. Quantas notas musicais não foram distorcidas, quantas árvores foram decapitadas para virarem folhas mortas de livros no regime ditatorial brasileiro, e agora o rei quer mostrar as unhas de um negro gato de arrepiar censurando livro. Deus me livre, viva o Louvre, santuário da arte plástica. Inegável a plasticidade das músicas do Betão da primeira metade da carreira.
Para um rei, como o Betão, censurar, não pega bem. Prega mal quem apóia o fechamento de um canal de televisão venezuelano. A chave da questão é a censura. A chave de Betão é a intimidade invadida. A chave de Chaves é a oposição a seu corolário bolivariano. Não, corolário, não, é uma palavra esquisita. Esquisita é a justificativa de Renan em não querer revelar detalhes, não apenas das falsas notas musicais, digo, notas de mesada, como também de sua relação com os tratores da Mendes Juninho e Gautama de lama movediça. Será possível que, para esses homens os detratores são sempre os outros!
Relação sexual mal transada, perna quebrada e intimidade intimada, discurso sem curso comunicativo, tudo origina a uma censura sem mesura. E que tudo mais vá pro inferno não é justificativa, é ação infantil provocativa. Renan não quer largar a cadeira senatorial, Betão não irá largar as notas musicais, Chaves se recusa a ouvir Canção da América. As curvas da estrada de Santos estão nítidas apenas no violão que é a jornalista Mônica de corpo zeloso.
Sou do tempo do vinil e ecoou-me bastante o som e o sentido da robertomania nos namoricos na avenida Praça João Pessoa, de Cajazeiras, meu torrão natal, e o sarro que arranha a espanha – isto sim, ao sol tropical, sem lenço e nem documento - no cine pax do bispo e no gozo do cine Éden, o verdadeiro paraíso. Ô, Carlos Roberto, não inverta sua história!
Não é de se estranhar que políticos da seara da tropa de cheque daquele cara que agora retornou ao senado guardem segredo a sete chaves até a navalha da PFederal fazer a barba deles, mesmo tendo a sensação de que os togados irão liberar toda essa turma da pesada a peso de bons argumentos advocatícios.
O Papa se foi, mas o povo acredita que Jesus Cristo está aqui para falar pro homem lá de cima que a justiça divina um dia será feita. O óbvio é que essas desfeitas fossem resolvidas por aqui mesmo se o STJ, o STF e tudo quanto é Tribunal Superior estivessem um degrau a menos do Supremo Deus Todo Poderoso. Betão crê em Deus e ainda ama Maria Rita até a alma; Renan crê no Conselho de Ética do Senado até o corporativismo; Chaves acredita em Fidel Castro até... sei lá! Este pseudocronista não acredita em ninguém. No melhor de uma novela venezuelana Chaves corta o novelo do folhetim e provoca motins. Os estudantes são a tropa de choque dos protestos com esparadrapos nas bocas, e Renan faz um paredão com os membros de todos os partidos e ameaça retirar os bandeids dos ralos das empreiteiras paitrocinadoras de campanhas de todos os senadores, e todos batem o pé de que essa história já é um caso encerrado nos anais da Casa mãe Joana. Justiça seja feita, os senadores Thomas Jefferson Peres e Pedro Simon Bolívar dizem que isso não dá pé. Betão faz show no Canecão e bebe o vinho sagrado do sucesso em cálice, mesmo que muitos e muitos fãs acreditem que ele entornou o caldo no copo, ou do copo.
Edups. 04.06.07
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