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domingo, maio 25, 2008

O Sol

Acordei e fui até a janela do quarto, o sol estava convidativo para um dia quente de notícias. Botei o braço pra fora e pequei, peguei o sol com a mão e esfreguei-o em meu corpo. Fiquei bronzeado e coloquei o sol no copo de água com sabão, o copo que Lelê, minha filhinha, brinca assoprando com seu brinquedo de fazer bolinhas voarem pelo espaço. O sol foi junto com essas bolinhas também para o espaço e segui-o com o olhar do Observatório Nacional. Receio de que o sol se apague como as outras bolinhas de sabão e Lelê seja a responsável pela extinção do febo. Ninguém mais poderá cantar a música de Raul Seixas que pede pra se olhar o sol surgindo por detrás das montanhas e talvez não mais passe a existir essas discussões infinitas sobre aquecimento do planeta terra. Os ecologistas decairão na Bolsa de Valores do Fim do Mundo e essas Organizações Não Governamentais que dependem das Organizações Governamentais que faturam sem mostrar a fatura pro governo contribuirão para o desaquecimento das corrupções que evaporam o Real da real situação falsa ecoilógica. Até que a imprensa tem divulgado essas corrupções, mas quem resplandecia era o Sol que brilhava nas bancas de jornais, na década de sessenta, segundo a música de Caetano Veloso e retratado em filme homônimo. Era a temperatura da década de sessenta o aquecimento global político direita x esquerda ou o inverso disso que eu disse antes em verso cultural aquecido pela versão aversa da bipolaridade URSoS soviéticos x eu, eu, EUa. Por essa década, Lula fugia do redondo escaldante rumo a São Paulo para aprender o ABC da política e se tornou uma estrela em torno da qual giram os terráqueos e os outros planetas do sistema solar pmdbista e quejandos que nunca vêem o sol quadrado, desembocando no buraco negro da decepção dos que desfraldaram a bandeira nacional sem fraldar os raios de Maio de 68. 1968/2008 está mais para subtração do que multiplicação?. E o sol da liberalidade, em raios fúlgidos de bicicleta, brilhou no céu da pátria que te pariu naquele instante 68, uma festividade 69, o vértice e o vórtice. Em São Paulo o sol nasce para toldos, arranha-céus, e é por isso que meu primo Roque e meu amigo Alcnol são brancos – este último assim se declara em seu blog – mas aquecidos pelos raios que partem a paulicéia varada de confluência humana e coisas, e restaurantes, e vida cultural de primeiro mundo. Quando o sol dá um tempo no nordeste o tempo deságua rachando pontes, açudes, cacimbas e ninguém quer saber do sol resplandecente nas lâminas das enxadas três alqueires, nas calotas dos tratores mil alqueires, ou sei lá que dimensão tem a transposição do São Francisco, às margens plácidas de um povo heróico antes de tudo um forte, fortaleza que até o momento não tive para atravessar as 442 páginas de Os Sertões com a alcunha euclidiana de “leitor fodão”, logo eu, um ex-galego descendente de portuga, ex-galego porque, como disse no início, estou bronzeado, sou artificial, mas jamais menino do Rio, possivelmente menino do Açude Grande de Cajazeiras que também sangrou essa invernada de prejuízos, mas quem tem juízo não condena a mão aberta chuvosa de São Pedro. Volto ao início do texto para registrar que o Sol-bolha, graças, não estourou, pego-o de retorno por causa de um leve vento e recoloco-o no firmamento. Ele agora estará de sol a sol compondo a paisagem de deus, e deus (sei lá porque coloco deus de minúsculas) não haverá de ralhar Lelê por causa de sua estripulia de soprar o sol na palma da mão quase estragando a ordem natural das coisas que Ele criou. Eu, desobediente de deus, quero tapar a peneira com o sol e ver a cadeia redonda. Antero de Quental disse “O claro Sol, amigo dos heróis”. Onde estão os heróis de hoje para pendurar o sol no peito e se derreter de elogios? Os heróis morreram todos de overdose de cazuza em nota na escala musical do rock brasileiro dos anos oitenta que ditaram a pauta cultural a pau, puta que o pariu como foi bom.

2 comentários:

Unknown disse...

Será que esta soprada da Lelê no sol causou o terremoto na China? Terá ela alterado a ordem das coisas e nos colocado em um processo irreversível de CONGELAMENTO global? Acho que a Lelê soprou aquela bola que foi parar na cabeça do Washington contra 3 becões do São Paulo no jogo da última quarta-feira...Vou pedir anulação do jogo!

Unknown disse...

O sol aqui em Sampa é frio...