Ronaldo fenômeno de marketing nem fez gol na decisão do campeonato paulista zero nove, mas a imprensa só espirrou tinta em sua camisa. Nem os espirros dos espíritos de porcos mexicanos ganharam manchetes à mancheia. Os gaviões da fiel estão que estão. Se deixarem, comem até as tripas de porcos assadas nas grelhas dos churrascos de gato das esquinas de sextas-feiras e nas portas de estádios, como também nos porções cinco estrelas de gente fina. Até as garras de Wolverine se renderam ao ataque do joelho fenomenal esmigalhado. A clínica francesa, que lá atrás reazulejou o joelho do Ronaldo eu sou brasileiro, não desisto nunca, imprimiu no delírio das nações fanáticas o humano, demasiado humano que é o atleta de São Jorge, o cara, este sim, o cara que vai pra esbórnia e confunde o traveca com a prostituta mas com a partitura rege a esquadra, a esfera bate na trave, realinha os cofres dos cartolas do dragão que mata de inveja a cartolagem do Congresso Nacional querendo realinhar suas finanças com as milhas da Gol. E a publicidade midiática na indumentária fenomística é o deus da imagem e semelhança da paixão nacional. As bolsas de valores furados despencaram com o gol por cobertura em Fábio que o fenômeno fez crer que o Brasil estava de costas na crise global. Que crise? Lula é corintiano, ele sabe driblar seus discursos com analogias futebolísticas. Sabe, nunca antes neste país tivemos um time tão outdoorizado nos botecos, nas salas de TV, nas esquinas, nas mentes e corações dos doentes corintianos e nos sãos que não são corintianos. Ele é o homem mais feliz do mundo, o corintiano é o torcedor mais feliz do mundo, os cadernos esportivos são os mais lidos do mundo. O mundo gira nos pés Dele. Ele foi eleito o melhor jogador do campeonato paulista só Dele. Ele não é Nazário, Ele é o Nazareno de chuteiras, de chutes sagrados indefensáveis. O Parque São Jorge é o santuário dos que depositam seus berros, extravasam a bestiagem futebolística de vinte e dois marmanjos fazendo crer que o mundo é uma bola que parte do centro, dos escanteios e da marca do pênalti. O homem-gol da música de Jorge Bem-Jor, o homem-gol da cervejaria, o homem-gol da fábrica de chuteiras, o ex homem-gol que pisou na bola da UNESCO, o homem-gol que fecha as cotas publicitárias das camisas esportivas usadas de segunda a segunda pela galera que rala e rola a bola da moda sem gola que chamo de mau gosto, mau gosto, e Narciso também, mas que não chamo de mau gosto, porque não ouvi ainda detidamente, Zii Zie de Caetano. Será que Zinedine Zidane também voltará ao Corinthians francês e reeditará de cabeçada o espetáculo ronaldiano? Mas nem tudo é unanimidade. Roberto Carlos completa cinqüenta anos de carreira, e eu corro demais, corro demais só pra dizer: e que tudo o mais vá pro inferno com a ronaldomania, com a futebolmania.
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