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sexta-feira, maio 01, 2009

Porcaria

Quando enfiei o garfo na costela de porco bem assadinha senti que um espirro suíno havia sido exalado na farofa feita com torresmo. Não chamei o garçom para reclamar, mas saquei meu celular e liguei para a Organização Mundial de Saúde para me orientar nesse caso. A chamada gripe suína da nova ordem mundial chafurdou meu almoço, perdi até o apetite de reler o clássico A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Saí do restaurante com a neura da gripe suína, querendo mascarar-me, e, já na rua, vejo um vira-lata metendo a pata no poste urinando na queda das bolsas de valores. Ele, o vira-lata, piscou um olhar escroto para mim como se dissesse: “vocês, dessa raça indigesta de humanos, um dia vão pagar todas as humilhações que nós caninos sofremos em vossas mãos com uma pandemia de leishmaniose visceral”. Desviei o olhar medroso e sai correndo achando que nós humanos estamos no lucro com essa gripe suína, porque se fosse uma gripe canina metade da população já estaria pra lá de pet shop. Quase todo mundo tem um cão, se não dois ou mais em casa, e aí nem o cão da Casa Branca, das filhas de Obama, escaparia, mesmo com ajuda de não sei quantos bilhões ao sistema financeiro norte americano. Parei numa farmácia para comprar uma máscara, mas Os Três Porquinhos já haviam passado por lá e comprado tudo quanto era proteção. Achei lógico os porcos usarem máscaras ao invés dos humanos se eles são a origem dessa pandemia da era pós moderna, moderníssima com a perspectiva de reedição de gripe asiática, tifo, esquistossomose, tuberculose, antraz, peste bubônica, raiva, sarampo, varíola, ebola, hepatite, malária, dengue, gripe aviária e outras tantas que o avanço da medicina proporcionará. As ações nas bolsas de valores do Globo Mau farmacêutico é que valorizou milhões de vírus em dólar, euro e qualquer outra merreca. Para entender essa porcaria de vírus passei na livraria e comprei o livro dos Três Porquinhos – México, Estados Unidos e Outro país qualquer a disputar o ranking. Ilustrações coloridas mostravam gráficos de chiqueiros mal cuidados. É nitidamente perceptível a lógica de engordar cofrinhos de porcos com moedas de Tio Patinhas, o mega investidor corporativo que arrebanha conglomerados industriais e agronegócios devastadores, passando por cima do estrumo nativo reclamado pela WWF, protetora de ecossistemas, faunas, floras e flores, e que exemplarmente realizou no início desse ano um apagão globalizado intitulado “o último a sair apague a luz do chiqueiro Terra”. É lamentável usar palavras ásperas com o que estão fazendo com o nosso Planeta Terra, ar e mar antes nunca navegável e agora explorado em suas veias abertas de todas as américas e demais continentes contidos no bojo da destruição planetária. O México está a milhares de quilômetros daqui de casa mas a capacidade de transmissão do vírus suíno é instantânea pelo vírus do computador a amarelar-me com notícias perturbadoras. Já que nosso planeta é uma bomba relógio vou relaxar com outra leitura de George Orwell, O Triunfo dos Porcos. É preciso calculadora para somarmos quantos porcos triunfaram nas epidemias políticas, econômicas e quejandos. Na minha escrivaninha tenho um globo giratório e passo a mão nele e percebo que a esfera global está febril, anêmica, pedindo socorro, maria, fátima... Pedindo o afago de todas as mães de bom coração.

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