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segunda-feira, maio 25, 2009

Tevendo aberto

A propaganda de TV me apontou jogo de luz, curiosidade, ação, roteiro engraçado, colorido agradável. Fiquei paralisado, crucificado pelos botões do controle remoto. Consumidor desarmado com o meio e a mensagem. O automóvel a preços módicos seduz pela loiraça de pernas praiadas, rompendo minhas retinas taradas. Sexta-feira noturna, já sorvi a cerveja encenada pelas atrizes e coadjuvantes gostosas, um verdadeiro ensaio televisivo da sedução se beber não dirija e chame o médico com moderação. Em outro canal meu dente recebe o copo d´água que será benzido pelo pastor escroto que leu maroto o versículo da mobília da bíblia em prestações suaves no dízimo com quem andas que te direi o quanto és oratório. O jornal televisivo de maior audiência anuncia o maior crime do dia via ausência de sentimentos meus. Estou pedrado, banalizado com a artilharia original da marginália e a secundária do Estado de falência múltipla dos órgãos das três esferas roídas, sem dentes para mover a engrenagem social. Dez minutos de propaganda eleitoral autorizada pelo tribunal que me nega desobrigação de eleitor e obrigação de vedor. Para qualquer partido a Suíça está em minha sala de estar. O mal estar do título de eleitor, da zona eleitoral, zona total imposta. Desenho animado para adulto desanimado, para criança animalda. O horário dos possíveis melhores programas cochilam na grade da madrugada sonífera enjaulada. Dorme neném que o papai também morreu de sono com tanta criatividade da programação do crime compensa audiência. Raro é o dia que “um crime que chocou todo o país” não me abala com bala perdida e encontrada. Jornal das cinco, sete, doze, treze, vinte, vinte e três noves fora o recheio das tortas das bregas e brigas d´antenas. A repetição da notícia em todos os canais ecoa desinteresse fácil ou obsessão pela tragédia. Especialistas profundos em segundos analisam a semântica do crime passional em palavras fáceis, consumidas ao sabor do pudim da janta mesclado ao sangue virtual como sobremesa da imagem hdtv. Editorialistas dão a última palavra sobre a calhordice dos da Casa do Povo. Fácil fácil encontrar melhores editorialistas nos pés de balcões de botequins de opiniões sinceras, longe das amarras das opiniões dos empresários das empresas balisadas por concessões públicas publicáveis. O lance do gol do craque, o craque do gol, o gol em lance de craque, por todos os ângulos extasia, anestesia, anorexia. Correspondentes internacionais para se entender in loco a loucura da última peste e das obsessivas quedas do dólar e o interesse fantástico pela linguagem intricada das bolsas de valores sem valor algum para os mortais afetados pela gripe do dólar no focinho dos porcos. A balança comercial e o câmbio flutuante fluem nas bocas dos repórteres como os maiores entendidos dos grandes sertões de ulisses em veredas de joyce guimarães. Nos fins de semana é o fim da picada, do dengue com programas especiais superficiais. Desde Pedro Álvares que Sílvio Berlusconi briga pela audiência fausta. O canal do governo não governa publicidade particular, o filão do gugu dada com a receita de danoninho apela tudo por dinheiro público ou privado. A solução é a TV fechada? O populacho está proibido da sintonia fina pay-per-view, imagens distorcidas na escala classificatória C.

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