Tento ser um camelô de palavras, adoro bugigangas léxicas. Estendo minha barraca na avenida movimentada da geografia globalizada e ao grito de “olha o rapa!” das polícias de academias nacionais de letras, desarrumo meu vocabulário estendido sob a lona, misturando adjetivos, substantivos, artigos, próclises, anacolutos, verbos pretéritos, enfim, essas quinquilharias idiomáticas e corro para o abrigo de uma biblioteca pública para reorganizar-me semanticamente. Nada de cadeado para os diários eletrônicos, tudo encadeado na exibição escancarada, descarada. O nexo da conexão é estarmos em sintonia com o caldeirão dos diabos globalizado. A análise sociológica pop agora é campo encampado não só por acadêmicos e polêmicos, mas também por anêmicos culturalmente. O fator língua não é o valor semântico, o que vale é a montanha, o jorro opinativo. Internet, intranet, externet estão aí como mercado das pulgas culturais, sem culpas guturais. Nada crio, tudo me transforma na fôrma mercadológica lógica e seu reverso. Converso com o teclado online na informalidade chomskiano, saussureano, houaissiano. Minhas veias são vasos comunicantes de palavras derrapantes, discurso sanguineo douto, dou-te a palavra ôca da oca de fios óticos desencapados, chocantes. O que prevalece é a comunicação e não a palavra talhada, coalhada. O rigor acadêmico é o cemitério de elefantes enterrado nos periódicos da universidade a mil km da universalidade da rede blogueana. Sei que o balançar da rede já atinge as ondas acadêmicas também, até a quântica não aprisionar o tesão das teses na submissão das mesas julgadoras jogadas por jogadoras e jogadores de filigranas. Mas não importa, se a porta está aberta para o espaço sideral chipeano, chapliniano. A rede é risonha por sua facilidade de acesso, é bombástica por ser elástica. Meu blog é um elo, um farelo. Junto aos outros é uma farofa jogada ao ventilador. A regra é não regar formalidade para todos expressarem seu café literário, esse nome pomposo e gostoso. Quem quiser que se sinta um Rubem Blag, um cronista de papel eletrônico que se enrola peixe de aquário com palavras escamadas de feixe de luzes e cores. Eu sou uma blague, eu sou uma fraude, não me negue, sou um limador de casco de jegue, um carregador de texto sem teste. Blogo, logo insisto, em minhas bloguices. Blog é jornalismo? Blog é jornalismo. Blog não é jornalismo? Blog não é jornalismo. Blog não-jornalismo pode ser instrumento corretivo de Blog-jornalismo. Blog é tudo: blogfoto, blogcine, blogcharge, blog blog, bang bang, ploc ploc, toc toc, foco foco. O blog pode ter brilho e barulho. Meus blogueanos prediletos são mortais ao lado dos meus imortais. Aqueles estão nas estantes de meu disco rígido como esses estão em minhas prateleiras de madeira do tempo da pedra lascada. Para aqueles muito silício é codificado para a glosa, para esses muitas árvores tombaram em nome da prosa. Não confundir bloguista com bloquista. Ambos são construtores. O blogue é instantâneo e pode vir de meu vizinho como de Bagdá. Seu conteúdo pode ter sido trabalhado, ser aprazível, como pode ser uma blosta. Blogar é um verbo, blogosfera é um big blog. Blogosfera é uma arena, uma arenga. Editor de si o blogueiro edita seu blogego, seu divã. Todos somos criadores, co-autores numa obra que não é de ninguém. Até que enfim temos uma reforma agrária, a reforma agrária do espaço intelectual. O blog é autogestão, é sugestão, é aporrinhação. The medium is the message, prognosticou McLuhan, o McDonald, o Pato Donald, o intérprete midiático da pós-modernidade. Traduzindo hoje: a mensagem, essa miríade de interpretação, é o espetáculo. Do Circo de Marcos Frota ao Cirque du Soleil o contorcionismo verbal está ai pra quebrar a espinha dorsal dos “formadores de opinião”, do monopólio da mídia corporativa. Até blog.
2 comentários:
O Blog é uma revolução ou uma retro-ação? Quando todos tivermos cada um o seu blog, quem lerá os blogs alheios? E, enquanto isto, os punks andam matando gente aqui em São Paulo, a Capital da América Latina...
Não se enganem: este sujeito, apesar das declarações, não é nada chegado a um martírio como o dos muçulmanos xiitas...Nada de chicotinho nas costas, nem prego espetando o saco, como nas ordens espirituais cristãs da Idade Média. Ele tem gosto pelo espetáculo, pelos ''fait divers'' divulgados pela Globo em seu sensacionalista Jornal Nacional. Enquanto isto fico me perguntando: haverá alguém capaz de captar, em filme ou livro ou artigo de jornal ou blog, a complexidade do Brasil de hoje?
PS: Agora que a cartada do ''petróleo'' foi usada, o que o ''governo'' Lula fará quando tivermos o próximo APAGÃO de energia?
PS2: CALA A BOCA CHÁVEZ!!!
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