O bar estava cheio de Obamas bhrama, posturas nada presidenciais, antártica, o continente e o conteúdo geladas cevas, 20 decibéis de conversas pra lá do petróleo de Bagdá sobre os 0,2 decigramas se o álcool injetado era bucal ou bocal do tanque do gol de paradinha no pênalti: vale ou não vale fazer a parada boêmia, chegar em casa de Lei Seca. O que diz a FIFA – SupremoTribunal Superior, sobre a validade dessas regras, criadas por causa da irresponsabilidade dos que não sabem parar, olhar o canto e chutar com alegria de muitas tulipas véu de noiva em prazer orgasmático. Como é que vou chegar em casa e não fazer um quatro, prefiro correr o risco de pagar 950 paus e as pauladas de lição de moral ética de mamãe, esposa, filhos e bidu, o cachorro que só observa a cachorrada que estão fazendo com os Vinicius de Morais, Limas Barretos e demais boêmios e bohemias celestiais daqui da terra. Um copo cheio de ar, um corpo vazio de alma vadia ao cair da tarde, garrafas cheias a dar água na boca; ‘meu bem me dá, água na boca’; meu bem me provoca, álcool na boca; a maldição do prazer prazeroso interceptado pela linha evolutiva da combustão humana gasolina-óleo-álcool-gás-morte no trânsito-hospital-inocentes-irresponsáveis-cemitério-choro-dorn’alma. Mamãe, eu não quero mamar na chupeta, na chupeta do bafômetro. A eficiência da mecânica tecnológica deveria construir o medidor do álcool no sangue por happy our e não por decigramas. O lógico é fabricar carros com velocímetro até 60 km de contenção de ignorância humana. O índice de desastres alcoólico diminuiu com a seca lei. Os índices das chatices com baixo teor de bicombustível álcool-direção aumentou a curva do gráfico cenográfico de um bom bate-papo, limitação nas fantasias e mentiras ao sabor de petiscos numa mesa de bar sem air bag. Mil mentiras repetidas que comeu aquela garota de olhos de ressaca de pitu – cachaça pernambucana -, lembrada nos cem anos de morte de Machado de Assis capitaneado pelo enigma Capitu. A Academia Brasileira de Letras – STF, deveria se pronunciar em nome dos porres literários da FLIP, onde a bebida foi servida livremente no cálice de alto teor de filigranas estilísticas para todos embevecidos e embebidos na leitura livre de leis secas e molhadas. A leitura é o eterno porre da alma, não dá ressaca, pode-se até beber um novelo policial e não ser aporrinhado por blitz na identificação do autor do crime. A perícia está no enredo do autor, alcoolizado nos mistérios da criação literária. Antes da aplicação da Lei Seca não se deveria vir dose dupla, com gelo, campanha publicitária na educação dos alcoólicos identificados? Os anônimos já estão identificados nas associações a derramar verbalmente tragédias coletivas, encarcerados na última dose cavalar de arrependimento. Pausa: o cronista quer beber – também é filho de deus -, derramar a do santo no pé do balcão das leis instantâneas, dá uma goipada – uma vasta cuspida aguada – no capô da viatura da blitz e falar pro policial abstêmio em seu plantão: “sou boêmio, não sou criminoso”. Retornando ao texto: o contexto exige explicação sociológica, fosológica, digo, filosófica de botequim, aonde os verdadeiros entendidos explanam a concepção acadêmica jurídica dos retraídos elaboradores de códigos, leis, e instrumentos castradores do bel prazer. Doutos homens, iluminados pela ética, zeladores dos bons costumes são contidos no exalar dos prazeres da carne alcoólica, no falar alto pós doses balantaines; letrados senhores jurídicos domados no pum e no hic! social, guardiões da provocação etílica de nossas almas infernais. A ambulância abrindo o trânsito engarrafado, engradado está fadada ao fracasso. Já não mais existe bebum, já não mais existe sexta-feira noturna, já não mais existe mil palavras ébrias , a mesa do boteco é um treco comum, perdeu sua identidade na dispensa do garçom no olho da rua. A solidão do bêbado caseiro é a segunda via, escasseado do vozerio incolor do boteco, da fila no mictório em cenário pictórico a retratar o alívio da bexiga, o retorno do retorno a uma nova dose, alô, amor, já estou indo, alô, mamãe, fique tranqüila que a ambulância me estenderá em seus braços à base de insulina, de cajuína, a que se destina esta dose pequenina. Meu mundo morreu, adeus em letras garrafais. A lei secou a fonte de meu copo.
Um comentário:
Você acabou escrevendo o ''requiém'' para a nossa sociedade etílico-corrupta, literalmente ''movida a álcool''. Um verdadeira ''tragédia grega'', mas não estamos na Grécia, e no Brasil as tragédias soam, como no caso, meio como farsa e meio como ironia/deboche...O preço a pagar é pequeno, se não mais tivermos de ver pais/mães de atropelados, acidentados chorando pela TV as mortes anônimas de seus filhos no faroeste em que se transformou o trânsito brasileiro...
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